quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Uma Carta Para Joanna

Uma Carta Para Joanna


Sentado na areia sob um colchão de nuvens
Sentindo a brisa marítima e seu gosto de sal
Ouço o som característico das marés e o seu movimento

Se formam em águas tranquilas e
aos poucos vão ganhando altura e força
E se aproximam lentamente da costa

Chegando na forma de uma onda,
que suga as areias da praia para o mar
Mas só um pouquinho de cada vez,
cada onda tem o direito de levar seu pedacinho de areia

A onda carrega sua parte e
devolve das suas entranhas outras areias,
que estavam perdidas no fundo
Para sentirem o mundo a sua volta,
mesmo que seja por uma fração de tempo

Até surgir outra onda e
levá-las para o fundo do mar
O tempo começa a melhorar e
as cortinas do céu começam a se abrir
E o sol de forma tímida começa a raiar

Tudo fica com um visual espetacular,
começa a chegar a platéia para admirar e
se banhar nas suas águas

Faço uma breve reflexão:
Que as pessoas são como as ondas

Chegam na sua vida
e trazem inúmeras coisas consigo, pequenas, médias, grandes
E invisíveis a olho nu, mas você sabe que trouxeram algo,
que não precisa de comprovação para se sentir

E levam consigo parte de nossas vidas
Então, a vida nada mais é que um grande oceano
Que precisa quebrar em algum lugar, gerando movimento
e deixando um pouco de si nas margens tocadas

Durante o decorrer de nossa vivência,
somos colocados como água e terra
No mesmo recipiente, pois precisamos fazer esse intercâmbio
dentro de cada um de nós

Para poder enxergar o sistema água e terra do outro
E compreender que de vez em quando, estamos nublados,
ensolarados, com raios tímidos entre nossas nuvens,
o mar está tranquilo, o mar está revolto
ou tudo vira uma enorme tempestade e tsunami

Mas tudo passa, sempre passa
E na maioria do tempo, você se senta e contempla
A visão linda e incerta da nossa existência.

                                          Autor: Everton Alves.


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Linda e Geniosa

Linda e Geniosa 



Estou triste porque "A" não me dá notícias
Mas a vida tem dessas coisas
Não se pode querer ter sempre a atenção
de sua musa inspiradora de versos, poemas, canções

Melhor deixar como está
Talvez seja mais fácil pensar
Que em outros braços está a repousar

E o baile segue e vou bailando conforme a música 🎵
Fui a uma cidade vizinha, a maior delas
Para comprar um livro numa loja
Naquele centro de comércio chamado shopping

Andando pela rua à procura de meu destino
Que se encontra em cima de um morro
Feito nave espacial, pousado no seu espaço porto

Ao longe o vejo, passo numa rua comprida
Que vai dar no local onde se ensina
Ao cidadão virar mestre, doutor, formador de opinião

Cansado chego bem lá no alto, num calor castigante
Entro e vou a procurar a lojinha onde o livro se encontra
Pelo corredor climatizado de ar condicionado

Entre lojas de roupas, calçados, acessórios, jóias, relógios,
praça de alimentação e um circular incensante de desconhecidos
Esbarro sem querer o meu pé no de uma moça

Não dá pra acreditar "N" veio de Goiânia,
pra passar férias naquela cidade
A convidei para lanchar ou beber algo como um café

Botamos a conversa em dia e diz do mestrado,
que esse ano se Deus quiser vai terminar
Tenho boas lembranças,
do dia que conheci "N" e continua sendo a mesma mulher

Aquela morena que faz qualquer homem,
torcer o pescoço quando ela desfila pela calçada
Não importa quem seja,
aquele que se encontra "ficando", namorando, casado

Mulher com cara de brava, só a cara
Pois tem um coração enorme
e pelos que a conhecem bem, muito estimada e admirada

Entardece e me despeço
Ela segue pro cinema na companhia de uma amiga
Que fui apresentado, mas não guardei o nome
Encantado pela beleza sem par de "N"

Como pode alguém que não vejo,
a tanto tempo balançar esse coração
Que não recebe a devida atenção

Pego o livro e volto pra minha terra
Com o coração partido, sigo vivendo sem saber
se "A" encontrou alguém pra conviver.
                                                             
                                          Autor: Everton Alves.


