terça-feira, 31 de julho de 2018

As Cinzas Prateadas da Fênix

As Cinzas Prateadas da Fênix 


A dor da despedida ainda permanece
Quem diria que sentiria tantas saudades suas
Em frente ao portão da sua casa, penso
Na sua presença vindo em minha direção

Nunca percebi a joaninha pousada
Naquelas flores do mato e agora percebo
Até a mudança repentina do seu humor

As folhas rodopiam perto de mim
E você dizia que era uma dança teimosa
Com o vento sempre esperando a contradança

A névoa que aparecia no começo das manhãs
Nunca reparei antes da sua partida
Se pudêssemos ver entre as nuvens
Espessas de nossas dúvidas

Nunca te disse uma palavra bonita e como
Gostava da sua companhia. A minha presença
No meu entender bastava, era tudo que você queria

Entre os seus amigos, sempre implicava
Com aquele cara com a tatuagem de espada
Nunca demonstrei como me importava
Não demonstrava ciúmes mesmo sendo
Um caminhão descendo uma ribanceira
Carregado de insegurança. Sempre fui uma
Montanha de insegurança, que se mostra
Como um móbile de cristal no
Sismo do chile de 1960

Quando estava contigo sempre te protegi
Deixava sentada na parte interna das conduções
Mas raramente expunha meus sentimentos para ti
Pois, a simples presença dispensava o uso de poesia
Nunca mostrei sensibilidade em nada
Mesmo chorando, escorrendo umas lágrimas
Assistindo Titanic na sua casa

Quando me contava sobre as forças infinitas e
Tênues da natureza, como tudo estava interligado
Num ciclo quase que perfeito, com o homem modificando
E perturbando essa perfeita sincronia, pensando sempre
No seu bel prazer, ignorando, machucando
Usurpando a mãe natureza

Sempre falei que isso era viagem sua. Coisa implantada
Pelos livros, que incutem isso na sua cabeça
O planeta Terra está aí para usarmos os recursos disponíveis
Vou usando, até porque, não irei mais estar aqui
Quando a última árvore for cortada, e no deserto
Que virará essa nossa morada. Assim, eu te dizia.

Nunca passei as mão nos seus cabelos. Nunca perguntei
Sobre a tonalidade dele, nem se seus cílios eram postiços
Se seu batom era o mesmo todos os dias, se seu esmalte
Nunca mudava de cor e estranhamente era sempre vermelho
Pra falar a verdade, nunca reparei em ti na realidade

Nunca perguntei qual motivo de usar óculos
Se por causa de astigmatismo, miopia, hipermetropia
Ou só por moda. Por te deixar mais bonita
Realçando os traços de sua face. Outra coisa; nunca elogiei
A sua beleza que me encantou um dia

Nunca participei de seu grupo de yôga
Achava que era coisa que não ia dar em nada
Ficar parado fazendo Kaphalabhati é perda de tempo
Coisa sem propósito aparente. Sempre te dizia que a vibe
Era malhar, até ter um peitoral maior que o do Hulk
Nunca dei importância, para aquilo que era importante pra você

Nas festas e eventos sociais nunca fui o companheiro presente
Ficava solto. Conversava com outras pessoas e outras mulheres
Porém, eu sempre estava ali. Como um garçom que atende
Várias mesas e não cativa nenhuma

Você sempre amou a Lua. E dizia, se ela não tivesse o Sol
A Terra e o firmamento como testemunhas, casaria com ela
Sempre achei suas palavras e devaneios sem sentido, dizia
Que era louca, que tinha perdido um parafuso na sua cabeça
Ou que os estudos estavam afetando sua saúde mental

E você me olhava e sorria meio sem graça, talvez desapontada
Por eu não ver a magia da vida, posta na minha frente todos os dias
Me abraçava e dizia que eu não sabia de nada, logo eu formado
Em farmácia, como ela ousava falar essas coisas na minha cara

Espero que esteja bem onde estiver. Desejo melhor para ti
E que continue sentindo o fluxo da vida que te cerca
E que eu possa algum dia, ouvir o cantar da chuva
Caindo em cima do telhado, na rua, no carro e a sinfonia
Bonita e colorida das flores, que confortam as minhas dores.

