terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Indecisa e Misteriosa

Indecisa e Misteriosa 



Numa praça de uma certa cidade
Conheci Luiza e percebi surpreso o seu pesar
Caindo lágrimas pela face feito chuva, chuvisco, enxurrada

Querendo levar embora o que não posso vê
Não quero vê, não devo vê
Se despedaçando ali na minha frente
Transbordando aquilo que é guardado lá dentro

Talvez o que seja mais importante
Naquele sutil e angustiante instante
E aos poucos começa a surgir
A visão do seu éden imaginado, amado, esperado

Luiza se apega as rosas que não existem mais
Ao jasmim que não libera seu perfume
Não sente mais seu aroma invadindo-a
A hortelã não leva à calma e
O bem-estar de espírito de antes

As pedras colocadas com todo amor, ternura, carinho
Para proteger o seu interior
Que a muito tempo não nasce uma simples flor

Do outro lado da calçada
Fico a te admirar Luiza e a sonhar com você naquele instante
A lembrança do zangão ainda te segue
E por descuido virou sua sombra, cegando, limitando o seu olhar

Mas não dá pra controlar o sabiá
Que de vez enquanto vem te visitar
Não dá pra engaiolar, criatura de alma livre
Como te disse aquele dia, caminhando ao luar

Então, o melhor é deixar livre
Sem saber se vai voltar, ficar, enraizar
No seu jardim, esse que você cultivou
Com todo o amor do mundo

É triste, mais uma vez vê
Ela delicadamente colocar seus joelhos
Calejados por inúmeras decepções no chão
E sem a menor explicação, se por a chorar

Pelo zangão, pelo sabiá e por si
Que não souberam enxergar, cuidar, perceber
O definhar corriqueiro do seu sonhar

Que as flores só nascem
Para quem quer de verdade
Regar, amar, confortar, entender, conviver, confiar
Vislumbrar o seu encanto

Dê valor ao seu maior bem Luiza
Que não é mostrado facilmente pra ninguém
E quando se revela, às vezes, é afligida por uma sombra
Que só quer ser sombra

Cuidado a quem possa mostrar
A imensidão das terras, dos céus, dos mares do seu coração.

                                          Autor: Everton Alves.


2 comentários:

  1. Como é bom ler e me enxergar de alguma forma em seus versos. Gratidão!

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  2. Como escritor fico muito feliz, quando a minha obra cria algum tipo de identificação. Obrigado pela visita, volte sempre!!!

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