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Determinada e Adorável

Determinada e Adorável 



Numa viagem interestadual conheci a luz mais brilhante,
a alegria contagiante e a companhia mais charmosa daquele dia
Como de costume compro um bilhete
Entro no ônibus, que te leva para o lugar que escolheu

Entrei e sentei na última fileira, coloquei minha mala de mão
Embaixo do banco entre as minhas pernas
E a mochila no meu lado, em outra poltrona

Depois de ter passado 1 hora de viagem,
ouço uma voz comparada com a de um anjo, no caso uma anja
Daquelas que tocam harpa nos afrescos das igrejas

Ela na minha frente
Inclinei-me sutilmente e vi,
sobre seus cabelos pretos, impregnados com a escuridão noturna,
mas sem as estrelas que foram atraídas
Pelo encanto magnético daquele sorriso lindo
Ah! Que sorriso...

No inicio da manhã, na estrada num frio congelante,
e vidros embasados pelas várias respirações
"M" delicada e tímida, pediu um agasalho
E recebeu um casaco de uma vizinha

Fui pego como um beija flor,
com a ilusão deslumbrante de um girassol
Pintado num quadro na parede,
pois as flores reais não se encontram tão livres na paisagem
Que nem o meu amor por "A"

Como é doce seu beijo
Como é agradável a sua voz
Como é aconchegante o seu abraço
Como é bonito o nosso sentimento
Como é lindo sonhar contigo

E vivo esperando ansioso por tudo isso
Sentindo a sua presença a cada dia
Ah! Esse amor que sinto por "A"...

Fui buscar no céu o cobertor ideal,
carregado de arco íris e corações de alguns querubins
Para aquecê-la naquela viagem

Como não se apaixonar por "M"
Em que se quer pegar no colo e ninar
Um carinho imenso toma conta de mim,
naqueles breves instantes
E fico petrificado contemplando aquela visão

Chego ao destino e na saída olho pra trás
E vejo a miragem encantadora indo entre as pessoas
Para servir de guia, além das estradas, das cidades, das vielas,
dos prédios, dos morros que seguem até o firmamento

A estrela 🌟 da manhã
Tem um nome parecido com a flor dália
Porém toda vez que a vejo,
lembro de ti "M" e sinto sua luz

Que só tem significado, se tiver um nome dado
E aquela estrela à brilhar tem o seu nome
Iluminando o amanhecer
E dando esperanças, para esse confiante navegante.

                                          Autor: Everton Alves.


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Indecisa e Misteriosa

Indecisa e Misteriosa 



Numa praça de uma certa cidade
Conheci Luiza e percebi surpreso o seu pesar
Caindo lágrimas pela face feito chuva, chuvisco, enxurrada

Querendo levar embora o que não posso vê
Não quero vê, não devo vê
Se despedaçando ali na minha frente
Transbordando aquilo que é guardado lá dentro

Talvez o que seja mais importante
Naquele sutil e angustiante instante
E aos poucos começa a surgir
A visão do seu éden imaginado, amado, esperado

Luiza se apega as rosas que não existem mais
Ao jasmim que não libera seu perfume
Não sente mais seu aroma invadindo-a
A hortelã não leva à calma e
O bem-estar de espírito de antes

As pedras colocadas com todo amor, ternura, carinho
Para proteger o seu interior
Que a muito tempo não nasce uma simples flor

Do outro lado da calçada
Fico a te admirar Luiza e a sonhar com você naquele instante
A lembrança do zangão ainda te segue
E por descuido virou sua sombra, cegando, limitando o seu olhar

Mas não dá pra controlar o sabiá
Que de vez enquanto vem te visitar
Não dá pra engaiolar, criatura de alma livre
Como te disse aquele dia, caminhando ao luar

Então, o melhor é deixar livre
Sem saber se vai voltar, ficar, enraizar
No seu jardim, esse que você cultivou
Com todo o amor do mundo

É triste, mais uma vez vê
Ela delicadamente colocar seus joelhos
Calejados por inúmeras decepções no chão
E sem a menor explicação, se por a chorar

Pelo zangão, pelo sabiá e por si
Que não souberam enxergar, cuidar, perceber
O definhar corriqueiro do seu sonhar

Que as flores só nascem
Para quem quer de verdade
Regar, amar, confortar, entender, conviver, confiar
Vislumbrar o seu encanto

Dê valor ao seu maior bem Luiza
Que não é mostrado facilmente pra ninguém
E quando se revela, às vezes, é afligida por uma sombra
Que só quer ser sombra

Cuidado a quem possa mostrar
A imensidão das terras, dos céus, dos mares do seu coração.

