quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Tímida e Corajosa

Tímida e Corajosa 


Levanto, ando, paro e reparo
Algo está faltando aqui em baixo,
dos morros, estradas, casas, pessoas

Está lá no horizonte esperando talvez
Aquela que espera sua vez
E com sensatez se fez

Ponho-me em direção ao firmamento, pois não tenho o que esperei
Nas ruas, dos bairros, das cidades por onde andei, ando, andarei
Sou atraído ao desconhecido que se mostra com um brilho
de um caco de vidro, caído, perdido, sozinho

Meu corpo vai ao longe e eu vou com ele
Nas curvas, paradas, partidas, chegadas
Chego e não conheço o que fui procurar
Entre os arranha-céus desse lugar,
que lembram Londres ou BH

Na praça onde se digere pensamentos
Vejo no canto a mulher que desejo
Apresso os passos e vou com toda cerimônia perguntar
Como se chama, ninfa dessa floresta de concreto

Ela com um olhar que te prende de repente
Num sorriso estridente, potente
Sou "C" a mulher a qual vive a procurar
E desculpe o atrevimento,
talvez até a sonhar em me achar

Subitamente a sua voz melodiosa e charmosa
me tira a prosa, palavras, versos
Quando olho o movimento repetido, contínuo de suas mãos no ar
A trançar seus cabelos longos, queria eu poder te pentear eternamente
Mas não há material suficiente e tenho que ir em frente

Admirando a moça contente
trançando sonhos que de repente, ficam ausentes
E na vastidão do seu olhar, fico aprisionado de bom grado
Como um canário engaiolado que esqueceu como voar,
mas espera silenciosamente um dia se libertar

Me despeço de "C"
que conheci no outro lado das terras ermas, secretas do meu coração
Nunca esquecerei, pois sem ela nada sei, nada tenho, nada sou
além da lembrança que restou

No fio caído das tranças que ficou,
no nosso mundo particular que parou,
penso e ajo para um dia te encontrar
ao meu lado no altar.

                                           Autor: Everton Alves.


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