Forte e Encantadora
Pelas andanças e desesperanças desse mundo
Uma vez o outra o destino te acerta com um murro
Que no segundo, às vezes oportuno, sortudo
Te deixa na beira da estrada, com nada ou quase nada
Ela que vive entre o mar e a enxada
Cravada na sela da alvorada, aguardada
Cismada como o ponteiro e o tempo
No andar certeiro dos dias terrenos, ao menos de certo perfeito
Fugindo do refrão, amorosa na exatidão
Que tem por anunciação, uma letra que diz sem dizer muito dela,
brava, bonita, bondosa, essa é a "B" que enche de ternura o mar desse coração
Por ocasião, anda nos ventos do tufão e acalma o azulão ao qual tem paixão
Mulher por mim admirada, que se lança porto a porto descalça
Na intenção de ser salva do dragão,
corre contra as montanhas, sombras, escuridão
Pois arde na alma uma vontade
De verdade quem já conheceu milhares,
ao seu redor sente coragem e na despedida saudade
Dessa moça que parece menina a brincar na chuva, simples, culta
Vai cavalgando levando consigo, num ponto sentido e ouvido
Um pouco do navio querido, vazio, escondido
Nos cabelos de sereia, sorriso bonito
Contido no vale pretendido e aquecido
Leve como o flutuar da bruma e
inesquecível como som de um respirar
Que chega de mansinho sem querer ficar
Na sombra do jacarandá, pois quer viajar
Pra longe bem longe desse lugar
Morada de sua vida, linda e repartida
Mas contida no terreirão
Quer desbravar esse mundão,
nas cordas de um violão ou quem sabe uma nova paixão
Que acalente as mágoas deixadas no coração,
que gira como pião na desilusão
Vê a questão com exatidão
Nas rosas pisadas, encharcadas, manchadas no chão da ilusão.
Autor: Everton Alves.

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