                                          Autor: Everton Alves.


segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Duas Almas

Duas Almas



Como acreditar em certas coisas?
Que parecem não ser verdade!
Como acreditar que um avião possa voar
Pesando inúmeras toneladas

Como acreditar que um raio,
provavelmente não cai duas vezes no mesmo lugar
Se as descargas elétricas entre o solo e a nuvens,
são incontroláveis

Como acreditar que um povo
Vive indignado com seu atual governo e aceita,
as arbitrariedades de bom grado
Mudo, calado, manso

Como acreditar que palavras postas num blog,
possa alcançar quem queira
Se são frases confinadas em textos,
que não são levados pelos ventos

Como acreditar que um homem que gosta de uma mulher,
desde o tempo que estudaram juntos uma disciplina da universidade
Tenta alcança-la através de poesias,
poemas que tentam de alguma forma chegar a ela

Como acreditar que esse cara sempre a observava
nas aulas com sua agenda e seu celular,
sempre anotando algo compenetrada
Não ouvia sua voz, mas ouvia seus silêncios

Como acreditar que esse rapaz,
procurava se inteirar tudo da sua vida
Até averiguar com uma amiga dela
e descobrir que ela era uma escritora de crônicas

Como acreditar que antes do fim de uma aula,
quando ela saiu um pouco mais cedo
Ele saiu da sala e foi ao seu encontro
Só pra puxar papo, e pedir um livro seu

Da pra acreditar que os olhos dele
a seguiam desde o primeiro dia que a viu
Andando no corredor abaixo, com sua colega conversando

E no momento, ele pediu pra Deus
que aquela mulher fosse da mesma sala dele
Então, seu desejo foi atendido
E as duas subiram pro segundo andar, onde me encontrava sentado
E eu fiquei ali admirando e ela não percebeu e não percebe até hoje

Como acreditar?
Da pra acreditar?
É pra acreditar?

Só postei pra ela saber, se ainda não sabe
Sempre há alguém que gosta da gente
E por alguns motivos da vida ficamos cegos para o entorno

Se isso é bom ou ruim eu não sei
Mas fico na esperança de algum dia,
essas palavras chegarem a ela

E quem sabe?
Algum dia "A" também possa acreditar.

                                          Autor: Everton Alves.


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Idealista e Apaixonante

Idealista e Apaixonante



Minha vida ultimamente é uma rotina
Levanto, tomo café, vou trabalhar
Pego o ônibus, vou pra outra cidade estudar
Disciplinas, luar, chuva, frio, arrepio

Quis mudar aprender algo diferente
E por causa do falar de um país,
fui estudar durante um período
Primeiro dia poucos alunos,
desconhecidos, e pra variar não teve aula

Segundo dia conheço a professora mais bonita,
dentro dos muros que guardam o saber,
porém essa história ficará mais pra frente
E entre colegas e colegas surge um bater na porta
e adentra "J" linda como uma joia, atrás daqueles óculos

Voz mansa agradável ao ouvir,
mulher de estatura baixa, conjunto bonito
Cheia de dúvidas, com uma meta de visitar aquela terra
onde tem uma torre inclinada, comem massa e bebem vinho

Mulher esforçada e até invejada pelos seus pares de curso,
não liga pra isso e segue seu rumo olhando fixo pro futuro
Aulas depois, nos intervalos conversávamos sobre política,
pois ela gostava e entendia

Que mulher cheia de atitude no falar, comportar, estar
Passaram os meses e "J" foi viajar,
passar um tempo fora, lá nas terras de um tal tio Sam
Ficar 4 meses longe de suas raízes

E na despedida ficou a lembrança de "J"
A mulher que se quer ficar até o fim da festa, debaixo da chuva,
encarar o frio sem camisa com ventos cortantes,
mergulhar no mar sem saber nadar,
pular do avião de paraquedas mesmo tendo pavor de alturas

 Vê o inicio do dia, olhar o final da tarde,
curtir a noite, andar nas brasas da fogueira de São João,
ir onde você não gosta de ir

E ficar com um ar de satisfação na face,
se por algum motivo lá "J" estiver.

