sexta-feira, 30 de março de 2018

A Saudade Que Sufoca Minh'alma

A Saudade Que Sufoca Minh'alma


Mais um dia acompanhado pela solidão
Mais uma noite acordado na madrugada
Mais uma oportunidade perdida, desperdiçada
E assim vou vivendo com o pouco que me dá

Ando na meia luz do estacionamento desolado
Com o peito pesado por uma mulher que não sei
Porque me evita. E arredia, manda cartas pra outro alguém
Com um desejo que o passado volte, como nos bons tempos de antes

Isso me magoa um tanto, será que ela não percebe
Que o passado é passado e devemos seguir em frente
Cair e levantar, sorri e chorar, amar e sofrer, assim é a vida
Estou tão perto e ela sabe disso, olha pra mim, olha

Olho pro horizonte e sei que estou na cidade que não é minha
Sei que meu olhar a procura, no meio dessa selva de concreto
Quem me dera ter a visão de raio-x do Superman agora
É só um pensamento bobo que me ocorreu nesse instante

Em cima do morro avisto a mulher mais bela da cidade
Conversando com um homem que não conheço
E fico ali meio enciumado contemplando sua beleza impar

Entre estranhos risos, gargalhadas, ele se despede de ti
E você olha pra mim, pelo menos é a impressão que tenho
Na face da normalidade de um amor demonstrado
Estou com a cara um pouco amarrada pela cena avistada

Estou mordido de ciumes por dentro e não consigo esconder
Ela caminha e some entre os prédios, e a sigo com meu olhar apaixonado
Estou sob a luz das estrelas e de uma lua discreta

Como é triste amar e o seu amor não te enxergar
Como é difícil escrever poemas e ela não se importar
Como é doído observar o seu coração agarrado numa lembrança
Como é sofrido amar e não ter a certeza que é amado por ela

Um dia quem sabe consiga tirá-la do passado para viver o presente
Ao meu lado, te cobrirei com meus beijos, abraços, afagos
Estou aqui te esperando e lutando como posso

Não fale mais dos outros que passaram na sua vida
Guarde-os no seu coração e na sua lembrança apenas
E assim poderei finalmente chegar até você e ficar enraizado

Quero atracar no seu cais, quero ficar te amando
Quero estar mergulhado na sua paixão
Me mostre o seu amor, me mostre.

                                          Autor: Everton Alves.




quarta-feira, 28 de março de 2018

A Melancolia Afetuosa

A Melancolia Afetuosa


Você é a parte que me falta
Pensamento e coração distante
Soube que está meio adoentada
E isso me deixa triste nessa toada do viver
Sempre mando cartas que você não lê

Você é a parte que me falta
Mas hoje vou mandar um barquinho
Com  a carta que escrevi e assoprarei até chegar em suas mãos
Onde meu mar toca o seu oceano

Você é a parte que me falta
Vou fazer um aviãozinho de papel
Com a carta que escrevi e irei subir
No morro mais alto da minha cidade
Onde se encontra uma torre de transmissão de rádio e televisão

Você é a parte que me falta
E de lá de cima onde posso alcançar as nuvens
Irei jogá-lo, com bons ventos e vibrações positivas
Entrará pela sua janela, aberta no final da tarde

Você é a parte que me falta
Com a carta que escrevi vou dobrá-la e redobrá-la
Acertar os cantos, as arestas e farei um origami
E deixarei na cadeira, da sala de aula de sua faculdade

Você é a parte que me falta
Com a carta que escrevi, colocarei seu nome
E deixarei no banquinho da praça onde costuma sentar
Para refletir, pensar e admirar as pessoas, trânsito, cotidiano

Você é a parte que me falta
Com a carta que escrevi irei recitar na rádio local
Para que você possa me ouvir no fone de ouvido, no carro

Você é a parte que me falta
Com a carta que te escrevi, vou colocar dentro de seu livro
E pensaras que é seu marcador de páginas e vai ler

Você é a parte que me falta
Melhoras minha flor para que sua energia
Possa continuar a iluminar os seus dias
E força para encará-los com alegria na maior parte deles

Os dizeres contidos na singela carta:

" ... Não diga que não sente também
Não diga que acabou, para esse coração apaixonado
Meu amor você é a parte que me falta,
É a parte que acrescenta, é a parte que sustenta
Estou torcendo pela sua recuperação minha flor
Com amor e carinho desse homem apaixonado
Que quer tanto um dia estar ao seu lado ..."

