Amor Cinzento
O mundo é pequeno
E nos encontramos outra vez
Num certo acontecimento
Uma coreografia de uma dança
Em dupla, que na maioria do tempo
Meu par me deixa sozinha
Uma companhia que
Está do outro lado da mesa
E some como por magia
Mas antes do sumiço, rosna
Grunhe, esperneia que nem criança
Em loja de brinquedos no dia
12 de Outubro
Fico de camarote vendo, reparando
No seu teatro tão costumeiro, com suas falas
Tão ensaiadas que sei de cor
A culpa pelas voltas repentinas são minhas
Desse gafanhoto na minha plantação de amores
Falta de confiança, esperanças nas possíveis mudanças
Na primeira chegada sua
Existia um lindo e frondoso
Laranjal carregado de flores
Com seu sumiço
O que era bonito e vistoso virou um campo rochoso
Com pequenas sementes de lembranças guardadas no solo
Com meu desejo
Meio que mesquinho para que algo
Florescesse futuramente num possível retorno seu
Passou o tempo
E a paisagem antes árida virou
Um pequeno oásis, pronto para que
Outra pessoa amasse
E de repente vejo seu rosto
Ao longe feito miragem e não resisto
Ao seu ataque. E o que pouco tinha virou
Pó na lembrança contida na retina
Outra vez passaste voando
Sem interesse em pousar num terreno
Em que a vida se resumia a musgos
Presos em algumas rochas
Não quis ficar
E fazer florir aquele chão
Que tanto causou decepção
E sumiu na poeira do tempo
E não mais apareceu para destruir
Os planos e sonhos de uma paixão
Aprendi a cultivar
Um jardim subterrâneo abaixo de todas
As desilusões que trouxeram mal
A minha terra
Assim vivenciamos os nossos sonhos
Assim vivemos os nossos afetos
Assim apreciamos as canções
Que falam ao coração, enfim.
Autor: Everton Alves.