                                          Autor: Everton Alves.


segunda-feira, 30 de julho de 2018

O Velho Pescador e a Borboleta

O Velho Pescador e a Borboleta 


Fui andando para pegar a condução
Fiquei de baixo da marquise
Mais de meia hora esperando
O meu ônibus passar

E entre tantas pessoas que
Estavam ali, tinha um casal jovem
Os dois regulavam mais ou menos
A mesma idade, deveriam ter
Seus 18 ou 19 anos

Tão tranquilos, tão serenos
Vivendo apenas um para o outro
E inseridos nesse mundão, onde
As coisas belas passam desapercebidas
Nessa vida corrida

Sempre pego o ônibus nesse ponto
E numa parcela das vezes
Eles estão ali juntos, enamorados

Já vivi 67 primaveras, já casei duas vezes
Amiguei, noivei, namorei, me perdi
Me achei, e hoje tenho 4 filhos
Sendo 3 meninas e 1 menino

Atualmente me encontro separado
Mas, meu coração bate mais apressado
Nos momentos que estou com ela
Não sabe que escondo um bem querer
Nesse cansado e calejado coração
Ela tem 35 anos a menos do que eu
Para falar com uma certa exatidão

Tem quase a idade da minha filha
Apesar da diferença de idade
Imagino o que ela gosta em mim
É minha sabedoria?
As coisas matérias que conquistei?
Experiências adquiridas pelas histórias
que conto sobre meu passado?

E provavelmente não é pelos
Meus cabelos brancos, minha dentadura
E minha estatura mediana, a catarata que
Operei do olho esquerdo, a dificuldade em
Fazer caminhadas, talvez pelo fato
De ter fumado por 28 anos
Agora estou 17 anos sem por um
Cigarro na boca, o cheiro me incomoda
E embrulha o meu estômago

Ou será pelos amores que vivi
Meus filhos, meus netos, o meu periquito
Minhas cicatrizes aparentes e ocultas
Enfim, por toda a bagagem que levo
Comigo para onde vá

Nessa época de modernidades tive
Que me adaptar as novas formas de flertar
A conheci numa fila de banco
Era dia de pagamento dos aposentados e
A agência estava lotada e por esse motivo
Tinha muitas pessoas de minha idade
E na tela de chamada alternava entre
Chamadas convencionais e preferenciais
Para ser atendido nos caixas

Peguei o numero 071 preferencial e
Ela tirou 0047 convencional
Serviço de banco tem hora de você chegar
Mas você não sabe que horas irá sair
E em fila, para passar o tempo
Tenho costume de puxar assunto
Ter um dedos de prosa

Contei que estava ali para verificar
Que o meu benefício não tinha caído
Na conta no dia programado e
Ela estava por causa de um
Desconto indevido em sua conta

Conversamos amenidades e ela me disse
Que estava cursando sua segunda faculdade
Fiquei surpreso pelo seus dizeres e
Contei que tenho uma banca de jornal
E sou eletricista

Ela me perguntou meu nome
Disse que me chamava Pedro, prazer Ana
E depois de um tempo, nos encontramos
Estava no trabalho e a vi correndo
Andando apressada, na hora me deu um branco
E falei num tom mais alto
Heeei! Moça da fila do banco!
Ela me olhou e sorriu de canto de boca
E seguiu o seu caminho entre os pedestres
Feirantes, mesa de bares na calçada

E agora conversamos quase todos os dias
Ana me conta sobre sua vida e como
É difícil às vezes morar sozinha
Nessas horas quase que revelo
Minhas reais intenções, que por
Um certo momento se fundamentou
Na amizade e agora a olho com
Olhos apaixonados