                                          Autor: Everton Alves.


quinta-feira, 22 de março de 2018

Poemas e Crônicas

Poemas e Crônicas 


Estar contigo
Como enfeite que te dei para realçar seu pescoço
Fica tão bela quando usa o colar
Gosto tanto por te deixar mais iluminada

Estar contigo
É não querer achar sempre o sentido das coisas
Quase não usa as palavras amor, paixão, coração
É um ser líquido contra o conformismo desse mundo
Em não valorizar o que é belo na essência

Estar contigo
É compreender o seu ritmo mais cadenciado, cismado
Por qualquer descoberta no outro lado do oceano
Todos me veem de cara nova, é a felicidade estampada
E a todos eu pareço dever uma explicação, quando estou feliz

Estar contigo
É a maior satisfação que deixo fluir e desaguar fora de mim
Gosto de ter alguém guardado dentro de meus olhos
Com sua beleza verdadeira e sua simplicidade discreta
Nada perdura se não tiver lucidez, prudência, coragem
O amor determina o modo como se percebe a realidade

Estar contigo
É um sinal que você me conquista todos os dias
Nada nesse mundo tem o poder suficiente para nos separar
Seu olhar distante dentro do ônibus que partia
Com um livro nos olhos e um coração na mão

Estar contigo
Me sinto renovado por cada coisinha que você doa a mim
Sinto o prazer de conhecer outras músicas que não conhecia
A toalha decorada sobre a mesa, vejo esfriar
O seu chá de camomila que acalma e faz inspirar

Estar contigo
É ser pego distraído, pensando numa crônica sua
Meus olhares procuram os seus olhos ternos e firmes
Não se surpreenda, é só meu coração querendo se aproximar

Estar contigo
É querer está sempre junto
Mesmo distantes e tão próximos como um abraço apertado
Num singelo sorriso, as nossas almas se cumprimentam

Estar contigo
É um estado de felicidade
Me faz sorrir, apesar de todos os problemas e preocupações
Me lanço ao oceano escrevendo correspondências
Para te dizer sempre a mesma coisa

" ... Quem vai dizer ao coração
  Que a paixão não é loucura
  Mesmo que pareça insano acreditar

  Me apaixonei por um olhar
  Por um gesto de ternura
  Mesmo sem palavra alguma pra falar

  Meu amor , a vida passa num instante
  E um instante é muito pouco pra sonhar

  Quando a gente ama 
  Simplesmente ama
  É impossível explicar ..."

  Cantor/Compositor: Oswaldo Montenegro .

                                          Autor: Everton Alves.




quarta-feira, 21 de março de 2018

Dois Pra Lá, Um Pra Cá


Dois Pra Lá, Um Pra Cá 


Te vi hoje outra vez
Passando de ônibus com a cabeça baixa
Sentado na poltrona com um semblante meio cansado

Te vi hoje outra vez
Com seus fones de ouvidos que por aqui não tem igual
Numa tonalidade de azul, água marinha, turquesa

Te vi hoje outra vez
Andando entre os vários carros do estacionamento
Com sua mochila nas costas, andando apressado, caminhando

Te vi hoje outra vez
No segundo andar do meu prédio, olho pra baixo
Te vejo passar desacompanhado como sempre

Te vi hoje outra vez
Passando na viela entre os dois prédios
Indo em direção ao corredor, fica no quadro de avisos
Vai até a minha secretária conversar lá dentro
E volta pro mural, olha, observa, tira uma foto de uma grade curricular

