domingo, 30 de setembro de 2018

Sócrates e Cleópatra

Sócrates e Cleópatra 


Andando com dificuldade , desço a rua que dá acesso
Ao meu apartamento , o meu corpo já não tem a mesma
Vitalidade de antes . Chego e olho as escadas . São seis
Lances que não acabam , até chegar na minha casa

Operei o joelho esquerdo , faz uns sete anos e ainda sinto
Volta e meia , umas fisgadas no local da operação .
Opto pelo elevador . Na minha idade não é bom nem pensar
Em levar um tombo . Dou boa tarde para a acessorista e
Digo qual andar irei parar . Boa moça , sempre solícita aos
Moradores e visitantes . Chego e vou andando com um
Pouco de dificuldade

Tudo porque além de velho , quero fazer coisas que não
São próprias da minha idade . Fui levar o lixo do apartamento
Da vizinha para rua . Ela está com uma obra para o aumento
Da cozinha . Se eu me lembre será tipo aquelas cozinhas
Americanas e tinha uma saco com um resto de entulho e
De forma cavalheira me ofereci para levar

E ela disse que não precisava . Logo eu , um senhor na minha idade ,
Que não aguenta um gato pelo rabo , mas gosto de me sentir
Jovem e relacionar com esses jovens . Sentir , nem que seja no
Meio de uma fantasia , relembrar meus tempos juvenis

Levei e agora volto com uma baita dor na minha coluna .
Vai entender , fiz um gesto simples para a vizinha , que além
De jovem é bonita . Isso me atrai um bocado , mas não tem
Como esconder minha cabeça meio calva , com poucos
Cabelos numa tonalidade branca

Cheguei e vou tomar um banho . Não gosto de sentir a roupa
Grudada ao corpo . Como a água estava boa , agora irei comer
Alguma coisa na cozinha . E vou ficar em casa , minhas costas
Estão me incomodando.

E apesar disso , tem uma moça . Que já faz um tempo , é minha fã
Número um . Sempre converso com ela , faço charminho , fico
Um tempo sem aparecer . E quando volto , faço como o cachorro que
Caiu da mudança . Se ela falar rola eu rolo , deitar eu deito ,
Latir eu falo . E se ela quiser , até abano o rabinho

Sei que você vai pensar? Onde está meu amor próprio . Te respondo :
Em algum lugar . Não se preocupe , depois eu volto a ser o homem
Que realmente sou , aquele que ela não conhece . Ela é uma mulher
De meia idade com alma antiga , vocabulário antigo . E eu sou um
Velho com alma velha , vocabulário centenário do século passado ,
E astúcia de uma raposa .

Pois , de uns tempos para cá , apareceu um rapaz querendo bagunçar
O meu coreto . Depois de tudo ; vivendo como se chama?
Numa deliciosa friendzone com ela . Não me importo em receber migalhas .
Tem uma coisa que sempre me incomodou , sou doido para conhecê-la
Pessoalmente . Mas , ela sempre desconversa . Diz que é uma mulher
Muito atarefada e anda sem tempo até para ela

Como disse , ela larga as migalhas e eu vou atrás . Então , eu continuo
Tentando e ela por sua vez continua me evitando . E aos poucos vou
Trazendo-a para o meu lado . Porém , o grande entrave que vejo , e questão
Primordial . Sou um velho . Querendo uma moça sendo velho no falar ,
Escrever e até em me expressar .

Isso tudo não é importante . Pois , ela gosta . Gosta tanto que me domina .
E eu como um servo , realizo todos seus caprichos . E vou recitar um
Verso sem sentido nenhum , que ela finge entender .
Assim me prendendo num jogo sem eu perceber :

O vovô garoto e a Cronista

Bebo de forma equitativa
Cada conto de sensualidade
Que envolto na fantasia esbelta
Dos seus lábios cálidos
Que embriagado teimo desfrutar

Do calor vago da melodia
A sua árida e envolvente sedução
Fixa sua luxuriante lamúria
Energicamente , sou devoto da energia
Que rejuvenesço aliviado

No pensamento daquilo que desejo
Escondo a escuridão vibrante
O encantamento brota e tento controlar
A linguagem daquilo que demora

Transparente e descontente pelo tesouro
Ofertado , reflete minha solidão e pequenez
O seu olhar só mostra o meu eu decadente ,
Refletindo o contexto no pretexto

Me conduz gradativamente para ausência
Experimentada e fico esperançoso
No encalço , no rastro , das suas pegadas
Que me ferem e me faz capacho do desejo .

