sábado, 30 de dezembro de 2017

Nos descompassos dos dias

Nos Descompassos dos Dias





Nesses momentos de solidão,
me surpreendo pensando em fragmentos de paixão
Algumas passadas, realizadas, almejadas
E aquela que por obra do destino não alcançada

Sinto uma porção e meia de indagações quando a mente de forma sorrateira
Na face que esconde a incerteza, elabora situações
Que mesmo esquecida num canto adormecida, por teimosia ainda cintila
A faísca nela contida, sofrida, sentida

Envolto com o ar e com o temor costumeiro da picada de escorpião
Faz me pensar e voar como um pássaro
Que vagueia na imensidão da vida

Mas acorrentado ao cais como o velho veleiro,
que sente falta do velejar
Vem e vai ao sabor do vento,
tendo a força de elevar um dente-de-leão ou derrubar um avião

Em suma nada é em vão,
nem o canto nos silêncios dos desertos e o estampido do trovão
Essa mulher que nos devaneios da alma,
acaba se enroscando em meu coração

Ela que não sabe que habitas em terras nunca antes achadas,
nas alturas da compreensão de um verso recitado
Um punhado de sei lá o que,
guardado nas águas mornas do bem querer

Luz e sinfonia nas nuvens dos porquês,
presença e saudade na brisa que poderia ser
Amarrado e emaranhado na imagem ou miragem do seu ser

Mas lá na curva,
bem lá na curva me ilumina e ensina que para ter,
andamos e sonhamos como nos perder

Numa gota d'água no mar das sensações por nós selada,
num olhar dourado ondulado afogo-me na sua relva abençoada
E tão encantadora como a brisa cantada

Nas paisagens onde existe o saber,
fico sem perceber o quão é distante eu e você
As nuvens se desfazem ao seu bel prazer, a chuva só cai pra te ter,
o sol e a lua refletem sua beleza distinta ao amanhecer

Não és nada que sei, nem árvores pra abraçar,
nem o ar pra respirar, nem a vontade de chegar
É o começo, recomeço do ciclo infinito e doído,
sofrido de um coração ao léu

Sempre na angústia esperançosa de um dia quem sabe,
te reencontrar entre os lugares sentidos,
percebidos e
perdidos nas estrelas do nosso céu.

                                         Autor: Everton Alves.