sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Plena e Sozinha

Plena e Sozinha 



Me lancei ao mar já faz um bom tempo
E entre ondas e ondas vem a calmaria
Tudo fica calmo, tranquilo, quieto
Não penso mais nos medos,
que me lançaram a além mar e o destino da viagem

Porto após porto, ilha após ilha, toco após toco
Parei um pouco num porto, com mar revolto
E lembrei da mulher que encontrei, na baía dos amores naufragados
linda como a miragem sombria de uma sereia

Aquela que te hipnotiza com o olhar e o deixa cativo
Ela que chorava um rio de lágrimas
e enchia o lago oculto do seu coração

Queria chegar as estrelas, porém não o fazia
Queria entender o mundo e a si própria, porém não fazia
Queria amar de novo, porém criava abismos ao invés de pontes
Queria ter o poder de mandar em seu destino e nos daqueles em sua volta
Porém não fazia, não podia, não conseguiria, não sentia

E por uma decepção prendeu o pássaro sagrado,
que na sua morte virou cinza e no seu corpo virou vida
Na figura do conhecimento e sabedoria
Que talvez um dia o causador desse sofrer
Volte a viver consigo outra vez

Que pena que dá vê a sua insensatez
em querer dominar o destino de outro "G"
Porque você não consegue vê,
que aquilo que te trará paz no caminho e amor
Sou eu, o navegante errante que vai embora a beira do cais

Ao bel-prazer do vento e da maestria de um certo Poseidon
que brinca com a vida dos barqueiros, menino arteiro
Vou e "G" me olha ao longe, partindo indo ao horizonte

E sigo em frente perdido e ferido pelo arpão,
que saiu da delicadeza de suas mãos
E atravessou sem remorso esse capitão
Que seguia pelas estrelas,
enfrentava monstros e feras marinhas, tempestades, calmarias

E é guiado pela convicção, de retornar um dia
para os braços daquela que um dia fez parte de sua vida
E olha pro futuro firme e inocente com a esperança de se perder novamente

Nas terras chuvosas, confusas, revoltas do seu coração
que no centro guarda uma planta com um vaga-lume
preso na sua lembrança

No seu íntimo quer que essa árvore floresça pro passado,
presente ou quiçá pra mim no futuro,
pois é essa a sua esperança.

                                          Autor: Everton Alves.


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