Que saudade que dá,
em não saber onde você está "J".
                                                       
                                         Autor: Everton Alves.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Centrada e Atraente

Centrada e Atraente



A noite chega mais uma vez
As mesmas pessoas passam por ti
A lua brilha no céu com suas faces costumeiras
O café comprado aguado e quente
As moças, as colegas, as professoras

Tudo igual
Outra noite igual, entra semana e sai semana,
as mesmas conversas trocadas, divididas
A mesma lição, aprendizado, apresentação

Pode até parecer que os dias são todos iguais,
mas na realidade não o são
Entre esses dias o destino ou o acaso, me trouxeram "I"
Uma mulher de parar o trânsito, quarteirão, multidão

Inteligente, muito bonita, comunicativa,
cheia de ideologias e mãe de um menino chamado Lukas, eu acho
Mulher de sorriso escondido, olhar sofrido, coração bonito, andar macio
Como não lembrar de seu tênis vermelho, rubro, carmim

Mesmo tendo mais idade, chamava a minha atenção,
digo na sinceridade
Pois é verdade

O mundo está ficando sem as abelhas
Por que está ficando sem flores?
E sem amores?
Mas, "I" foi um enorme prazer te conhecer e conviver

Mas como dito e repetido, meu coração está a um passo de "A"
Que não imagina que é amada, admirada, aguardada

Quando ouço a canção Pétala do Djavan,
flores brotam no meu caminho e penso em nós
"A" ouça e me veja, sinta a minha presença

Saiba que o meu deserto
vira oceano
quando penso em você "A".
                                         Autor: Everton Alves.


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Anoiteço em Ti

Anoiteço em Ti 


Hoje acordei de sobressalto atrasado pro trabalho
Tomei o café e saí pela rua um tanto atordoado, pela noite mal dormida
E pela visita rotineira da insônia na madrugada
Olho pela janela e vejo o breu da noite, sinto gotículas de água

Resquício do temporal que houve a tarde aqui na cidade
Raios, trovões, ventania
Um verdadeiro furacão na vida das pessoas,
mas entre mortos e feridos todos sobreviveram, uma ou outra casa danificada

Adormeço e acordo no meio da noite
Sonhei com duas letras "G" e "A", sonhos iguais dá pra acreditar
Como pode ser? Com pessoas diferentes com suas características únicas
Personalidade, idade, tons de cabelo

Entrei numa casa e encontro "G"
Com "G" vivia só as alegrias de uma relação amorosa com pitadas de ciúmes
Convivência boa nos entendíamos muito bem

Entro no apartamento encontro "A", porém estou noivo de  "A"
Durmo e acordo,
deixo "A" dormindo levanto faço café pro menino,
vou na rua compro coisas pro almoço.

Por volta das 11 horas ela acorda, almoço pronto!
chega visita e os dias vão caminhando assim
"A" tinha um menino chamado Francisco, de mais ou menos 12 anos,
 e vivíamos as alegrias da vida, mas com responsabilidade
 ela dividia sua vida e a gente criava o menino

Duas mulheres
Duas vidas distintas,
mas todas vividas com alegria, que trem bonito!

Pensamento bem estruturado, sensações quase reais como explicar?
Melhor deixar sem explicação!

Como um nome de uma criança que não existe,
pode ser gravado na mente desse jeito?
Acordo sozinho e percebo que os sonhos não tiveram fim,
parecem que continuam seguindo seus fluxos longe de mim

E agora penso,
que toda história tem um pingo de tinta bem singelo
ou uma luz bem tênue de vaga-lume na verdade.

                                           Autor: Everton Alves.


sábado, 13 de janeiro de 2018

Objetiva e Amorosa

Objetiva e Amorosa 



Entre todas a mais bela
Num local de ensino no 2° piso pude conviver por um período
com a mulher que me ensinou sobre certas coisas da vida
com seu sorriso, misterioso, lindo

E nos rolos dos filmes apresentados,
um mundo que não sabia que me encantaria
Produções longínquas feitas com o dinheiro contado,
mas com histórias e estórias mostradas de um jeito singelo, bonito, reflexivo

"H", já imaginou a Persona do curta Olmo e a Gaivota chegando em casa
tirando a Pele de Vênus e sentando no sofá pra vê Paris Is Burning na tv
Enquanto telefona pra Une Nouvelle Amie que conheceu em uma viagem
Talvez a Paris, Marselha, Lyon ou Toulouse quem sabe?