Quando digo nada com coisa nenhuma . E cito um ou dois autores
Conhecidos e um punhado que ela desconhece , parecendo um
Diplomata do Itamaraty . No fim das contas engano e
Sou enganado por ela

E vamos dançando essa valsa infinita . Eu querendo terminar
A dança e levá-la para minha cama . E ela me enrolando até o
Fim dos tempos . Pois , ela sabe que não irei demorar
Para virar o cabo da boa esperança .


                                          Autor: Everton Alves.



sábado, 29 de setembro de 2018

Quem é esse tal de Renato?

Quem é esse tal de Renato? 


A vi ontem de noite , de dentro do meu ônibus , todos viram , 
O ar , as nuvens do céu , o céu , as gotas de chuva , o frio , 
Suas roupas , as mulheres , as moças , a calçada , os carros , 
As motos , o segurança , a grama , a marquise , a dúvida de todos : 
Quem é esse tal de Renato?

Vi essa moça algumas vezes . Além da beleza , o que chama 
Minha atenção é a sua educação , atendendo os estudantes 
Atrás do balcão - se não estivesse apaixonado , quem sabe? - 
Ela sempre com um sorriso no rosto , ao menos é como me 
Lembro dela , já faz um tempo que não frequento a cantina , 
Pelo preços extorsivos praticados por lá

Ontem , ela era apenas mais uma moça , esperando sua condução 
Para ir para casa . Depois de um dia estressante de trabalho . 
Estava lá , entre tantas e tantas outras moças , de várias faixas 
Etárias e cada uma com seus temores

Naquele espaço de tempo a cidade era ela . A cidade se virou para ela . 
E a viu chorar copiosamente em público sem ressalvas , de peito aberto . 
Deixando o sentimento escorrer pelos seus olhos , borrando todo o rímel 
E sua maquiagem . Descendo pela face , encharcando o coração de todos 
Com sua dor , que a peguei pra mim também . Já não era uma moça em 
Prantos , era uma multidão ao seu entorno com o coração ferido , apertado . 
E uma dor doida que nem a gente sabe ao certo porque a sente . 
Nesse instante agoniante , queria estar junto dela

Quem é esse tal de Renato? 
Que você falava ao telefone aos prantos , que tipo de homem 
- se é que pode dizer que ele seja um , pelo menos na atitude por ele tomada - 
Termina com a sua companheira por telefone , que ato de maior covardia .

E ela chorava e eu chorava com ela . 
Se revoltava com a situação e eu também . 
Perdia o controle dos seus gestos e eu idem . 
E encheu a noite fria de uma tristeza ,
Que corta o coração de qualquer um , 
Que presenciou aquela lamentável cena

Quem é esse tal de Renato? 
Não sei . Não quero saber - quero saber sim , na realidade - 
Ela nunca me disse . Sempre mudou de assunto . 
Talvez por achar que não é importante - realmente ele não é - 
Mas queria saber ; quem é esse tal de Renato?

Que transformou sua noite ; moça que não sei o nome , numa das piores noites . 
Como gostaria que o seu telefone estivesse no fim da carga , ou sem carga . 
Ou que você tivesse o esquecido em casa . Ou que você tivesse o perdido . 
E não precisasse passar por isso numa noite fria , sozinha , com sua dor 
Compartilhada e sentida por todos ao seu redor

Queria sair daquele ônibus . Te abraçar . Pegar o seu telefone 
Da sua mão e desligar na cara dele . E te consolar . Oferecer o meu 
Silêncio de um desconhecido , que se compadece pela sua dor . 
E a levar pra casa . Amenizando sua dor com a minha dor . 
Agora vejo , verdadeiramente . Que nunca ninguém me amou , 
tão belissimamente como essa moça ; que desconheço .