Te vi hoje outra vez
Descendo do meu prédio após uma aula
Te encontro no térreo, sentado numa cadeira
Entre tantas outras enfileiradas no corredor

Te vi hoje outra vez
Está lá com seus fones cor do céu
Cabeça inclinada lendo um livro, que não consigo vê
Junto um pouco de coragem e passo na sua frente e ele não me vê

Te vi hoje outra vez
Está compenetrado na leitura
Vou até o bebedouro, dou aquela disfarçada
E mesmo estando tão perto, não consigo saber qual o nome do livro
Que está repousando sobre uma de suas pernas

Te vi hoje outra vez
Num ponto de ônibus, mexendo no seu celular
Esperando a sua condução chegar, fico ali perto parada
Dou umas olhadas, minhas conhecidas e amigas passam
Eu com certa maestria disfarço muito bem

Te vi hoje outra vez
Nunca fiquei tão contente por usar óculos
Mesmo sendo de lentes transparentes
Consigo te esconder no meu olhar


Hoje ainda não te vi
Vou trabalhando e estudando com a esperança de te vê
Hoje a noite, indo em direção ao seu morro
Atrás do meu prédio pra ir estudar

Cada encontro mesmo que breve
É uma satisfação pro meu coração
Breves encontros me fazem sonhar.

                                          Autor: Everton Alves.


domingo, 18 de março de 2018

A Perfeita Imperfeição da Paixão

A Perfeita Imperfeição da Paixão 


Quero tanto
Como o amor que não consegue viver sem um coração
E não pode respirar os aromas de flores que contém sua ternura
Que saem dos seus cabelos dourados em cachos, mechas, tranças

Como é enebriante a paixão
Que emana de tua alma, enfeitando os meus dias
Nublados, calados, ensolarados

Quero tanto o seu Aroma
Como o perfume que o seu corpo perfeito e divino exala
E me alegra nos meus prantos mais ocultos
Me invadindo e dando conforto pra essa alma cansada

Quero tanto o seu Mar
Como a doce menção dessa água que brota
E desce delicadamente contornando o seu corpo, escultura, pintura
E esse frescor dessa fonte de vida, aliviando o andor

Quero tanto o seu Assobio
Igual o vento que balança os seus fios dourados
Das vias que nascem na sua sabedoria
E me enchem de uma vontade de penteá-los
Com um pente feito com as cordas das harpas dos anjos

Como é deslumbrante
A simples visão das minhas mãos
Trançando esses fios amorosos de puro amor

Quero tanto a sua Nostalgia
Igual o seu olhar que ilumina os oceanos
Que ainda nos separam, me dando um sinal para te encontrar
E me faz querer ficar sempre preso no seu encanto
Pelo movimentos de seus cílios, acredito na existência do amor

Quero tanto a sua Disposição
Como o seu andar que se assemelham a felicidade
De estar ali te admirando e sonhando rendido a sublime visão
E me elevam para outra dimensão
Só quem está apaixonado consegue entender
E talvez alcançar a satisfação que me dá no seu passar

Quero tanto o seu Amor
Como seus lábios que procuram o meu em meio a multidão
Como é estonteante o seu sorriso
Que invade a minha alma, que só quer estar com você
Quando meus olhos se debruçam procurando sua boca
Que tem o sabor daquilo que é mais prazeroso, no pôr-do-sol

Te quero tanto
Como um abraço que arrepia a minha epiderme
A pensar no contato com sua pele macia
Que se assemelha a tez da rainha egípcia

Como é divino as curvas e voltas
Dessa materialidade que é o seu corpo, que exprimem o puro desejo
E me faz andar dez milhas, para te encontrar em algum caminho
E desaguar todo o meu sentimento, meu amor, minha paixão

Amo-te minha luz guia
Que está lá no céu noturno
Como um suspiro que me faz seguir
Até o infinito, se for pra ficar contigo

Amo-te minha taurina, cronista, feminista
Amo-te minha primavera, outono, inverno, verão
Amo-te minha flor orquídea, rosa, lírio
Amo-te além das palavras, frases, poemas podem expressar.