Sinto falta do seu sorriso, da sua gargalhada,
das suas falas com o seu (então),
seus silêncios e das nossas brigas
Das mensagens trocadas nas redes sociais,
das conversas sobre os filmes e dicas

Você lembra do vinho que tomamos aquela noite
Ou da dança naquele baile no fim de semana
A praia, a montanha, a estrada, a chuva, as flores,
a viagem, o jantar, o abraço, o choro, a despedida
E tudo que não fizemos, não vivemos "H"

A sociedade ensina que devemos suprimir os nossos sentimentos
Ai daquele que Curtir, Comentar, Falar, Ligar, demonstrar seus afetos
Relações chatas, sem graça, cinzentas

A gente se afasta e as coisas retornam aos seus devidos lugares,
como deve ser na verdade
Tudo some
a vivência, os sorrisos, os olhares
O tempo passa e o que ele leva?
Ele trás de volta ou é uma viagem de mão única? Quem irá saber?

Queria ser o homem que virou árvore
E vive marcado em você eternamente "H", na pele,
no corpo, no coração, no olhar, na mente

E penso, creio, acredito
que sempre há uma luz,
Sempre há.
Sempre.
                                          Autor: Everton Alves.


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Plena e Sozinha

Plena e Sozinha 



Me lancei ao mar já faz um bom tempo
E entre ondas e ondas vem a calmaria
Tudo fica calmo, tranquilo, quieto
Não penso mais nos medos,
que me lançaram a além mar e o destino da viagem

Porto após porto, ilha após ilha, toco após toco
Parei um pouco num porto, com mar revolto
E lembrei da mulher que encontrei, na baía dos amores naufragados
linda como a miragem sombria de uma sereia

Aquela que te hipnotiza com o olhar e o deixa cativo
Ela que chorava um rio de lágrimas
e enchia o lago oculto do seu coração

Queria chegar as estrelas, porém não o fazia
Queria entender o mundo e a si própria, porém não fazia
Queria amar de novo, porém criava abismos ao invés de pontes
Queria ter o poder de mandar em seu destino e nos daqueles em sua volta
Porém não fazia, não podia, não conseguiria, não sentia

E por uma decepção prendeu o pássaro sagrado,
que na sua morte virou cinza e no seu corpo virou vida
Na figura do conhecimento e sabedoria
Que talvez um dia o causador desse sofrer
Volte a viver consigo outra vez

Que pena que dá vê a sua insensatez
em querer dominar o destino de outro "G"
Porque você não consegue vê,
que aquilo que te trará paz no caminho e amor
Sou eu, o navegante errante que vai embora a beira do cais

Ao bel-prazer do vento e da maestria de um certo Poseidon
que brinca com a vida dos barqueiros, menino arteiro
Vou e "G" me olha ao longe, partindo indo ao horizonte

E sigo em frente perdido e ferido pelo arpão,
que saiu da delicadeza de suas mãos
E atravessou sem remorso esse capitão
Que seguia pelas estrelas,
enfrentava monstros e feras marinhas, tempestades, calmarias

E é guiado pela convicção, de retornar um dia
para os braços daquela que um dia fez parte de sua vida
E olha pro futuro firme e inocente com a esperança de se perder novamente

Nas terras chuvosas, confusas, revoltas do seu coração
que no centro guarda uma planta com um vaga-lume
preso na sua lembrança

No seu íntimo quer que essa árvore floresça pro passado,
presente ou quiçá pra mim no futuro,
pois é essa a sua esperança.

                                          Autor: Everton Alves.