                                          Autor: Everton Alves.


Borrowed Time

Borrowed Time 

Curta Metragem
(2015, Andrews Coats e Lou Hamou-Lhadj)


Orquídea

Orquídea 


Não é pelas desconfianças , por causa que ficou
Um pouco mais tarde no trabalho . E resolveu
Por conta própria sem avisar a parceira ,
Passar na padaria e comprar o leite , o café .
- e uma pequena confusão - , quando passar
Pela soleira da porta da sala de sua casa

Não é a pressa de chegar num compromisso
Agendado previamente , com look montado ,
Várias horas no salão de cabeleireiro arrumando
O cabelo , fazendo aquela make apenas para ficar
Glamourosa para si própria e o seu par

Não é pela retribuição do rapaz que se arruma
Em dez minutos , toma um banho de gato , coloca
A bermuda e o chinelo , sem esquecer a camisa
Que é o nosso coringa . E talvez um boné na cabeça .
Se assim fazer seu estilo , num restaurante chique ,
Requintado . Com os outros homens de esporte fino

Não é pela espera da chegada da viagem ,
Descendo no aeroporto com aquele estresse
De fazer checking na descida , procurar sua mala
Na esteira e rezando que sua mala não tenha se
Extraviado durante seu retorno

Não é pelo seu companheiro que ficou perdido
No meio do trânsito caótico de meio dia
- mas , você falou : sai mais cedo - E o sabido ,
Dono da sapiência ; resolve seus problemas
Causando mais problemas . Tudo por não ouvir .
Difícil compreender esse bicho homem

Não é pela louça em cima da pia , que me habituei
A lavar . Mesmo falando aos quatro ventos sobre
Igualdade nas relações . Sempre falo . Mas , parece
Que estou me referindo a outro

Não é porque deixa a roupa úmida em cima da cama ,
E a obrigação de lavar , cozinhar , cuidar e passar sua roupa
- vai , que minha sogra te vê todo amarrotado -
Irá pensar ; que não consigo cuida do seu menino .
Que situação desagradável . Mas , o faço com um
sorriso no rosto e esperança na mudança dele

Não é pelo leite quente , com chocolate milagroso
Que cura todos os males , desde espinhela caída , à resfriados
- que alimento curioso esse ; que substitui os fármacos das drogarias -

Não é por entrar mudo e sair calado . E dizer : para
Que mudar se está bom como está . E não segurar
Minha mão ao andar na rua ou em qualquer lugar ,
Ficar andando na minha frente e tendo de segui-lo atrás .
- que bela definição de casal , que não andam lado a lado -

Aquela frase , que vem na memória que odeio tanto :
" Atrás de todo homem , a uma grande mulher "
- existe sim uma grande mulher , porém um pouco
Frustrada com certas atitudes do seu cônjuge -

Não é pelas contas atrasadas de água , luz , aluguel .
Por  uma viagem que estava planejando em fazer juntos
Mas , por causa dele já ter gozado férias , ter que adiar
Para o próximo ano . E talvez pelos percalços da vida , o
Amor não dure até o virar da folhinha do imã da geladeira

Não é pelas datas comemorativas , aniversários , natais ,
Dia dos namorados . Que por vários imprevistos não puderam
Passar juntos . E as cobranças , brigas , desentendimentos , D. R .' s
- as famosas discussões de relacionamento - que  não sou fã .
Troco por 99 conversas , diálogos demorados , que devem
Contribuir de forma positiva , para uma relação saudável e
Prazerosa para ambos

Não é pelo o que aconteceu . E prevendo que tudo ou alguma
Coisinha que mencionei volte a se repetir , num possível futuro .
No cotidiano de um casal pode vir a se repetir . E nada nos
Prepara para aquilo que ainda não vivemos . O futuro é um
Tempo incerto ; com suas incertezas . Apesar disso , quero
Tentar ser mais feliz do que já sou , num momento no tempo
Vindouro , ao seu lado .


