terça-feira, 13 de março de 2018

Palavras Não Ditas

Palavras Não Ditas 


Quando andava pela rua sem nome
Vi uma luz brilhante num determinado instante
Que vinha, passava e repassava nas ausências

Vi uma Suçuarana da desesperança correndo atrás da sua caça
E na suas costas existia uma estrela sem brilho
Ficou imóvel de tocaia, aguardando o momento para dar o bote
Esperando pacientemente para um ataque perfeito

Vi uma Queixada cronista andando, sonhando, pensando
Na vontade de estar nos braços, do seu bem
Num instante de azar, se viu pego pelo olhar fixo
Vindo de um terreno baldio

Olhou e olhou tentando
Vê a silhueta que gelava o seu corpo
E com medo e pavor do desconhecido
Se pôs a andar com passos miúdos e curtos

E a Suçuarana da desesperança imóvel feito estátua
Ficou admirando a presa desavisada
E pensou: Está tão fácil, se contasse ninguém acreditaria
A presa vindo ao meu encontro

E nesse momento começou a salivar e pensar no jantar
Eu ali vendo um vulto espreitando nos entulhos do terreno
Querendo cravar seus dentes numa carne macia
E o suspense e o terror do desfecho me dava agonia

Não querendo observar
A cena derradeira, me ponho a andar
Num instante qualquer a Queixada cronista
Parou com seus olhos estatelados

Possivelmente percebeu que não tinha escapatória
E parou, começou a tremer que nem vara verde
Lágrimas saíram dos seus olhos e seu corpo retraiu-se

Esperando o caçador atacar na surpresa
Não tinha como escapar de um predador veloz

Por causa disso, a Suçuarana da desesperança
Está numa satisfação sem tamanho
Na sorte que tinha encontrado
Ou no azar da sua vitima avoada, perdida

E num relance o caçador
Colocou-se a correr, numa velocidade impressionante
Não dando chance para a distraída presa

Antes do ocorrido, se ouve um grito estridente
Um alerta repentino, ouvido, repetido
Cuidado! Cuidado! Corra!
Mas já era tarde; já estava nas garras dela

E a Queixada cronista
Se pôs a chorar e a pensar:
Como ele não viu a Suçuarana da desesperança
E caiu dentro da sua boca

Talvez quisesse ser invadido pela dúvida
Talvez quisesse ser invadido pelo medo
Talvez quisesse ser invadido pelo fracasso
Ou quem sabe, foi tomado pela realidade

Fiz uma prece
Afogado nos meus silêncios
Nas adversidades que se abatem sobre mim
Sempre agradecerei, pois temos um ao outro

Agradeço todos os dias
Agradeço por estar vivo, amando, vivendo
Agradeço pelo amor que sinto
Agradeço o amor que recebo da Queixada cronista .

                                          Autor: Everton Alves.




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