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Ousada e Engraçada

Ousada e Engraçada 



Passeio distraído pela orla e de repente topo com "F"
que oferece o aconchego no seu  coração
mesmo fazendo bem pro corpo, mente e alma recuso a situação,
pois a paixão já se instalou por minha opção

Ela levada pela situação, propõe um aperto de mão
Ficando ao meu lado meio desajeitada, acanhada
na espera de um abraço apertado, fazendo o laço atado

Então, lembro daquela que faz as nuvens do meu céu estrelado
Que adentra nas terras longínquas
E inacessíveis do meu sonho, sonhado, de padaria

Que gosta de ruas desertas e poças d'água,
caminhos molhados, ilhados, sagrados
De mato depois da chuva, que deita no capim aveludado

Beleza que discretamente, inocente
Alegra os meus caminhos dormentes
E nos dias  que se sucedem, sigo seu rastro de luz
Que caem nos morros distantes, escondendo o tesouro
ocultado no perfume sutil do seu corpo deslumbrante

Fico rendido a "A" que irradia alegria, cativa, tranquiliza
Que tem a força contida na natureza, a leveza do ar,
a firmeza da terra, o dom de amar e ser amada

Ela que brilha no ritmo dançante, inebriante, inconstante da vida
oferece o aconchego do coração, sem pedir nada em troca
Que sente a energia transmitida através das palavras lidas, ouvidas, sentidas
nas linhas paralelas que não se encontram unidas

O que posso fazer é deixar estrelas colocadas na estrada
para que um dia sejam encontradas
pela flor por mim regada, acalentada, esperada.

                                          Autor: Everton Alves.



sábado, 6 de janeiro de 2018

Formosa e Curiosa

Formosa e Curiosa 



Chega uma hora que tudo fica cinzento,
nada permanece o mesmo e
não importa onde estou "E",
infelizmente meu amor por ti acabou

Eu não quero soar redundante, arrogante, errante
mas amores sempre vem e amores sempre vão
preciso de um tempo pra ficar sozinho
cada passo que dou trazem emoção

Vejo que as coisas já não são como eram antes
apenas uma coisa deveria saber,
talvez esteja levemente apaixonado por "G"
que entrou sem querer e permanece sem saber

Ela é linda, e sei que dificilmente serás minha
seguirei e pensarei em ti
a cada passo do caminho que aos poucos trilho
sinto o coração fluindo, indo, sorrindo

Desde que se foi fiz tudo que quis e
nada pode impedir a queda dessas lágrimas "E",
pois não sabia dizer o que sentia
nos momentos breves que fiz parte de sua vida

Todo mundo precisa de um tempo para se encontrar
as letras que já passaram em minha vida
aparecem pra mostrar o quão é triste não saber amar.

                                          Autor: Everton Alves.


Confiante e Teimosa


Confiante e Teimosa



Nos mares vou a admirar
Por alguém que não sei
Se quer ser meu par

Ando a procurar sem me cansar
Nas estradas tracejadas do luar
Vi a primeira vez num certo lugar
Mas não estava sozinha, que azar

O destino sempre a aprontar
O tempo passou e eu voei
E ela ficou, retornou pro seu morar
Aquele que não quero ir, se ela não estiver lá

Sozinho persisto em viver,
sem ao menos meus olhos a tocarem
"D" que saudades de você que nunca vem me ver

Lembro que te vi dias desses por aí
Cabelo ao vento naquele tom vermelho,
meio marrento, ingênuo

Que ao vento faz me perceber, como sofro sem você
E através das lentes dos seus óculos,
vejo a mulher que quero ter ao lado, no alto

Nas alturas do seu andar miúdo, agudo
Faz tremer a terra, acalmar a fera que rugi
Mas perdeu o ímpeto de atacar,
quando viu seu rosto hipnotizante fixo a olhar

Pra algum lugar, quem sabe talvez me encontrar
Ou simplesmente me esbarrar,
nos labirintos conectados a nos guiar

Feito a mistica presente no seu corpo,
que prendeu um beija flor invejoso
virando tinta no seu sopro e no assombro, florindo o entorno

Mesmo distante posso passar lá, pra te ver "D"
uma montanha intransponível que quero escalar, conquistar, contemplar

O abismo mais bonito desse seu olhar,
que penetra na minha alma, num leve piscar.