                                          Autor: Everton Alves.


terça-feira, 13 de março de 2018

Palavras Não Ditas

Palavras Não Ditas 


Quando andava pela rua sem nome
Vi uma luz brilhante num determinado instante
Que vinha, passava e repassava nas ausências

Vi uma Suçuarana da desesperança correndo atrás da sua caça
E na suas costas existia uma estrela sem brilho
Ficou imóvel de tocaia, aguardando o momento para dar o bote
Esperando pacientemente para um ataque perfeito

Vi uma Queixada cronista andando, sonhando, pensando
Na vontade de estar nos braços, do seu bem
Num instante de azar, se viu pego pelo olhar fixo
Vindo de um terreno baldio

Olhou e olhou tentando
Vê a silhueta que gelava o seu corpo
E com medo e pavor do desconhecido
Se pôs a andar com passos miúdos e curtos

E a Suçuarana da desesperança imóvel feito estátua
Ficou admirando a presa desavisada
E pensou: Está tão fácil, se contasse ninguém acreditaria
A presa vindo ao meu encontro

E nesse momento começou a salivar e pensar no jantar
Eu ali vendo um vulto espreitando nos entulhos do terreno
Querendo cravar seus dentes numa carne macia
E o suspense e o terror do desfecho me dava agonia

Não querendo observar
A cena derradeira, me ponho a andar
Num instante qualquer a Queixada cronista
Parou com seus olhos estatelados

Possivelmente percebeu que não tinha escapatória
E parou, começou a tremer que nem vara verde
Lágrimas saíram dos seus olhos e seu corpo retraiu-se

Esperando o caçador atacar na surpresa
Não tinha como escapar de um predador veloz

Por causa disso, a Suçuarana da desesperança
Está numa satisfação sem tamanho
Na sorte que tinha encontrado
Ou no azar da sua vitima avoada, perdida

E num relance o caçador
Colocou-se a correr, numa velocidade impressionante
Não dando chance para a distraída presa

Antes do ocorrido, se ouve um grito estridente
Um alerta repentino, ouvido, repetido
Cuidado! Cuidado! Corra!
Mas já era tarde; já estava nas garras dela

E a Queixada cronista
Se pôs a chorar e a pensar:
Como ele não viu a Suçuarana da desesperança
E caiu dentro da sua boca

Talvez quisesse ser invadido pela dúvida
Talvez quisesse ser invadido pelo medo
Talvez quisesse ser invadido pelo fracasso
Ou quem sabe, foi tomado pela realidade

Fiz uma prece
Afogado nos meus silêncios
Nas adversidades que se abatem sobre mim
Sempre agradecerei, pois temos um ao outro

Agradeço todos os dias
Agradeço por estar vivo, amando, vivendo
Agradeço pelo amor que sinto
Agradeço o amor que recebo da Queixada cronista .

                                          Autor: Everton Alves.




domingo, 11 de março de 2018

A Fuga das Cores

A Fuga das Cores 


O que esperar do dia?
Ter a felicidade ou sorte de acordar vivo
Muitos morrem dormindo
Enfartam, mau súbito, velhice, morrem em vida
Meninice, sentimentos, esperanças, saudades

O que esperar da chuva?
Que venha branda
Que refresque onde o sol reina com calor insuportável
Enchentes, choros, pesar, vida
Morte, desprezo, melancolia, frio da alma

O que esperar do morro?
Que consiga escalar
E morar, pois a cidade insiste em segregar as pessoas
Deslizamento, alivio, energias, vida
Sossego, cisma, lar, receio

O que esperar da rua?
Que consigamos ir e voltar
Festa, alegria, euforia, amor, vida
Reencontro, insegurança, medo, morte

O que esperar da gestação?
Que nasça com saúde
Independente que seja menino ou menina
Amor, planejamento, aconteceu, vida
primeira e última viagem, ligar, sofrimento, morte

