Andar e Caminhar
Hoje acordei feliz como o gato,
que procura carinho
Como um cachorro que procura afago
Como um raio que deixa um faixo
Aquela que vem buscar o que procura
Mas já levou embora o que precisa
E se aninha nas páginas, que não é sua
Apegada a uma estrela dada, conquistada
De repente num relampejo ardente,
da lamparina velha e retorcida
Faísca de luz que se emudece e finda
No interior da vida, relacionada, precisa
Quero te ter nos meus braços,
luz de natureza e beleza divina
Que se esconde nas areias da cidade
No muro que te protege e aprisiona
A alma cansada, despedaçada, afugentada
Porque o rio não vai pro mar,
sobe até os céus, se lá você estiver
O silêncio que está entre as letras, ferem,
aquecem, calam o cantar
Uma letra numa nau,
que quer chegar, quer estar, quer abraçar, quer amar
Mas com medo em se deixar levar
Se machucar, ao sair do lugar
Por questões que ainda não se sabe
a fixa num farol
Que por reflexões não posso visitar
Mas posso sonhar que lá está,
como a praia quer envolver o mar
Mas não dá pra ficar sem se arriscar
Por vezes se cortar, furar, sangrar, naufragar
Pela mulher que quero ficar, estar, namorar
Pra te encontrar, nas cartas que
permanecem de alguma forma estáticas,
largadas, esquecidas, não enviadas, rascunhadas, desajeitadas, perdidas, esquecidas, trancafiadas
A primeira letra de seu nome,
a primeira de um alfabeto,
Simplesmente "A",
desejada, esperada, nascida, regida por uma força divina
Com medo de ultrapassar os desertos floridos que nos rodeiam
Que surgem inesperadamente e nos fazem remoer, sofrer
Aquela que começa com "A"
Que vive sem saber,
que é o meu bem querer
Voa livre e some na curva
E floresce sempre ao anoitecer, amanhecer, entardecer
Nos campos tranquilos e incertos do pode ser.
Autor: Everton Alves.

Nenhum comentário:
Postar um comentário