                                           Autor: Everton Alves.



quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Tímida e Corajosa

Tímida e Corajosa 


Levanto, ando, paro e reparo
Algo está faltando aqui em baixo,
dos morros, estradas, casas, pessoas

Está lá no horizonte esperando talvez
Aquela que espera sua vez
E com sensatez se fez

Ponho-me em direção ao firmamento, pois não tenho o que esperei
Nas ruas, dos bairros, das cidades por onde andei, ando, andarei
Sou atraído ao desconhecido que se mostra com um brilho
de um caco de vidro, caído, perdido, sozinho

Meu corpo vai ao longe e eu vou com ele
Nas curvas, paradas, partidas, chegadas
Chego e não conheço o que fui procurar
Entre os arranha-céus desse lugar,
que lembram Londres ou BH

Na praça onde se digere pensamentos
Vejo no canto a mulher que desejo
Apresso os passos e vou com toda cerimônia perguntar
Como se chama, ninfa dessa floresta de concreto

Ela com um olhar que te prende de repente
Num sorriso estridente, potente
Sou "C" a mulher a qual vive a procurar
E desculpe o atrevimento,
talvez até a sonhar em me achar

Subitamente a sua voz melodiosa e charmosa
me tira a prosa, palavras, versos
Quando olho o movimento repetido, contínuo de suas mãos no ar
A trançar seus cabelos longos, queria eu poder te pentear eternamente
Mas não há material suficiente e tenho que ir em frente

Admirando a moça contente
trançando sonhos que de repente, ficam ausentes
E na vastidão do seu olhar, fico aprisionado de bom grado
Como um canário engaiolado que esqueceu como voar,
mas espera silenciosamente um dia se libertar

Me despeço de "C"
que conheci no outro lado das terras ermas, secretas do meu coração
Nunca esquecerei, pois sem ela nada sei, nada tenho, nada sou
além da lembrança que restou

No fio caído das tranças que ficou,
no nosso mundo particular que parou,
penso e ajo para um dia te encontrar
ao meu lado no altar.

                                           Autor: Everton Alves.


Forte e Encantadora



Forte e Encantadora 


Pelas andanças e desesperanças desse mundo
Uma vez o outra o destino te acerta com um murro
Que no segundo, às vezes oportuno, sortudo

Te deixa na beira da estrada, com nada ou quase nada
Ela que vive entre o mar e a enxada
Cravada na sela da alvorada, aguardada
Cismada como o ponteiro e o tempo
No andar certeiro dos dias terrenos, ao menos de certo perfeito

Fugindo do refrão, amorosa na exatidão
Que tem por anunciação, uma letra que diz sem dizer muito dela,
brava, bonita, bondosa, essa é a "B" que enche de ternura o mar desse coração
Por ocasião, anda nos ventos do tufão e acalma o azulão ao qual tem paixão

Mulher por mim admirada, que se lança porto a porto descalça
Na intenção de ser salva do dragão,
corre contra as montanhas, sombras, escuridão

Pois arde na alma uma vontade
De verdade quem já conheceu milhares,
ao seu redor sente coragem e na despedida saudade

Dessa moça que parece menina a brincar na chuva, simples, culta
Vai cavalgando levando consigo, num ponto sentido e ouvido
Um pouco do navio querido, vazio, escondido
Nos cabelos de sereia, sorriso bonito
Contido no vale pretendido e aquecido

Leve como o flutuar da bruma e
inesquecível como som de um respirar
Que chega de mansinho sem querer ficar
Na sombra do jacarandá, pois quer viajar

Pra longe bem longe desse lugar
Morada de sua vida, linda e repartida
Mas contida no terreirão

Quer desbravar esse mundão,
nas cordas de um violão ou quem sabe uma nova paixão
Que acalente as mágoas deixadas no coração,
que gira como pião na desilusão

Vê a questão com exatidão
Nas rosas pisadas, encharcadas, manchadas no chão da ilusão.

                                          Autor: Everton Alves.


O amor também é Desistir


O Amor também é Desistir 



Deixa eu te dizer uma coisa.
Nem tudo que a gente quer ter,
quer dizer que é realmente bom pra gente.

Às vezes a gente tem uma mania de querer empurrar coisas,
que não fazem mais sentido na vida da gente por medo de encarar a realidade.

Às vezes a gente acha que colocar toda sujeira pra debaixo do tapete,
e continuar em algo que não vale mais a pena, é o melhor caminho.