E ela não consegue ler a minha cara
Quando ela conta sobre algum rapaz
Que lhe chamou a atenção
Há mais ou menos 10 dias as
Coisas entre a gente desandaram
Por culpa minha

Dei minha opinião sobre certas
Áreas da vida particular-amorosa dela
Eu nunca tomaria essa liberdade antes
Mas, estava envolto em paixão
Que cegou meu discernimento e
Lamento pelas palavras proferidas
Para Ana, que sonha acordada
Com um amor. Bemmm longe de sua casa

Iremos voltar a nos falar. Ela sempre volta.
É um ser que não guarda mágoa, ressentimento
Porém, nunca esquece o que foi infligindo a ela

E assim convivo com minha amada
E algum dia serás minha, quando olhar
O homem que está ao seu lado
E não no desejo, que está além mar
Esse sentimento guardado, sonhado, referenciado
Que está sacramentado, no seu coração machucado.

                                          Autor: Everton Alves.


sexta-feira, 27 de julho de 2018

O Útimo Toque De Suas Mãos

O Último Toque De Suas Mãos 


Deitada no colchão
No lado de fora da casa
Olho para o céu sem
Pedir nada em troca

Ou porque esteja devendo
Algo para os astros lá
De cima encobertos por nuvens
Que bailam no ar nesse
Dia ensolarado

Lembro, porque estou aqui
Perdida em meus pensamentos
Traiçoeiros, minha desconfiança
Se confirmou, como não pude vê
Entre as linhas mal traçadas de
Seus olhos encarando outra
Naquela mesa

A certeza veio como
Uma flecha atravessando
O distraído alvo, na calada
Da tarde de ontem

Nunca atendi um telefonema
que fosse para você?
Nunca me interessei no que
tanto tecla no seu smartphone?

Até em horas impróprias
Na mesa do almoço, no barzinho
Nos momentos de carinho a dois
Sempre olhava-o e quando
Vibrava era um sinal e
Como ficava desconfortado...

E hoje não passarei a mão
em seu cabelo curto!
Não perguntarei, não saberei
sobre os seus dias, carregados de mentiras!

Como não pude vê o que
Estava na minha frente
Quando te abraçava e te beijava
Será que os seus desejos eram meus de fato?

Quando deitados na cama
As palavras que me dizia
Não eram para mim

Será que alguma vez
enquanto estávamos juntos
você me sentiu, tocou ou
olhou-me amorosamente?

Até seu olhar... até seu olhar
Roubou-os de mim, quem ama
É que sofre no fim das contas

Hoje queria ser o ar e ir embora
Pra qualquer lugar que
Minha tristeza me levar
Sobrevoar e quem sabe repousar
Na vida de alguém que saiba amar.

                                          Autor: Everton Alves.


quarta-feira, 25 de julho de 2018

A Flor Pálida

A Flor Pálida 


Estava andando na estrada
De barro aqui da cidade
Estradinha de chão poeirenta
Tipo de interior

Estava indo com intuito
De ir até o cume
Da montanha do bananal
E de lá ver a vista
Que se esconde atrás do cume

Um senhor vinha
Em minha direção com
Uma carroça de duas rodas
E seu cavalo puxando tudo

O parei e perguntei:
Como faço pra chegar
Na montanha do bananal?
O velho me olhou
E com uma certa destreza
Fez um mapa na terra vermelha

Com uma vara pequena
Que usava para conduzir o cavalo
Magro, velho, pobre bichinho
Sem sorte na vida, eu acho

Fez contornos firmes
Na terra seca, tinha a leveza
De uma bailarina com seus
Movimentos encantadoramente
Bem marcados, sincronizados

Talvez guiado pelas lembranças
Esse velho sertanejo ao meu lado
Com suas mãos calejadas por incontáveis
Anos de serviço braçal na roça

Desenhava no solo com a calma
E serenidade de um rio sinuoso
Que vai traçando o seu caminho