                                          Autor: Everton Alves.


terça-feira, 25 de setembro de 2018

A Ilusão da Cinderela

A Ilusão da Cinderela 


Perdi o controle da direção numa curva
E cai na ribanceira . Fui arremessado do
Carro e morri no local . E hoje olho para trás
E vejo o que me levou a esse desfecho

Foi num fim de tarde . Aconteceu entre duas cidades .
Uma viagem de reconciliação . Eu e minha
Companheira seguíamos sentido a nossa cidade
Era um clima de paz e uma tranquilidade que
A muito tempo não sentia

E tudo . Desde o inicio . Começou comigo
Quando te vi entre amigos numa festa junina
Na cidade vizinha , foi atração a primeira vista

E seu olhar encostou nas margens da minha praia.
Nesse momento chocou-se contra o meu querer , e
Sem saber fomos conviver como casal de
Namorados , amigados , casados

Uma lembrança passa pela minha cabeça .
Uma imagem me mostra que fui socorrido
Com vida , mas não resisti aos ferimentos e morri .
O carona pouco sofreu , além do susto e de
Uns ossos quebrados e um coração magoado , partido

Vejo e ninguém me vê . Ou , não desconfiam da minha
Presença entre eles . Identifico o local do ocorrido
Como sendo , a cerca de arame que arrebentei e
Parei dentro de uma propriedade onde existe uma
Ponte de madeira antiga , que separa ou uni as duas cidades

Por algum motivo não conseguem identificar
O motivo da saída de pista . E a causa das marcas
De pneus na estrada , com uma freada bem marcada
E mesmo não havendo indícios de consumo de álcool
No interior do carro , constatado após a verificação dos sinais .

E a razão levo para sempre além da vida , uma fraqueza minha .
Trai sem a menor vontade de prejudicar minha parceira ,
Mesmo amando-a e sabendo que um deslize causaria sofrimento.
Acabei sucumbido a tentação . Tinha que provar para mim mesmo
Que era importante , desejado e amado .

Na verdade , por covardia e falta de coragem para terminar
Uma relação . Criei uma situação desconfortável para acabar
Com o relacionamento . E de forma improvável ; ela me perdoou .
E depois de tudo ; brinquei com seu amor e pisei em falso
Algumas vezes . E mesmo assim ; ela me perdoou .

E agora ela está no hospital , sem saber talvez que
Não me encontrará mais . E por incrível que pareça
Saio da sua vida com uma certeza , fugi das minhas
Responsabilidades e me perdi quando
Fui buscar a falsa liberdade

E não aceitei a pessoa maravilhosa que estava comigo .
E por isso saio de cena , sem os aplausos da platéia , e
Sem o beijo carregado de ternura e compreensão , de Ana .
Que me via além das minhas cenas e imperfeição .

                                       
                                          Autor: Everton Alves.


quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A Deusa Sem Nome

A Deusa Sem Nome 


Noite agradável com um vento que faz um
Redemoinho . Trazendo uma sensação de alívio .
Nesse emaranhado de dúvidas que fui lançado .
Tantas e tantas pessoas transitando nessa calçada
E no meio desses transeuntes apressados , nenhuma flor
Destoa da multidão

É meu primeiro dia . E vou me perdendo no labirinto
Do minotauro , que ela me deixou . Procuro uma saída
Do olhar frio lançado sobre mim . E sou deixado sozinho .
E a bela deusa do amor , se regozija com a minha dor .
Vou seguindo meus instintos , caindo , sangrando , procurando
Ficar vivo . Nesse local ermo , que minha paixão me deixou

Encontro uma fonte com água limpa . E refletida , a imagem
De uma moça sentada de pernas cruzadas de estatura baixa .
Cabelo preto . Tão preto , como as traiçoeiras Oiran .
Que te levam para a perdição , com uma conversa fácil e
Falsidade em suas mãos . Com um sorriso bonito e intrigante

A visão daquilo que procuro me atordoa . Como tivesse
Levado um não num flerte . Como dói ser traído por frases
De alegria , desejo na chegada e entusiasmo na partida .
Como somos tolos em deixar que a flecha do cupido nos
Acerte e nos tire do caminho da razão , da sensatez