O que esperar do invisível?
Permanecer atrás da porta
Não querer ser visto, não ouvido, nunca ter existido
Nada, fé, alma, energias, espíritos, vida
Aromas, arrepios, medos, traumas, felicidades

O que esperar do outro?
Que seja a metade que te falta
Ser incompleto esse ser humano
Criatura feita e não acabada, finalizada
Compreensão, lágrimas, afagos, vida
Morte, raiva, intolerância, medo, esperança

O que esperar do acaso?
Que não exista, pois tudo na vida já está determinado
Sua história já está escrita e não tem como mudar seu destino

O que esperar de uma gestação?
Que uma mulher possa desejar, amar, esperar, sonhar
Com uma criança, desde o tempo que ainda não existia

O que esperar de uma gestação?
Que ela consiga vê o mundo aqui fora
Como é triste vê o pesar de uma mãe
Com a morte no ventre daquele que amava
Sem ao menos ter ideia da sua forma, cor, seu rostinho

O que esperar da fé?
Como é desconcertante olhar Lizzandra
E não poder confortar a sua dor
Que não transparece, mas traz inverno pro coração
Quebra a alma, congela e petrifica os mares

O que esperar da vida?
Uma semente que vira muda
Uma muda que vira arbusto
Uma arbusto que vira árvore

O que esperar da morte?
Uma árvore que morre de velhice
Uma árvore que morre por um raio
Uma árvore que morre por um machado

O que esperar da esperança?
Uma semente deixada no solo
Uma semente deixada pra brotar e florir
Uma semente que desaparece, emudece, entristece...

Não espere pela manhã
Não espere pelo amor
Não espere pela certeza

Haja o que houver
Não espere...

                                          Autor: Everton Alves.


quinta-feira, 8 de março de 2018

Vermelho Rubro Carmim

Vermelho Rubro Carmim 


O dia amanheceu
Os pássaros estão tímidos ainda em seus ninhos
Após o temporal da madrugada
O bairro ficou parecendo cachoeira, córrego

Ruas e calçadas tornaram-se
Um caudaloso rio sem uma distinção perfeita
Hoje é 8 do mês de Março

Uma data repetida
Diversas vezes durante a minha vida
Acordo e percebo a claridade
Querendo romper as densas nuvens

Vagarosamente tomo meu banho
Desanimada para ir ao trabalho

Tomo meu café
Simples e majestoso ao meu ver
Faço um pão na frigideira
Acompanhado de uma fatia de saudade

Me coloco em frente ao espelho do banheiro
Escovo meus dentes, bocejo e gargarejo

Vou até meu armário
E pego meu estojo com maquiagem
Escolho o blush, o rímel, o creme demaquilante

Vou ao encontro do espelho
E começo o processo, vou retirando a maquiagem
Que ainda se encontrava sobre minha pele

Passo delineador
Uso o rímel e boto os cílios bem pra cima
Penso em fazer olhos de gato
Mas a moda já passou e um dia ela volta, sempre volta

Vou passar o batom e o esqueço na minha bolsa
Nesse meio tempo vou pensando e olhando pro espelho
Qual tonalidade que usarei hoje?
Tem o vermelho intenso, cereja selvagem
Cobreado vívido, alaranjado da estação, preto névoa...

Mas não me reconheci com nenhum deles
Os minutos passam e decido
Pelo rosa escuro topázio cintilante

Confiro minha bolsa, tudo certo
Não esqueci de nada, sou meia avoada
Olho pra casa, fecho a porta e saio

Vou de encontro ao mundo
Que me espera lá fora
E esqueço que tenho
Um mundo todo meu

Desço as escadas
Vou até a garagem para pegar o carro
Está chovendo muito

E vou ter que me dar esse mimo
Abastecer 4 litros de gasolina á 4,80 o litro
Para poder ir trabalhar na empresa

Encontro o trânsito congestionado
Um verdadeiro caos
Essa cidade é interessante
Pode dar " um pingo na China "
E o tráfego simplesmente para

Apesar que hoje dou um desconto
Está chovendo demais da conta
Chego no destino e pra variar não encontro vaga
Tenho que estacionar distante duas quadras

Chego e fico aliviada
Agora vou trabalhar
E faço tudo de acordo
Aguardando ansiosa o fim do dia

Para retornar pra minha casa e trabalhar nela
Tirar o pó, lavar roupa, botar as coisas em ordem

Meu mundo
Meu trabalho
Minha vida
Dependem apenas de perspectiva.