Olhei e entendi a
Sua gravura bem representada
Naquele pedaço de estrada
Sorri para ele e agradeci

Ele me disse que no meio
Da grota aparece uma mulher
Muito bonita, que leva os viajantes
Incautos para uma viagem
Deslumbrante entre os seus lençóis
E num momento qualquer suas garras
Aparecem e o viajante sortudo
Vira almoço da onça bonita

E deu uma longa gargalhada
Alta e demorada
Sorriso aberto e debochado

Me coloco a andar pensando
No fim da estrada e no que
Irei vislumbrar e fico com o pé
Atrás com o causo do velho

E se ela aparecer no meio do caminho?
Agradecerei o convite e direi que tenho
Uma flor que merece todo o meu amor
E assim continuarei a caminhar, aguardando
A volta para casa, para os braços do meu bem
Para minha flor dourada.

                                          Autor: Everton Alves.


terça-feira, 24 de julho de 2018

O Teu Riso

O Teu Riso 


Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas
não me tires o seu riso.

Não me tires a rosa,
a flor de espiga que desfias,
a água que de súbito
jorra na tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
por vezes com os olhos
cansados de terem visto
a terra que não muda,
mas quando o teu riso entra
sobe ao céu à minha procura
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor,
na hora mais obscura
desfia seu riso, e se de súbito
vires que meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso serás
para as minhas mãos
como uma espada fresca.

Perto do mar no outono,
o teu riso deve erguer
a sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero o teu sorriso como
a flor que eu esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
curvas da ilha,
ri-te deste rapaz
desajeitado que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando os meus passos se forem,
quando os meus passos voltarem,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas o teu sorriso nunca,
porque sem ele morreria.

          Autor: Pablo Neruda ( 12 de julho 1904 - 23 de setembro 1973 ).


sábado, 21 de julho de 2018

O Que Dizem Seus Olhos Floridos

O Que Dizem Seus Olhos Floridos 


Estou com meu coração pesado
Pelas escolhas que aparentemente eram certas
E me arrependi ; pelo aparentemente
E fiquei ausente fisicamente, outra vez para o meu bem

Como é fácil expressar o que sinto
Para minha flor dourada que ilumina
Os meus dias, na sua escrita suave
Como vê o fluxo tênue da vida cotidiana

E algumas palavras que fazem
Parte de suas pétalas caem nas páginas
Como um grito, um aceno, um pedido
Para que note os seus desejos
Nesse mar de incertezas

Que quer ser percebida e no meu caso
Percebido pela pessoa a qual se tem amor
E demonstra como pode o sentimento bonito
Pelo oceano que a acolheu

Se nos encontrássemos
Você me trataria como um desconhecido?
Comprando um livro na padaria
No açougue, na feirinha de bairro

Ou me trataria com amor e ternura?
Me olhando nos meus olhos e perguntando como estou
Passando meus dias, meses, anos longe da sua gentil
Confortante e amorosa presença

Quero lhe ter nos meus braços amada flor dourada
E talvez não irá acontecer com hora marcada, agendada, combinada
Me dê um sinal, mande uma carta que nunca escreveu
Coloque-a numa garrafa e a jogue na água para ser absorvida

E seja um meio para te encontrar
Longe dos olhos dos outros, longe do julgamento alheio
Longe do que acham, um lugar para sermos nós mesmos
Sei que rascunhará mais uma vez e lançará dessa vez

Estou morrendo de saudade e na realidade ninguém morre
Por sentir falta, mas fica obscura a mensagem se as atitudes
Não são tomadas no encontro diário com a margem

Minha deusa da tempestade que quando surge
Vem branda e molha o meu jardim, me fazendo
Abrir os braços e te amar nesse pequeno pedaço de chão

Amo-te, não sei explicar, não preciso explicar
O que devo é sentir pulsar dentro e fora de mim

Simplesmente você preenche o me céu sem luar
Minha noite sem sol, meus ouvidos cativos
Com sua voz melodiosa e envolvente a beira-mar.