A gente erra ao pensar que o amor é permanecer,
é suportar absolutamente tudo e ficar independente de qualquer coisa.
Mas a verdade é que o amor é, também, cair fora quando o outro não te respeita.

É ir embora por que o sentimento não é recíproco,
é deixar pra trás aquilo que não te acolhe mais, aquilo que só te machuca.

Amor é saber abandonar o barco quando você estiver remando sozinho,
é desatar os laços que se transformaram em nós apertados.

Amor é entender que nem sempre a gente fica com o amor das nossas vidas,
que amar alguém pode durar uma semana ou uma vida inteira,
mas que o amor deixa de fazer sentido quando só um está disposto,
quando só um quer fazer valer.

Amor é saber seguir em frente sozinho,
é se virar com a dor da saudade e aceitar que um dia ela para de doer
e você volta a agradecer pelo que foi embora.

Amor é ter a consciência de que, se você se doou por inteiro e mesmo assim,
o outro não enxergou a tua entrega, quem perdeu não foi você.

Amor é ter que abrir mão de alguém que você gosta pra caralho
Porque você, por mais que tente,
não consegue enxergar mais razões pra permanecer ali.

Amor é ter coragem de dizer: ''chega'', de virar as costas,
de se desligar de alguém que nunca está disponível pra você.

Amor também é ter coragem de pôr um fim ao invés de adiar algo,
que já acabou faz tempo só porque você não consegue aceitar.

Até que ponto vale a pena ficar com alguém que não te traz paz,
alguém que te tira do sério, alguém que estraga o teu dia, por amor?

Uma hora a gente entende que amar alguém requer esforço dos dois lados.
Que o amor não é uma disputa de quem alcança a linha de chegada primeiro,
amor é caminhar lado a lado.

E que amar a dois pode ser prazeroso quando se tem reciprocidade,
mas quando isso não existe, se amar já é o suficiente.

Dizem que a gente deve insistir, persistir e
jamais desistir de algo que a gente quer muito.

Mas a gente só deve insistir naquilo que realmente vale a pena,
persistir no que faz bem e nunca desistir de quem quer ver a gente bem.

Amor também é expulsar tudo aquilo que só te traz caos,
porque o amor não deve ser um problema e sim, a solução.

                                    Texto: Iandê Albuquerque.


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Andar e Caminhar


Andar e Caminhar


Hoje acordei feliz como o gato,
que procura carinho
Como um cachorro que procura afago
Como um raio que deixa um faixo

Aquela que vem buscar o que procura
Mas já levou embora o que precisa
E se aninha nas páginas, que não é sua
Apegada a uma estrela dada, conquistada

De repente num relampejo ardente,
da lamparina velha e retorcida
Faísca de luz que se emudece e finda
No interior da vida, relacionada, precisa

Quero te ter nos meus braços,
luz de natureza e beleza divina
Que se esconde nas areias da cidade
No muro que te protege e aprisiona
A alma cansada, despedaçada, afugentada

Porque o rio não vai pro mar,
sobe até os céus, se lá você estiver
O silêncio que está entre as letras, ferem,
aquecem, calam o cantar

Uma letra numa nau, 
que quer chegar, quer estar, quer abraçar, quer amar
Mas com medo em se deixar levar
Se machucar, ao sair do lugar

Por questões que ainda não se sabe
a fixa num farol
Que por reflexões não posso visitar
Mas posso sonhar que lá está,
como a praia quer envolver o mar

Mas não dá pra ficar sem se arriscar
Por vezes se cortar, furar, sangrar, naufragar
Pela mulher que quero ficar, estar, namorar

Pra te encontrar, nas cartas que
permanecem de alguma forma estáticas,
largadas, esquecidas, não enviadas, rascunhadas, desajeitadas, perdidas, esquecidas, trancafiadas

A primeira letra de seu nome,
a primeira de um alfabeto,
Simplesmente "A", 
desejada, esperada, nascida, regida por uma força divina

Com medo de ultrapassar os desertos floridos que nos rodeiam
Que surgem inesperadamente e nos fazem remoer, sofrer

Aquela que começa com "A"
Que vive sem saber,
que é o meu bem querer
Voa livre e some na curva

E floresce sempre ao anoitecer, amanhecer, entardecer
Nos campos tranquilos e incertos do pode ser.


                                          Autor: Everton Alves.