segunda-feira, 23 de abril de 2018

Dias Difíceis

Dias Difíceis 


Mesmo perdido quero encontrar motivos
Para lançar a flecha através das galáxias e te achar
Meu mar revoltou-se, minha terra estremeceu-se
Meus céus viraram tempestades raivosas na alvorada

Nunca tinha passado pela sensação da injustiça
Posta sobre minha cabeça, feito o filho
De Guilherme Tell no desafio da maçã

Quis chorar copiosamente, compulsivamente
Chorei um fio bem minúsculo pela face estarrecida
Quis gritar para o mundo o que sentia
Engoli a injustiça fria e me senti muito mal por isso

Quis te comunicar o meu sofrimento, mandei mensagem
Telefonema, pombo eletrônico, sinal de fumaça, código morse
E não consegui alcançar-te minha companheira

No redemoinho que se transformou a minha mente
Nem você minha flor me entenderia
No rodopiar de uma dança hindu

O meu coração desalinhou, não por você meu amor
Fiquei afogado na confusão que se alojou no meu silêncio

Engoli muita mágoa goela abaixo
E sua luz resplandecente me acalmou nos dias seguintes

Convivemos a tanto tempo e a ti que recorro
Quando meu mundo é perturbado por uma vibração externa
Uma tormenta que quer derrubar as minhas velas
 
Nesses momentos a solidão aperta
Me puxando calmamente para sua desolação
Mesmo atormentado por uma
História alheia que não me pertence
Você continua comigo ao meu lado presente

Em minha vida és tu a quem retorno
Para as cartas escritas e nunca enviadas
Rascunhadas e esquecidas sobre a mesa da cozinha

Na hora do café, na hora do chá
Durante um banho refrescante e revigorante
Num domingo insosso e que se arrasta
Pelas horas, minutos, segundos

Estamos sincronizados e envoltos em dúvidas
Que se apresentam e se retiram
Pela simples leitura de uma carta exposta
Porém, nunca entregue pro destinatário

Podemos imaginar uma realidade
Qualquer onde caiba eu e você
Devemos concretizar aquilo
Que queremos a tanto tempo

O senhor de barbas longas que segura a ampulheta
Não aguenta mais presenciar os afetos de
Dois corações apaixonados, distantes fisicamente
E quer que esse enlace floresça, enraíze, fortaleça

As cartas, as crônicas, os poemas derramados
Sempre com um dilema apresentado
Quando a coragem sobrepujará a incerteza
Da cronista e da sua contraparte o poeta.

                                          Autor: Everton Alves.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

O Uivo do Rouxinol

O Uivo do Rouxinol 


Porque ficaste?
Eu não sei onde o brilho
De meus olhos errou em te querer

Nem o que vem acontecendo
A um tempo, me levando à
Loucura da solidão agora presente

A sua presença se fez ausência
Ao fim inesperado do Tango de Gardel
Você se foi entre os pares e eu fiquei quebrado
Sofrendo, morrendo por dentro na realidade

Me sinto culpado pelo rumo tomado
Desse barco afundando sobre os meus pés
Ficando tanta coisa por dizer, tantos planos por fazer
Tantas declarações que não veram o dia, a noite, o luar

Você se afastou e não deixou nada
Além de uma mente confusa
E uma alma afligida pela dor
A sua súbita indiferença me machuca
E sofro mil vezes em esconder o meu pranto

Porque amaste?
Escrevo uma carta que será
Lançada ao mar sem nenhum alarde
Mas arde na lembrança quando chega a tarde

Ontem o inconsciente tomou conta de mim
E as águas da fonte do meu interior
Transbordaram pela infelicidade de um laço desatado

É desconcertante ter o peito atravessado
Por uma flecha de desamor que traz
Desencanto para o intrépido aviador

Porque me abandonaste?
Me dei conta das tentativas frustadas
Querendo te dar meu mundo
Mais me contentando com migalhas
Que caem de suas mãos ingratas