                                          Autor: Everton Alves.


segunda-feira, 16 de julho de 2018

Submersão

Submersão 



Deitada no meu quarto vejo entre os lençóis
O movimento de alguém se arrumando para sair
Não sei que horas são, porque varia

Tem vezes que sai de noite, de madrugada
De manhãzinha, depois do amor
Não adianta segurar, pois sempre saem

Sei exatamente como chegam
Com suas frases muitas vezes já ouvidas
Em outras ocasiões, situações e dentro de afetivas prisões

Chegam e como sou jovem, não tenho só um segredo
Um desejo profundo, posso ainda realizar algum dia
A evolução da medicina me deixa escolher o rostinho
O tom da pele e a profissão do progenitor na hora que eu quiser

Não preciso de homem nenhum para esse fim
Imagina, um bebezinho dentro dum vidrinho
Esperando o momento certo para ver
A luz divina que rege a vida

Olho para o criado mudo, a luminária se acende
E alguém pega um relógio de pulso, a carteira
E parte de minha vida e simplesmente atravessa a porta
E some, nas lembranças frescas dos meus pensamentos

Já foram tantos Marcos, Pedros, Guilhermes, Rodrigos
Filipes, Carlos, que já deixei entrar e fazia o que pudia
Para que ficassem e partiram sempre de forma conturbada

Acho bonito, quando um casal termina
E um ou outro da a seguinte explicação para o término
Terminamos em comum acordo, sentamos e conversamos
E decidimos, que era hora de dar um fim

Na realidade, acredito na reciprocidade
No início de um relacionamento e fico bem cética
Quando a tal reciprocidade é estampada no término

Mas hoje, não me sinto tão sozinha
Não sei como explicar a sensação
De estar bem consigo mesma

Amanhã provavelmente outro usará o meu guarda-roupa
Ficará jogado no sofá assistindo televisão com a pia lotada
De louça pra lavar, chegarei cansada do trabalho, arrumarei toda a bagunça

Arrumarei o jantar e ele o comerá, não elogiará o tempero como antes
Não perguntará como foi meu dia, o que fiz ou não deu pra fazer
Em razão do tempo apertado do almoço

Não perguntará se aquela dor no ombro ainda dói
Não perguntará sobre a consulta no ginecologista
Se consegui remarcar ou não, não me olhará nos meu olhos
Não lavará o próprio prato que acabou de jantar
E quando finalmente abrir a boca, falará apenas de si
E como o mundo é insensível com ele

Depois de cansada de mais um dia, irei para o quarto
Finalmente descansar, como é poético pensar assim
Esqueci, ainda tenho de satisfazer as vontades do meu namorado, ficante
Senão, vai dizer que devo ter um amante
 
Me lembro de um título de uma música do Air Supply 
Que sintetiza esses momentos: Making Love Out Of Nothing At All
E o dia passa e o outro vem e a famigerada rotina se instala
E como um cão que foi dado a contragosto, me acostumo com ele

Dou carinho, faço cafuné, levo pra passear
E quando tenho que viajar por qualquer motivo
Deixo bastante comida e água para que o companheiro
Não morra de fome

O próximo que eu namorar, vou sentenciar ; que me veja a cada semana
De quinze e quinze dias. Umas duas ou três vezes no mês
Como fosse possível viver assim. Como fosse possível alguém aceitar isso
Não me importo, dessa vez vai ser assim. Vou vencer as ausências afetivas

Como disse anteriormente, não estou me sentindo sozinha
Estou boiando sobre o mar que me acolheu, sem pressa
Sem fazer julgamentos ou criar expectativas
Estou quase completamente envolvida

Não tenho medo se o tempo virar
Se a superfície do mar formar ondas
Ou se o mar querer me tragar para dentro dele

Estamos juntos e fisicamente separados
Porém, unidos com um desejo simples de sentir
O amor um do outro, apesar das turbulências
Que cercam as nossas vidas.

