Uma Carta Para Joanna

Sentado na areia sob um colchão de nuvens
Sentindo a brisa marítima e seu gosto de sal
Ouço o som característico das marés e o seu movimento
Se formam em águas tranquilas e
aos poucos vão ganhando altura e força
E se aproximam lentamente da costa
Chegando na forma de uma onda,
que suga as areias da praia para o mar
Mas só um pouquinho de cada vez,
cada onda tem o direito de levar seu pedacinho de areia
A onda carrega sua parte e
devolve das suas entranhas outras areias,
que estavam perdidas no fundo
Para sentirem o mundo a sua volta,
mesmo que seja por uma fração de tempo
Até surgir outra onda e
levá-las para o fundo do mar
O tempo começa a melhorar e
as cortinas do céu começam a se abrir
E o sol de forma tímida começa a raiar
Tudo fica com um visual espetacular,
começa a chegar a platéia para admirar e
se banhar nas suas águas
Faço uma breve reflexão:
Que as pessoas são como as ondas
Chegam na sua vida
e trazem inúmeras coisas consigo, pequenas, médias, grandes
E invisíveis a olho nu, mas você sabe que trouxeram algo,
que não precisa de comprovação para se sentir
E levam consigo parte de nossas vidas
Então, a vida nada mais é que um grande oceano
Que precisa quebrar em algum lugar, gerando movimento
e deixando um pouco de si nas margens tocadas
Durante o decorrer de nossa vivência,
somos colocados como água e terra
No mesmo recipiente, pois precisamos fazer esse intercâmbio
dentro de cada um de nós
Para poder enxergar o sistema água e terra do outro
E compreender que de vez em quando, estamos nublados,
ensolarados, com raios tímidos entre nossas nuvens,
o mar está tranquilo, o mar está revolto
ou tudo vira uma enorme tempestade e tsunami
Mas tudo passa, sempre passa
E na maioria do tempo, você se senta e contempla
A visão linda e incerta da nossa existência.
Autor: Everton Alves.