                                          Autor: Everton Alves.


quarta-feira, 7 de março de 2018

Ofuscando a Penumbra

Ofuscando a Penumbra 


Como está calor, abafado, mormaço
E o suor sem meu consentimento
Vai deixando meus poros

O ato de respirar se torna rarefeito
Os lábios ressecados igual o sertão agreste
E a conversa parece ficar
Cadenciada, devagar, quase parada

Izzadora percebe o meu esforço
Para manter o diálogo, com o corpo encharcado de água
Como eu queria está numa praia, lago, restinga
Mas, estou aqui parado, compenetrado

Por incrível que pareça
Presto atenção em cada palavra, gesto, mensagem

Diálogo prolongado
E o tempo inclemente
Me deixa com um ar de desanimado

Continuo firme no laço
Com vontade de me afogar numa banheira com gelo
O assunto muito me interessa, trabalho, viagem, cinema

Como não ficar ali ouvindo tudo que ela diz
Se a razão e o coração entraram em acordo
Quero ela pra mim e ouvi-lá não é nenhum esforço
É um ato prazeroso e torturante ao mesmo tempo

Como um cabo de guerra
Que não tenho intenção de vencer
Apenas ser arrancado pelo puxão de suas delicadas mãos

Estive um tempo atrás, apaixonado por ela
Magoo-me em demasia na ocasião
Repetindo suas
Meias mentiras
Meias verdades
Meias coragens
Meias vontades

Nos encontramos de novo
Por acaso em um desses bares espalhados na cidade

E me perguntou como estou
Se me encontro namorando, ficando com alguma mulher, moça
Repito o que sempre digo: Estou bem solteiro.
Falo as mesmas mentiras e você as recebe como verdades.

Me despeço e sigo meu caminho
Encobrindo o que sinto

E assim vivo sem dizer que ainda não esqueci o seu jargão
Que era só seu e me encantava em todas as vezes que você falava

Diz que eu não estava errado!
Diz que você me amava afinal!

Dificilmente sua voz irá dizer
Que me amava...
Dificilmente.

                                          Autor: Everton Alves.


segunda-feira, 5 de março de 2018

Codinome Angel

Codinome Angel 



Tem tanto tempo que escrevo
E quero agradecer a mulher
Que por mim tem zelo

Algumas vezes acontece
O raio cair e o seu clarão invadir sua casa, alma, página
Por ela posso inundar uma piscina com versos

Fiquei cego e surdo com o estrondo
Do relâmpago que pulverizou o entorno

Como sou tolo em supor
Que não sou merecedor de virar para-raios

E quero dedicar esse poema
A centelha que clareou minha visão

A quem realmente me acertou
Em lugares escondidos da realidade
Imersos nas águas da metafísica

Não porque ela pediu
Porém, o reconhecimento
É um dom que poucos prestam

Fui apresentado através de uma amiga
Uma moça com o signo de Libra
Muito falante, comunicativa

Não atoa que está cursando
Administração, sua escolha feita de coração

Não conheço ela pessoalmente
Pelas inúmeras conversas que tivemos
Creio que seja uma mulher
Que irradia alegria, força, personalidade

Você que é
A primeira que me lê
A primeira que me vê
A primeira que me enxerga

Só tenho a agradecer
Por ser minha leitora
Desse pequeno blog
Muitíssimo obrigado!

Esse singelo poema dedico a você.