                                          Autor: Everton Alves.


quarta-feira, 11 de julho de 2018

Esperar o Café

Esperar o Café 
  


Hoje está sendo
Mais um dia insuportável, incômodo
Nenhuma nuvem no céu

Quase três meses sem chuva
Temperatura alta
Umidade de deserto

A rua em que ando
Está carregada de vida, outras vidas
Que não sabem da minha

E o inverso acontece
Para cada um, vivendo do seu jeito
Cada qual com seu cada qual

Porque insiste em dizer o óbvio
Sobre mares que desconhece
E por isso tem medo de adentrar
Em suas águas não navegadas
Por ninguém que conheça

Se aventurar num mar
Sem uma mapa previamente em mãos

Mais tarde o tempo
Começa a mudar, grossas nuvens
Esparramadas começam a se juntar no céu

E ao longe percebo uma ou duas
Começando a precipitar
E aqui ainda está praticamente
Uma estação do ano sem chover

Não me desespero, pois algo me diz
Que a  nuvem que está sobre mim
Não irá tardar a soltar suas gotas
Abençoadas sobre mim, minha rua, minha vida

Chega a noite e começa
A ventar em demasia, como anunciando
O que já sabia na minha alma, na pele, na vista
E tudo se encheu de alívio

Por aquilo que já viria sem alarde
Em mais um dia na caminhada dessa vida
Choveu a noite toda, raios e trovões
Dizendo que tudo acontece por um motivo

Que ainda não sabemos
Ao certo, esperar a nossa vez
Ficamos impacientes, carrancudos e ausentes

Falamos e mal dizemos sobre aquilo
Que ainda não aconteceu, como o mundo fosse culpado
Se certas coisas não acontecem como queremos,
Quando, no momento que nossos corações flertam com a solidão

Dê tempo ao tempo minha flor dourada,
Que está um pouco chateada
E quer me ouvir falar a todo momento
Procurar meus braços para descansar, conversar, amar

E não consegue olhar para o céu
No meio de tanto calor, secura na garganta
Problemas da sua vivência cotidiana

Para orar e pedir que chova
Chova na sua cama
Chova no seu entorno, para refrescar o meu amor.

                                          Autor : Everton Alves.


terça-feira, 3 de julho de 2018

Dois Dedos de Prosa

Dois Dedos de Prosa 


Hoje sai de mim para conversar
Comigo mesmo e me fiz várias indagações
E fico me perguntando? porque a amo tanto

Fui andar na rua para resolver
Um assunto e no caminho fui pensando
Na flor dourada que sinto amor e angústia

Essa semana percebo pelos dias
Que já se foram metade do ano pela ampulheta
Do tempo, que se vai sem se dar conta
Da distância que tanto nos incomoda

E como estamos agora?
Na iminência de mais uma meia volta
No círculo sem fim das horas

Onde sua alma está agora?
Seu espírito pôs-se a voar
Em direção ao mar para
Velejar junto com seu amado

De onde vem tamanha inspiração?
Que tece o cotidiano físico
E metafísico da vida humana

Um dia entre o mês de Julho
Nossos ponteiros vão se encontrar
Num leve passar de poucas horas

Entre sombras de uma construção
Faz a imagem de um coração, que não toca o chão
E traz sentido a nossa percepção

Meus pés estão calejados em andar
Sem parada e não estou indo pra sua casa descansar
Deitado no chão da varanda no 4° andar

Tive uma noite de sono mal dormida
Resfriado e a garganta irritada, inflamada
E mesmo assim entre minhas dores
Sinto o seu perfume minha flor

Estou cansado, mas não perco a vontade
De estar junto a ti em alguns dias
Com flores nas mãos e uma tonelada de emoção

Por mais um livro que alcançará diversos corações
Essa é minha paixão. Essa é minha companheira
Sempre presente no meu jardim

Que está além da compreensão da razão
E junto, bem junto do meu coração.

                                         Autor: Everton Alves.