Depois de três semanas de sofrimento , encontro um
Senhor que tem uma adoração sem igual pela deusa .
Ele estava regando um jardim seco sem uma Hortênsia ,
Capim limão ou Gengibre . Ficou cego pela beleza e
Incertezas lançadas por ela . Que se alimenta das tristezas
Dos homens em possui-la e nunca a tê-la

E cansado de tanto andar e chegar a lugar nenhum
Me ponho a chorar , um choro miúdo , que escorre
Lentamente pela face madura que já passou dos
30 anos. Já faz um tempinho . E sua dor é sentida
Em todo labirinto em que foi deixado só

A esperança que saltava de seus olhos , antes de
Sua prisão afetiva , da enganação de uma promessa
Que nunca se concretizou , nas várias cartas jogadas ao mar .
Como pode uma deusa tão bela se alimentar da tristeza ,
Aflição , dor do homem que lhe jurou que a amaria no
Poente e no nascer do sol . E de noitinha seriam únicos

E seus olhos distraídos avistam um homem moreno
Mais ou menos de sua idade , gritando do alto do penhasco .
Para chamar a atenção da divindade . Já vi o velho algumas
Vezes nas andanças desse labirinto , que aparentemente
Não encontro o seu fim

Porém , os seus dizeres que creio que fez a deusa o ouvir
Foram mais ou menos assim . Sou aquele que anda pelo mundo ,
Da pérsia , da Grécia , da Micronésia , da Philadelphia ,
Da Seychelles , de todo lugar . Como se a deusa se
Importasse com nós mortais

A deusa brinca com nossos sentimentos , e faz-nos cair
Aos seus pés . Cansados de brigarmos por ela . A raiva é alimentada .
Produzimos inimizades . Enquanto ela observa a cidade em
Chamas do alto de sua casa , que ultrapassa as nuvens ,
Para não ser alcançada . Mas o desejo tem que existir e
Assim a discórdia . E de vez em quando , ela abre as nuvens .
E dá o ar de sua graça

E hoje . Eu , o ancião e o rapaz que regula com minha idade .
Já começamos a nos sentir libertos . Vislumbramos aos poucos
As belezas do céu , dos animais e das pessoas a nossa volta .
Sentimos a brisa sobre a nossa pele . E a sensação única de
Se andar sobre a grama

Nos alegramos pela chuva e admiramos o vaga-lume que
Pisca abrilhantando o fim da tarde . Estamos felizes em
Conhecer as moças que estão em todos os lugares .
E a imagem da deusa começa a sumir de suas memórias .
O definhar aguardado ... dessa dolorosa história .


                                          Autor: Everton Alves.


domingo, 16 de setembro de 2018

A Cobra-Verde e o Sabiá

A Cobra-Verde e o Sabiá 


Mais uma noite fria , mais uma noite
Tentando me aquecer dentro do meu casaco
Mais uma noite fria que na fria lataria

Minha solidão grita . Bem baixinho , tão baixinho
Que nem ouço ás vezes . Mas , ela está lá me fazendo
Companhia , continua frio e minha calça jeans
Não me esquenta , só me faz querer um cobertor
Sobre mim nessa poltrona dentro da minha condução

Subo o morro e cada vez que dou um passo
O frio entra sem cerimonias pela minha pele e
Meus pulmões sentem o ar frio entrar e um
Pouco de calor sair

Ando , sabendo que dentro de poucos minutos
Protegido das intempéries estarei . Sentado numa
Cadeira ouvindo palavras de sabedoria , escrevo o
Que dar para absorver . E o vento frio que entra
Pela janela , machuca muito esse meu viver

E quando menos espero já estou olhando
Para a abertura . E o que vejo lá fora? Nada acontece .
Só algumas gotículas caem dispersas entre os
Alunxs , que procuram abrigo debaixo das
Marquises dos prédios

Sinto-me muito só nesses recortes de tempo
E começa a chover . Uma precipitação grossa e
O frio parece que piora , saio um pouco . Vou na
Cantina ver se encontro algo quente para beber

E peço um café feito naquelas máquinas .
Café ruim , sem graça , pelo menos me aquece
Um pouco . E penso na minha flor . E isso me
Dói muito ; mesmo não falando de amor

Será que não quer meus abraços nessa noite?
Ou o calor das cobertas na sua cama , já aplacam sua dor?
O frio também não te invade sem pedir permissão?
Por que sofremos assim?