Quis mostrar o melhor de mim feito o saci
Se equilibrando numa perna só
Nas reviravoltas da sua mudança repentina de humor

Porque te amei?
Hoje ponho meu coração ferido
Numa garrafa para Iemanjá levar além mar
Para uma moça, que me dê valor possa encontrá-la

Quem não quer enraizar agora sou eu
Vou embora no breu que restou do seu adeus
A farsa de uma vida doada pra nada

Meu jardim que você regava com sua alegre presença
Secou, definhou e não a nada o que fazer por agora
Que faça o beija-flor procurar refugio
E carinho em uma pétala de flor.

                                          Autor: Everton Alves.

  

terça-feira, 17 de abril de 2018

Lua Nova

Lua Nova 


Um dia percebemos
Que as vivências compartilhadas, ora inventada
Ora realizada, é o impulso para alcançarmos
O outro lado do abismo aberto e alargado por nós

Um dia conformamos
E agradecemos as pessoas fictícias e reais
Que fizeram e fazem parte de nossas histórias e estórias

Um dia reconhecemos
Que nossas idas a outras realidades
Nos conectam de volta, ao calor amoroso de nossos abraços

Um dia reconhecemos
O mérito dessa realização de mais um livro lançado
Seja dividida por cada pessoa que faz parte
De sua vida, como eu faço e continuarei fazendo
Não desatando o nosso laço apertado, amado, sonhado

Um dia sonharemos
Com o caminho iluminado por ti trilhado
Com a obscuridade decorrente da vivência terrena
Vencida e comemorada com afeto, dedicação, esperança

Um dia verás
Que se doou de tal forma que deixou de lado
Um certo rapaz, para realizar mais um sonho almejado
Que com total compreensão e espera do fato
Ele se pôs mais enamorado ao seu lado

Um dia aceitará
Que és meu amor e me amando também está
Não tenho palavras para agradecer
A dádiva que é caminhar ao seu lado

Um dia ouvirá
Um pedido nosso; para que esse sentimento
Que não se mede dentro de uma escrita apaixonada
Se solte no ar em voz calma

Um dia amará
Estremecerá as suas bases bem estruturadas
Nesses momentos as palavras enaltecem os sentidos

Hoje meu coração se cala
Perante as lágrimas que brotam pela saudade rotineira
Da minha cronista.

                                          Autor: Everton Alves.


Aconchegante Presença

Aconchegante Presença 


As estrelas aparecem no céu noturno
Me trazem a lembrança do seu belo olhar

As árvores sentem a falta
Que você me faz, doce guerreira

A chuva encharca as ruas e vai molhando
E refrescando dando o sinal da vida

As pequenas flores que são poucas
Florescem e querem sentir mais uma vez
O aroma delicado e calmo do seu perfume

O vento que vem leve como a brisa
Busca nas cidades, vilas, fazendas
Aquela que envolveu-o em pura ternura

As areias da praia sentem a falta da leveza
De sua alma no seu trajeto esperançoso
Em direção as águas que te acalmam

O mar ficou revolto com a partida
Da sereia mais bonita que habitava os corais
E se faz manso quando o pensamento lhe traz

As energias positivas nascem do seu ser
Nutre a terra com seu penetrante encanto

Quem sou eu para resistir
A essa explosão de alegria, força, ousadia

Os planetas e suas luas se movem
No cosmos, apenas para te verem aqui nesse planeta

Você conecta tudo que existe
E faz o impossível aparecer diante de nossos olhos
Descrentes das forças que regem a vida

Sorte das montanhas a qual procura repor
Sua energia linda e limpa que tem no seu interior
A Luz mais brilhante que alegra a vida da gente.

