As Cinzas Prateadas da Fênix
A dor da despedida ainda permanece
Quem diria que sentiria tantas saudades suas
Em frente ao portão da sua casa, penso
Na sua presença vindo em minha direção
Nunca percebi a joaninha pousada
Naquelas flores do mato e agora percebo
Até a mudança repentina do seu humor
As folhas rodopiam perto de mim
E você dizia que era uma dança teimosa
Com o vento sempre esperando a contradança
A névoa que aparecia no começo das manhãs
Nunca reparei antes da sua partida
Se pudêssemos ver entre as nuvens
Espessas de nossas dúvidas
Nunca te disse uma palavra bonita e como
Gostava da sua companhia. A minha presença
No meu entender bastava, era tudo que você queria
Entre os seus amigos, sempre implicava
Com aquele cara com a tatuagem de espada
Nunca demonstrei como me importava
Não demonstrava ciúmes mesmo sendo
Um caminhão descendo uma ribanceira
Carregado de insegurança. Sempre fui uma
Montanha de insegurança, que se mostra
Como um móbile de cristal no
Sismo do chile de 1960
Quando estava contigo sempre te protegi
Deixava sentada na parte interna das conduções
Mas raramente expunha meus sentimentos para ti
Pois, a simples presença dispensava o uso de poesia
Nunca mostrei sensibilidade em nada
Mesmo chorando, escorrendo umas lágrimas
Assistindo Titanic na sua casa
Quando me contava sobre as forças infinitas e
Tênues da natureza, como tudo estava interligado
Num ciclo quase que perfeito, com o homem modificando
E perturbando essa perfeita sincronia, pensando sempre
No seu bel prazer, ignorando, machucando
Usurpando a mãe natureza
Sempre falei que isso era viagem sua. Coisa implantada
Pelos livros, que incutem isso na sua cabeça
O planeta Terra está aí para usarmos os recursos disponíveis
Vou usando, até porque, não irei mais estar aqui
Quando a última árvore for cortada, e no deserto
Que virará essa nossa morada. Assim, eu te dizia.
Nunca passei as mão nos seus cabelos. Nunca perguntei
Sobre a tonalidade dele, nem se seus cílios eram postiços
Se seu batom era o mesmo todos os dias, se seu esmalte
Nunca mudava de cor e estranhamente era sempre vermelho
Pra falar a verdade, nunca reparei em ti na realidade
Nunca perguntei qual motivo de usar óculos
Se por causa de astigmatismo, miopia, hipermetropia
Ou só por moda. Por te deixar mais bonita
Realçando os traços de sua face. Outra coisa; nunca elogiei
A sua beleza que me encantou um dia
Nunca participei de seu grupo de yôga
Achava que era coisa que não ia dar em nada
Ficar parado fazendo Kaphalabhati é perda de tempo
Coisa sem propósito aparente. Sempre te dizia que a vibe
Era malhar, até ter um peitoral maior que o do Hulk
Nunca dei importância, para aquilo que era importante pra você
Nas festas e eventos sociais nunca fui o companheiro presente
Ficava solto. Conversava com outras pessoas e outras mulheres
Porém, eu sempre estava ali. Como um garçom que atende
Várias mesas e não cativa nenhuma
Você sempre amou a Lua. E dizia, se ela não tivesse o Sol
A Terra e o firmamento como testemunhas, casaria com ela
Sempre achei suas palavras e devaneios sem sentido, dizia
Que era louca, que tinha perdido um parafuso na sua cabeça
Ou que os estudos estavam afetando sua saúde mental
E você me olhava e sorria meio sem graça, talvez desapontada
Por eu não ver a magia da vida, posta na minha frente todos os dias
Me abraçava e dizia que eu não sabia de nada, logo eu formado
Em farmácia, como ela ousava falar essas coisas na minha cara
Espero que esteja bem onde estiver. Desejo melhor para ti
E que continue sentindo o fluxo da vida que te cerca
E que eu possa algum dia, ouvir o cantar da chuva
Caindo em cima do telhado, na rua, no carro e a sinfonia
Bonita e colorida das flores, que confortam as minhas dores.
Autor: Everton Alves.