A minha estada em cima do morro chega ao fim
E volto para o frio do meu ônibus . Nem o ar condicionado
Entende , como um ser pode se sentir tão frio
No meio de tanta gente

E fecho meus olhos e quando acordo já estou
Chegando na minha cidade . E aqui a chuva está
Caindo com vontade . Salto , abro meu guarda chuva

E subo a viela das flores brancas . Compreendo que o amor e
A dor andam de mãos dadas . São velhas conhecidas desse oceano .
Que hoje . Só hoje ; não as quero voltando para casa ao meu lado .


                                          Autor: Everton Alves.


quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A Caravana Já Passou ...

A Caravana Já Passou ... 


Nunca entendi ao certo , qual a vantagem
De amar alguém e suprimir o sentimento que
Floresce pela face , no singelo momento de
Um olhar , de um falar , de um respirar

Apenas estar no mesmo ambiente da outra pessoa
Já acalentava qualquer reviravoltas que poderiam
Vir a pulsar de forma descontrolada na sua mente
Nunca entendi o caminho escolhido e seguido
Pelo Lucas um amigo meu

Já tem uns meses que seu coração bate acelerado
Por uma moça pequena , acho que se chama Úrsula
A mulher que ele quer ter por perto

Porém , aconteceu uma fato que o deixou desassossegado
Um rapaz acompanhando-a na saída da cafeteria . E ela entrou
No carro do jovem homem , alto , de casaco preto . Que ele
Nunca viu , nem de longe e nem tão perto da sua estrela .
Que brilha só pra ele - como soa mesquinho - mas , era assim
Que se referia a ela . E isso o prendia numa cela sem chave
Sem janela , sem perspectiva de liberdade

E depois disso que ele me confidenciou , mudou um pouco
Seu humor . Ficou mais sério do que de costume , e as palavras
Entoadas pela sua voz grave de um rapaz na puberdade
Foram recolhidas . E só respondia o necessário

Eles moravam no mesmo bairro . Ele na rua da igreja de
São expedito e ela na viela das flores brancas . Onde dizem
Que uma moça esperou o retorno do seu bem e suas lágrimas
Formaram um pequeno jardim de acácias

- É assim que os moradores mais antigos contam -
Ou são flores dália , não sei , não entendo de rosas
Que causam o desamor apenas em serem olhadas

Desceram do trem como toda noite faziam , e ele pela
Primeira vez não a acompanhou . Ficou parado vendo
A vida se movimentar ao seu redor

Ela atravessando a rua , sem olhar para trás . E não percebeu
Que o cara que sempre esteve com ela durante tanto tempo
Já não fazia companhia na rua irregular de pedra
- A noite nunca pareceu tão fria, e silenciosa -

Nem o silêncio dele , fazia algazarra naquela avenida comprida
Perguntei , você não se declarou para ela ?
Não falou dos seus sentimentos , do que sentia ?
Se fosse eu faria - faria nada - mas , dei o conselho que
É passado pra frente , desde o ventre das soluções

Não falei com Úrsula ; pois nada mudaria a direção do
Seu olhar na altura de sua vida , não sentiria a minha pele
Trêmula em não fazer absolutamente nada
Não ficaria corada pela minha chegada

Deixei ela ir só . E segui o meu caminho só . Numa solidão
Angustiante , de quem sem saber nadar , não olha para o mar .
Com um medo profundo de se afogar . Sem nunca ; uma onda o tocar .


