quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A Calma Sincera de Lívia

A Calma Sincera de Lívia 


Toda vez que me recolho calada
Num canto , tua sombra diurna
Vem me visitar , me rondar
Querendo se por a par
Da minha vida

Respiro e docilmente te entrego
Em seus ouvidos abelhudos
O que vem especular e com
Um ar de satisfação se
Põe a voar

Estava regando borboletas
Cintilantes pelas ondas digitais ,
Me mostrando viva apesar dos
Percalços dessa minha vida .

Por vezes mal compreendida
Navegando sem sair do lugar .
Procurando aprimorar meus
Conhecimentos e a sombra não
Esperou nem eu sentar e relaxar .
Adentrou no meu campo de visão ,
Sem ao menos ser requisitada

O rapaz que meus olhos querem
Já percebeu as investidas da dúvida
E sempre que pode saí de perto .
Para que a visita se sinta mais
Aconchegada , ao redor da mulher
Por ele amada

Porém como um bom companheiro
Que cuida da sua cara metade ,
Sempre fica por perto para qualquer
Possível eventualidade

A sombra quis saber o que tanto
Olha e escreve nessa maquina de escrever .
Será que está namorando? perguntou .
E ela sem se importar com a sombra ,
Respondeu gentilmente a intromissão e
Satisfeito foi manso para outra direção

O que esconde debaixo desse sorriso sincero ?

O que suas delicadas mãos que vagueiam pelos
Seus cabelos loiros e as teclas dessa máquina ,
Querem tanto dizer e não dizem ?

Onde anda esse seu coração e pensamento ...
Procurando refúgio bem longe do seu corpo ,
Quando as coisas não vão tão bem ?

A sombra tenta aprender as nuances
Claras e objetivas da vida , que sua visão
Restrita não consegue ver

Busco conforto nas frases trocadas ,
Nas madrugadas iluminadas ,
Pela sua amável presença .


                                          Autor: Everton Alves.


domingo, 20 de janeiro de 2019

Os Desertos e suas (in)certezas

Os Desertos e suas (in)certezas 


Há um tempo atrás tomei a decisão
De não mais entregar flores para
Expressar meus sentimentos por
Uma pessoa que amo ou venha amar .
Resolvi entregar no lugar das flores ,
Um cacto . Talvez para alguns essa
Decisão não seja nada romântica ou
Desprovida de beleza , mas não vejo assim .
Há muito mais beleza e significado
Para mim nessa atitude que antes
Quando entregava flores .

As flores são belas . Belas e
Impressionam por suas cores fortes
E vivas ao mesmo tempo que são tão
Sensíveis e frágeis , podendo morrer
Rapidamente . Não é sem sentido que o
Dito popular afirme que uma paixão
Entre um homem e uma mulher dure
O tempo em que as flores estiverem vivas .
Ou seja , quando elas murcham , vai-se
Embora a paixão .

A frase pode até parecer supersticiosa ,
Fatalista e sem poesia , mas tem lá
Sua razão de ser . Eu não crítico quem
Ainda da flores a quem ama , mas o fato
É que as flores que já entreguei , nenhuma
Delas sobreviveu , todas murcharam e
Eu ' cansei '. Cansei de dar flores ...
Cansei de expressar meus sentimentos rasos ...
Cansei da instabilidade e da angustiante
Expectativa de quando elas iriam ' secar '.
Cansei de vê-las perderem o cheiro , a cor
E vivacidade a mesmo tempo que percebia
A morte lenta do desejo , da alegria e do
Encanto por quem estava ' envolvido '.

Cansei dos esforços inúteis e das
Receitas tolas como colocar açúcar
No vaso com água a fim que as belas e
Frágeis flores não morressem tão cedo .
Cansei de entregar talos cortados sem
Raízes embrulhados em plásticos
Bonitos e com um lacinho ...
Resolvi entregar cactos ...

