segunda-feira, 30 de julho de 2018

O Velho Pescador e a Borboleta

O Velho Pescador e a Borboleta 


Fui andando para pegar a condução
Fiquei de baixo da marquise
Mais de meia hora esperando
O meu ônibus passar

E entre tantas pessoas que
Estavam ali, tinha um casal jovem
Os dois regulavam mais ou menos
A mesma idade, deveriam ter
Seus 18 ou 19 anos

Tão tranquilos, tão serenos
Vivendo apenas um para o outro
E inseridos nesse mundão, onde
As coisas belas passam desapercebidas
Nessa vida corrida

Sempre pego o ônibus nesse ponto
E numa parcela das vezes
Eles estão ali juntos, enamorados

Já vivi 67 primaveras, já casei duas vezes
Amiguei, noivei, namorei, me perdi
Me achei, e hoje tenho 4 filhos
Sendo 3 meninas e 1 menino

Atualmente me encontro separado
Mas, meu coração bate mais apressado
Nos momentos que estou com ela
Não sabe que escondo um bem querer
Nesse cansado e calejado coração
Ela tem 35 anos a menos do que eu
Para falar com uma certa exatidão

Tem quase a idade da minha filha
Apesar da diferença de idade
Imagino o que ela gosta em mim
É minha sabedoria?
As coisas matérias que conquistei?
Experiências adquiridas pelas histórias
que conto sobre meu passado?

E provavelmente não é pelos
Meus cabelos brancos, minha dentadura
E minha estatura mediana, a catarata que
Operei do olho esquerdo, a dificuldade em
Fazer caminhadas, talvez pelo fato
De ter fumado por 28 anos
Agora estou 17 anos sem por um
Cigarro na boca, o cheiro me incomoda
E embrulha o meu estômago

Ou será pelos amores que vivi
Meus filhos, meus netos, o meu periquito
Minhas cicatrizes aparentes e ocultas
Enfim, por toda a bagagem que levo
Comigo para onde vá

Nessa época de modernidades tive
Que me adaptar as novas formas de flertar
A conheci numa fila de banco
Era dia de pagamento dos aposentados e
A agência estava lotada e por esse motivo
Tinha muitas pessoas de minha idade
E na tela de chamada alternava entre
Chamadas convencionais e preferenciais
Para ser atendido nos caixas

Peguei o numero 071 preferencial e
Ela tirou 0047 convencional
Serviço de banco tem hora de você chegar
Mas você não sabe que horas irá sair
E em fila, para passar o tempo
Tenho costume de puxar assunto
Ter um dedos de prosa

Contei que estava ali para verificar
Que o meu benefício não tinha caído
Na conta no dia programado e
Ela estava por causa de um
Desconto indevido em sua conta

Conversamos amenidades e ela me disse
Que estava cursando sua segunda faculdade
Fiquei surpreso pelo seus dizeres e
Contei que tenho uma banca de jornal
E sou eletricista

Ela me perguntou meu nome
Disse que me chamava Pedro, prazer Ana
E depois de um tempo, nos encontramos
Estava no trabalho e a vi correndo
Andando apressada, na hora me deu um branco
E falei num tom mais alto
Heeei! Moça da fila do banco!
Ela me olhou e sorriu de canto de boca
E seguiu o seu caminho entre os pedestres
Feirantes, mesa de bares na calçada

E agora conversamos quase todos os dias
Ana me conta sobre sua vida e como
É difícil às vezes morar sozinha
Nessas horas quase que revelo
Minhas reais intenções, que por
Um certo momento se fundamentou
Na amizade e agora a olho com
Olhos apaixonados

E ela não consegue ler a minha cara
Quando ela conta sobre algum rapaz
Que lhe chamou a atenção
Há mais ou menos 10 dias as
Coisas entre a gente desandaram
Por culpa minha

Dei minha opinião sobre certas
Áreas da vida particular-amorosa dela
Eu nunca tomaria essa liberdade antes
Mas, estava envolto em paixão
Que cegou meu discernimento e
Lamento pelas palavras proferidas
Para Ana, que sonha acordada
Com um amor. Bemmm longe de sua casa

Iremos voltar a nos falar. Ela sempre volta.
É um ser que não guarda mágoa, ressentimento
Porém, nunca esquece o que foi infligindo a ela

E assim convivo com minha amada
E algum dia serás minha, quando olhar
O homem que está ao seu lado
E não no desejo, que está além mar
Esse sentimento guardado, sonhado, referenciado
Que está sacramentado, no seu coração machucado.

                                          Autor: Everton Alves.


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