                                          Autor: Everton Alves.



terça-feira, 11 de setembro de 2018

A Erva Daninha e as Andorinhas

A Erva Daninha e as Andorinhas 



Fico feliz pelo amor apresentado , pela defesa
Arraigada de um réu que não cometeu crime no
Código civil nenhum . A única transgressão que
Ele próprio assume a culpa e se julga culpado , é
Amar imensamente a mulher a qual é acusado

Não nega o ocorrido e faz sua própria defesa
Para o velho juiz , que cuida da vida alheia e
Que almeja encantar a bela flor desmoralizando
De todas as formas o seu amor

E começo a falar . Quero dizer escrever . E em
Poucas linhas escritas , resumo o que não precisava
Ser dito aos olhos julgadores de um magistrado
Que quer a todo custo , nem que seja um olhar
Complacente da minha advogada amada

E quando escrevia , o velho a olhava desejando-a
De tal forma que usava com maestria todos
Os artigos das leis conhecidas e se dirigia a ela
Com um ar culto , de um aristocrata pseudo
Entendedor do mundo invisível do amor

Que se julga tanto conhecedor . E comecei
Dizendo : Que desde que o momento que a vi
Senti uma vontade enorme de tê-la para mim
E esse sentimento não se esvaziou com o tempo
Todavia , estamos separados pelo pêndulo imaginário
Que rege o tempo contido nos dias

E hoje ; nos amamos muito . Por delicadeza e afinco .
Estamos juntos contra abutres oportunistas . E o mundo .
Que não sabe a verdade pelo qual ficamos unidos

O Juiz é Livro empoeirado da última fileira da biblioteca
Que ninguém lê se não for indicado , que as mulheres
Mais jovens passam os olhos sobre ele e percebem o
Seu jeito antiquado , com suas frases rebuscadas e seu
Prefácio com palavras bem montadas e conectadas com
Um português polido , que não enchem os corações
Das moças nessa pós-modernidade

Cof ! Cof ! perdoe-me meritíssimo em referir a vós
Numa sutileza de detalhes . O seu verdadeiro eu escondido .
Por baixo desse personagem de bom velhinho , que faz
Juízo de valor das vidas , que desconhece . E por uma razão
De caráter humano , social e divina . Não é da sua conta opinar

Vossa excelência vai me perdoando aos poucos , por mais
Um atrevimento meu . Vossa senhoria que datilografou e
Escreveu 14 cartas para diversas pessoas e congregações :
Timóteo , Hebreus , Gálatas , Romanos entre outras , não
Consegue escrever um simples parágrafo que balance
O coração da mulher que tanto almeja

Mas saliento , que ela se enraizou por consenso no meu
Pedacinho de chão . Que tratamos com tanto esmero .
Sem ter o que dizer ou fazer suspendeu a sessão até
Uma próxima audiência

E continuará perto dos amantes , esperando qualquer
Deslize meu . Feito lobo em pele de cordeiro .
Esperando sorrateiro ; para dar o bote certeiro .


                                          Autor: Everton Alves.


domingo, 9 de setembro de 2018

A Carta Que Não Enviei

A Carta Que Não Enviei 



Numa tarde fui até a cidade do meu bem
Andei pelas vias da cidade mineira e de
Um ar britânica. E fui direto para o meu destino
Não para os braços de alguém, como seria bom supor

Nas ruas entardecidas pelo vento frio do
Inverno que brincalhão traz arrepio, levanta cabelos
E roupas por onde adentra, e esfria a paisagem
Com a sensação característica de uma friagem

Com cara e alma de um outono que veio
Tomar uma xícara de chá e resolveu prolongar
Sua estadia por mais um tempo, essa intuição
Trazida pelas estações, me faz sentir mais
Aconchegado na terra que pertence aos Juiz-foranos

A vizinha da rua direita e do meu amor que
Por uma vez ou outra pensa estar em Ibitipoca ou
Itacoatiara tomando aquele banho de sol e bebendo
Aquela água de côco refrescante, debaixo do guarda sol

E bem longe de onde se reconhece como parte
De um todo e se desconhece quando faz parte dele
Essas cidades que não nos definem. E num pensamento
Leve da liberdade que vai voando. Como aquele passarinho
No fio de alta tensão na rua abaixo de sua casa

Encontrei o local a qual indiretamente me chamou
Para chegar e me alojar nas muitas poltronas
Disponíveis no saguão de entrada

Para que ter elevador e escada rolante para
Um lance simples de escada? nesse Hotel Victory Trade

Pisei pela primeira vez e agora espero ansioso
Para o começo do evento e sem lamento aguardo
Parado e aliviado pelo trajeto no meu tênis bem
Bem amarelo ouro saudade

E volta e meia te vejo em cada mulher que
Transita no salão marfim, mesmo que meu
Pouso seja por um curto período de tempo

Sou o homem que deixa pedras não lapidadas na estrada
Para nunca esquecer do começo da jornada e no recomeço
Em algum lugar dessa cidade estrelada

Pelas pessoas que se amam em silêncio e
Sonham no reencontro com seu par na manhã
No seu lar. Na volta pra casa e no mar da sua cama.