Eles parecem hostis, perigosos
De se tocar , de aparência rude e
Ameaçadora com seus espinhos
Expostos sem segredo . Eles não tem
O cheiro das flores e nem despertam
Suspiros apaixonados . Fortes ,
Resistentes adaptados a viverem
Em situações adversas , os cactos
Vão resistindo tanto a sequidão
Quanto os temporais , ao calos e ao frio ...
Os cactos não morrem cedo . Eles não
São tão frágeis e sensíveis como as flores ,
Eles tem raiz . Apesar dos espinhos ,
Eles também florescem .

A flor do cacto é linda ! Ela pode
Brotar branca como a nuvem , azul
Como o céu ou amarela como o sol .
Floresce entre os espinhos que a
Protegem da ameaça de serem
Comidas por animais de grande porte ,
Assim como das aves que não
Conseguem pousar sem ferir os pés .

A flor do cacto floresce no meio
Da sequidão tanto do cerrado quando
Do Sertão nordestino . Quando eu
Entregar um cacto a alguém estou
Querendo dizer a esta pessoa que
Estou pronto a amar . Que estou
Disposto a experimentar a vida e
As estações de ' sequidão ' ou ' chuva '
' frio ' ou ' calor '. Eu quero um
Amor como o cacto ...

Que seja resistente , forte , firme que se expõe ...
Um amor que apesar das situações floresce .


                                  Autor: Daniel Barros - Teólogo .




domingo, 6 de janeiro de 2019

O Ontem ; Ainda Não Se Foi

O Ontem ; Ainda Não Se Foi


Quando meus olhos a procuram pelas sombras 
Que passam e passeiam no reflexo do chão , 
Em que a água amorosamente baila com a 
Vassoura retirando as impurezas e sujeiras 
No piso branco marfim 

Nesse instante existe apenas a música que toca 
Dentro dessa sala . E a lembrança recente do café 
Da manhã comove esse homem . Que trabalha e o 
Suor vai escorrendo lentamente entre a sua face e 
Suas mãos grossas . E mesmo assim escreve e 
Segue do seu jeito ; vivendo seus dias

Ouvia músicas para minha alma aliviar
Para chegar a um estado de calmaria e sossego
Mas o pensamento na minha flor , invade os
Momentos de descontração

Quando faço uns passos descompassados na cozinha
Passando um café na chaleira , que até pouco tempo
Desconhecia essa marca Delicatto . Com gosto feito
Chá de boldo . Que como remédio , tem sua utilidade

Porém quando pensamos em beber , reviramos a
Cara na hora . Mas com o passar das semanas o
Paladar se acostuma , com o chá mate disfarçado
De pó de café

Os passos se misturam no corredor . Pelo seu som
Nas passadas já te reconheço entre os diversos passos .
E juro que não me confundo , quando está a circular ,
Nos vários cômodos dessa unidade de saúde

Sinto algo estranho pairando no ar . Como alguém fosse
Fazer uma longa viagem ou quem sabe ir embora .
Sensação que me deixa desconfortável , mesmo sendo
Uma impressão não comprovada

E a água ferve . E o café é colocado na garrafa térmica .
Tomo um gole e imagino tantas histórias seguindo
Livres por aí . Pelas ruas , pelas cidades , pelos abraços

Sempre esperamos aquilo que queremos . Fazemos planos .
Corremos atrás de certas coisas , mas sempre tem algo que
Esperamos no momento certo

E um punhado delas , ocorrem nos momentos não favoráveis .
Mas o inesperado , o que surge de surpresa , aquele carvão bruto
Que com paciência se transforma num diamante 24 quilates

Aquele ponto fora da curva , que a primeira vista não tem muito
A ver com a gente . Mas quando o rodo , a vassoura , o sabão ,
Se unem com suas diferenças para promover a limpeza ,
Acredito ainda meio incrédulo ; na imperfeição do amor

Que na brisa que balançavam seus cabelos loiros .
Na sua visão fixa no seu celular . Nos favores a ti ofertados .
Nas reuniões que nunca participava . O som de sua voz baixa ,
Ainda está bem nítida nos meu ouvidos

E esses pequenos fragmentos de lembrança . Me faz sonhar
Com o seu sorriso tão presente em minhas chegadas e nas
Despedidas por nós disfarçadas .


                                          Autor: Everton Alves.