                                         Autor: Everton Alves.


domingo, 4 de março de 2018

O Cálice Derramado

O Cálice Derramado 



Estava me lembrando
De alguns acontecimentos passados
E lembrei de amores que tive
Durante a minha vida

Tantos que passaram
E deixaram algo em comum
Guardados com carinho
Esquecidos durante a caminhada dos dias

Viraram o que todos viram um dia
Vivi todos de forma plena
Fiz tudo que queria fazer
Em cada época, ocasião, situação

Quando iniciamos uma relação
Não pensamos num possível término
Pois vivemos o hoje, mas vivemos
Independente da frase celebre: Nada dura pra sempre

E se pensar bem
Vemos as coisas de outro prisma
Quando estamos de fora
Quando acabou, quando queremos acabar

Não se lamente pelas coisas
Que aconteceram na sua vida
Que bom que aconteceram
E você está aí pra contar histórias

E você virou lembrança na vida de alguém
E esse alguém, por sua vez virou sua lembrança
Quando acordo pela manhã
Vejo todos os dias, na frente de minha janela uma montanha

Sei que atrás dela
Em todos os dias contidos nos anos
Nascem o sol e a lua

Por vezes esse aparecimento
Dos corpos celestes, não tem hora
Não tem condições climáticas adequadas
Mas o seu surgimento é certo

Agradeço por cada relação que tive até hoje
E as guardo com devido carinho na lembrança
E quero me relacionar de novo
Pois, minha alma sente falta da sua

Que está além da razão
Porém tão perto do coração
Espero todos os dias a lua e o sol

E pode ficar tranquila Hellena
Como a montanha não existe para os astros
Ela não existe pra mim também e te vejo ao longe

Sempre na esperança diária de um dia
Também não exista montes
Que te impeçam, de vê a beleza do seu coração

E de me vê
Como aquele que te enxerga
Além das dores, dos medos, das magoas

Dos ressentimentos, das imperfeições
Da sua alma, corpo e coração

Por que você não quer vê?
Por que você não vê?
Por que?

                                          Autor: Everton Alves.


sábado, 3 de março de 2018

O Pêndulo da Lua

O Pêndulo da Lua 


Estou cansado fisicamente
As dores vão se acumulando
Não deixo me abater
Sou forte em plena adversidade

Estou parado, reparando as folhas
Repousadas no chão e percebo
Algumas serem levadas ao sabor da brisa

E sem entender algumas ficam no solo
E suas cores mudam do verde, para amarelo, marrom
Então, num relance tudo muda
As pessoas, a alma, o trovão

Tem algo pairando no ar, que incomoda
Não consigo dizer com minha voz, com frases, palavras
Apenas sinto um arrepio meio doido

Olhando para o firmamento
Posso enxergar claramente
Que Camilla está sofrendo por dentro
E sofro sem poder abraça-la e afugentar sua dor

O que somos nesse mundo?
Desenhos em nuvens que se desfazem em pleno ar
Ou montanhas, rochedos, penhascos que desaparecem por uma prece

O que somos nesse mundo?
Almas que vivem por si e pra si numa coreografia de balé
Ou almas que sentem a falta da companhia da outra

O que somos nesse mundo?
Será que acreditamos que o amor pode florir no deserto
Ou que o amor traz consigo sofrimento, e devemos evitá-lo

O que esperamos desse mundo?
Sermos felizes, tão simples e abrangente como nas literaturas
Ou esperamos que a sociedade dite a conduta plena do individuo

O que esperamos desse mundo?
Que tudo dê certo, que os sonhos se concretizem sem lutas, sem lágrimas
Ou que aja uma mudança de planos, direções, sentidos feita por nós

O que realmente espero?
Ter um coração de uma flor com seus espinhos, defeitos, diferenças
Que procura o mar para se tranquilizar das suas tempestades

O que realmente espero?
Ter o seu afeto Camilla na plenitude
Como o amor-perfeito estampado gentilmente
Entre as diversas flores que enfeitam seu vestido florido.

                                          Autor: Everton Alves.