                                          Autor: Everton Alves.


sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Só Você Não Vê

Só Você Não Vê 



Quem é esse, que adentrou na sua vida?
E está te afastando gradativamente do som da minha voz
Da doçura da minha escrita apaixonada, e de nossas
Trocas de olhares, que confortam as nossas almas cansadas

Me deixa sentir que ainda é minha. Pois, sabe que sou ainda seu
Então, não deixe o barco afundar sob nossos pés bailarinos
Dançando no chão da cozinha, da sala, na varanda da sua casa

Me deixa lembrar de você Amanda. Sentir o tempo passando
Lentamente no momento que te vi. Deixa a prece que fiz
Guardada na minha alma para você. Que seria por mim tão amada

Deixa o seu aroma permanecer nas minhas narinas, no corpo
Sob a minha pele que nunca tiveram o prazer de te tocar
Deixa minha mão grossa de tanto trabalhar nos percalços
De uma vida, alisar os seus cabelos dourados e caírem suavemente
Pela sua nuca massageando-a carinhosamente e desaguando
Sobre sua pele macia da sua cintura

Deixa me lembrar das brigas no meio da rua, dos dessentimentos
Sobre a sua cama e a torturante saudade que ainda não teve de mim
Das nuvens que passam sobre ti. A lua que revela a nossa covardia
Do sol que ilumina tudo o que toca, menos as nossas sombras de
Um passado nosso, que carregamos como uma muleta para o futuro

E encobre os sentimentos dos dias presentes, como é triste amar
E não deixar o homem que te ama saber. E deixá-lo caminhar
Entre devaneios, deixá-lo cair, deixá-lo perdido

E você segurando esse mar de amores. Transbordando pelos seus
Olhos marejados, feito lágrimas ou chuva fina durante a chegada
De uma frente fria. Querer eclipsar o incêndio que virou o seu coração

Em qualquer lugar que esteja olhando para o nada. Ou por distração
Se pega pensando em mim. E começa a entender o amor sincero que
Nos dedicamos mutuamente. Durante esse tempo de convivência na
Morada mais bonita, de uma coragem preguiçosa e paixão ardente.


                                          Autor: Everton Alves.


domingo, 2 de setembro de 2018

Um Adeus Difícil do Amor

Um Adeus Difícil do Amor 


Hoje acordei com dor de cabeça
Por não acreditar que até hoje o
Meu amor não me entenda

Todo o meu zelo pela linda flor
Que tanto faço por merecer e sempre
A rego com o melhor que tenho e
Mesmo assim parece que não
A mereço. E isso me chateia imenso

Como pode supor que não te ame?
Que não te quero muito?
Que quero tê-la ao meu lado?
Será que é excesso de amor, da minha parte?

Se assim for, paro por aqui e vou
Viajar pra bem longe. Quem sabe
Assim você possa perceber o
Quanto amo você. Irei caminhando

E daqui a 1 mês voltamos a nos falar
Quer dizer:  eu voltarei a te falar
Na verdade só eu que falo e
Procuro o minimo de diálogo

Mesmo falando ao vento, não deixo
Nada que me incomoda para trás
Na beira da estrada florida

Queria aprender amar igual a
Você. Pelos silêncios e comodidade
Do outro lado do choro, da escrita

E assim sem um verso pronto
Me despeço e espero que saia
De onde está. E me procure também
Ninguém sabe sobre nós

E você parece que desconhecesse
A gente. Depois de  tanto tempo
Insistindo nessa toada

Falando sério: até amanhã; minha
Futura namorada. Que suas duvidas e
Seus medos não impeçam de procurar
O homem que te ama e que moveria
Montanhas para te encontrar.


                                          Autor: Everton Alves.