                                          Autor: Everton Alves.


quinta-feira, 12 de abril de 2018

Luminescência Discreta

Luminescência Discreta 


Meses a fio no navio
Que naufraguei num arrepio
Contido no som perdido de um sino

Passei no tino do timoneiro
Que permanecia imóvel durante o desespero
Da recusa aflorada num jardim sem rosas

Estremeceu a última anedota
Que continha a nota sem rima
De uma pequena história

Balançou o convés
No revés dos caracóis que enfeitavam
O seu cabelo preto e sereno ao findar da tarde

Derrubou-me
Como uma nuvem de marimbondos ou abelhas
De uma destreza. Vinda em galope. Sorrateira

Ofuscou-me
As imagens projetadas pelo sentimento
Genuíno e frágil como o cálice do vinho
Da festa daquela noite, que ainda sinto ardente

Liberou-me
Para zarpar para qualquer lugar
Que não seja ela o destino final

Libertou-me
Para emaranhar-me nas teias das aranhas
Que tecem as dúvidas dos meus poemas apaixonados

Liberou-me
Para entender que mesmo do outro lado do monte
Prefere o anonimato em não saber pra onde ir
E a quem quer abraçar e ninar

No meio das palavras recitadas
Das mensagens demonstradas e algumas rascunhadas
Em folhas que não verão a luz do vaga-lume em seu abajur

Liberou me
Pra dizer que tudo que passamos, evitando um ao outro
Como pólos de imãs teimosos e muito pouco corajosos
Conformados em parte; com o andamento pequenez desse sútil enlace

Que não ata e por vontades de ambos não desata
O que prende um ser no outro?
O que prende a lua sobre os nossos sonhos
Noturnos, diurnos, no crepúsculo?

Porque é tão difícil juntar um pisciano e uma canceriana?
Porém, como um ato de esperança feita numa oração
Dita no silêncio do vento frio de outono

Ah! Amanda, como são complicados os corações apaixonados
Que não aceitam o que sentem nessa vida
Que vivem distanciados afetivamente
E tão próximos, como um cafuné feito de repente

É tanto amor posto sobre a mesa todos os dias
Que nos assemelhamos a covardes errantes
Transpirando amor. Nas frases por nós digitadas.

                                          Autor: Everton Alves.



sexta-feira, 6 de abril de 2018

Olhos Tempestuosos

Olhos Tempestuosos 


Hoje quinta-feira
Recebo uma mensagem escrita à mão
Da mulher que tinha meu coração
Que agora me deixaste só

Renunciou as nossas juras apaixonadas
Para se lançar de novo na estrada
Quinta-feira e recebo essa paulada

Essa espada que transpassa meu coração
Agora deserto sem as flores
Que nasciam por insistência minha
Que abarcavam minha solidão

Mas, não posso prendê-la no meu cais
E nem dentro do aconchego dos meus olhos
E na segurança de meus braços
No desejo dos meus lábios

Saiu sem falar nada com sua linda boca
Apenas uma carta deixada
Sobre a mesa da cozinha
Perto do jogo de porcelana de chá

Que lhe presenteei no seu aniversário
Meus olhos vão lendo cada palavra, frase, parágrafo
E as lágrimas começam a molhar o papel
Dessa despedida unilateral que é só dela ... é só dela

Não posso impedir o aperto
Pela partida da mulher que por meses
Fazia parte da minha vida
E a deixava mais alegre com o passar dos dias

Mas, só quem ama é que sofre na realidade
Nunca saberá da minha tristeza
Em lê a carta que me deixou sem chão
Cheio de emoção transbordando para fora de meu ser

Com uma mágoa profunda
Em não entender até o presente momento
Onde foi que errei, você errou e se porventura erramos

Porque me abandonas-te numa casa que não é minha
Numa rua que não é minha, num bairro que não é meu
Numa cidade que não me pertence

E num olhar nonsense
Me perco na lembrança
Da sua face linda irradiando calor
E hoje, infelizmente fria ao meu ver

Não saberá
Como me despedaçou por dentro ...
Nunca saberá.

                                          Autor: Everton Alves.