segunda-feira, 25 de junho de 2018

Olhos Rasos D'água

Olhos Rasos D'água 


Como pode um homem
Sentir tanta saudade
Da mulher que ama

E se deita
Na cama procurando por ela
E não a encontra

Apenas o contorno bem marcado
Afundado, perfumado
No doce leito de amor, juras, renúncias

Levanta e procura
Pelos cômodos da casa seu aroma
Sua silhueta tão provocante e amorosa
No convívio do apartamento 407

Senta para ler o jornal de domingo
E não sente mais o braço de sua amada
Envolver seu pescoço por trás do sofá

Vai almoçar na casa que não é sua
Mas foi acolhido com seus defeitos
Limitações, manias que o definem tão bem

A cadeira na outra extremidade
Da mesa, está vazia pela mulher
Que faz parte da sua vida
E enche de solidão esse coração
Que pensa em ti a todo instante

Vou ao encontro da rua, do mundo
E minhas mãos não estão
Segurando mais as suas
E sinto um profundo pesar por tudo isso

Vou digitando uma carta
Pedindo que volte ao nosso lar
Para dentro das linhas, das promessas ditas
Do encontro de nossos olhares
Do amor sentido e ofertado de verdade

Sinto falta não vou negar
Da minha flor dourada que mesmo longe
Não sai do pensamento e está por juramento
Presa no meu olhar em todos os dias

Minha deusa que está
Do outro lado do meu oceano
E pelas páginas escritas vem me visitar

No fim de mais uma tarde
Sem ouvir o som da sua voz apaixonada
Percebo como sinto sua falta no silêncio
Desse apartamento e lamento

Pelas palavras não ditas
Poemas não recitados e sentimentos
Não declarados, na segurança do nosso aconchego

Te amo, como o firmamento não pode viver
Sem o luar e o brilho das estrelas
Estou passando por momentos difíceis
Mas nunca se esqueça, que o meu deserto
Se encheu de flores por você.

                                          Autor: Everton Alves.


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Monte da Ilha Turquesa

Monte da Ilha Turquesa 



Histórias são contadas
Por viajantes que vagueiam
Sem rumo aparente entre a gente

Num olhar vindo de longe
Que quer atravessar o mar
Atingindo o farol que está virado
Sonhando com outro lugar

A Deusa de outra terra
Vem me visitar. Se faz presente
Perante meu olhar

E fala sobre as terras que conheceu
As areias que percorreu
Os emaranhados das algas de certos
Mares que também conviveu

E está aqui querendo
Virar a atenção do farol
Para o seu sorriso esplandecente
Que realça os fios vermelhos
Das suas mechas fogo incandescente

Vem a tempestade
E com um sinal de complacência
Daniela coloca-se contra os raios
Para proteger a singela convivência

O farol observa a deusa com carinho
E pensa por um instante que o amor
Está a alguns passos do ancorador

O céu é encoberto pela ventania
Por grossas nuvens de calmaria
Que afugenta quem diria
As incertezas do faroleiro

Que só vivia pensando
Em se encontrar com aquela
Que ilumina o luar

O sol veio brilhar
Fortemente e aquecer o dia
E os dois na ilhazinha foram conversar

Coisas do dia a dia
E outras tantas de além mar

Contou da engenharia e química
Contida nos eventos rotineiros
Que acontecem sobre o planeta inteiro
E me prendeu de modo companheiro

Como um gato que se entretém
Com um brilho de vidro
Ou um desenrolar de um novelo
De barbante, lã

Ela passa e administra
Tudo aquilo que se pode
Mesmo não sabendo tocar
Um fagote, clarinete, trompete

Mas encanta todos
Com sua luminosidade
Que ultrapassa a materialidade
Dos desejos da humanidade

Em busca de certas superficialidades
Se contrastando com o que pregam
Sobre a felicidade

A deusa que quer abraçar o mar
A deusa ardente e reluzente
A mulher graciosa que prende o olhar.

                                          Autor: Everton Alves.


segunda-feira, 11 de junho de 2018

12 de Junho

12 de Junho 


Amanhã o sol vai aparecer
Entre as nuvens e montanhas
Ele é um ser teimoso

Mesmo encoberto por densas nuvens
Sabemos que lá em cima está
Raiando e iluminando, aquecendo outras vidas

A lua também é mais teimosa ainda
Mesmo que diminuta aparece
De noite e de dia, assim esses astros
Abrilhantam os dias

Amanhã será um outro dia
E mesmo que você não queira
O amanhã sempre vem teimoso

A vida passa e passamos dentro dela
Somos passageiros que queremos chegar
No destino, mas não sabemos ao certo
Como ir até lá

Isso, pois somos inteligentes
E donos de nosso próprio destino
Pelo menos somos humildes
Em pensar assim

Amanhã alguém fará aniversário
Ou uma vela deixará de existir

Amanhã os problemas não irão embora
O carteiro não chegará com sua carta
Vinda do Quirguistão

Amanhã será um dia
Como outro qualquer dentro dos dias
Que se seguem dentro das 24 badaladas
Do sino que rege a vida humana

Amanhã será amanhã
E lá estarei de mãos dadas com minha flor dourada
Que segue ao meu lado na longa caminhada
Das linhas contidas dentro e fora das páginas

Amanhã será igual
Porém, amanhã estarei com meu bem. Longe
Talvez na distância sentida entre duas cidades
Que não são nossas, na forma afetiva

Amanhã sentarei na varanda
Com minha cronista e verei o fim
E o início de mais uma manhã

Como o pequeno príncipe e sua rosa
Olhando pro firmamento estrelado
Serenos e felizes como sempre.

                                          Autor: Everton Alves.


sexta-feira, 8 de junho de 2018

Voo Revigorante

Voo Revigorante 


O dia ensolarado veio 
Ronronando por um afago
Olho entre as minhas pupilas 
E percebo o andar delicado 
Das nuvens no céu rosado
Minha respiração 
É percebida como o sopro da vida 
É o amor que sinto pela cronista 
E sua escrita amorosa, sensata, otimista
Ela gosta de passarinho 
Pois, traz sonoridade a vida 
E chora em pensar que o pobre animalzinho 
Fica restrito na gaiola onde habita
Por isso não vê beleza 
No sofrer de alguém 
Que nunca chegou a conhecer 
O seu poeta molha-se na chuva 
Para te sentir sobre a pele nua
Gosta de poesia 
No fim das quinta-feiras ou aos domingos 
Quando volta da vendinha da esquina 
Admirável moça que escreve sobre os dias
E pela força do seu apreço 
Continuo de pé enfrentando as adversidades 
Com um sorriso no rosto e banhado de fé
E agora levanto 
Meio cambaleante pelas frases apaixonadas
Que li hoje de madrugada  
Vou tomar um pouco de café 
Que ajuda a encarar a maré
E o tempo 
Vai encaminhando nossos corações apaixonados 
A se encontrarem no banquinho 
Da praça da universidade
Como é bom amar de verdade 
Minha doce flor dourada 
Que carrega meu coração 
E um punhado generoso de saudade.

                                          Autor: Everton Alves.