terça-feira, 29 de maio de 2018

Amor Cinzento

Amor Cinzento 


O mundo é pequeno
E nos encontramos outra vez
Num certo acontecimento

Uma coreografia de uma dança
Em dupla, que na maioria do tempo
Meu par me deixa sozinha

Uma companhia que
Está do outro lado da mesa
E some como por magia

Mas antes do sumiço, rosna
Grunhe, esperneia que nem criança
Em loja de brinquedos no dia
12 de Outubro

Fico de camarote vendo, reparando
No seu teatro tão costumeiro, com suas falas
Tão ensaiadas que sei de cor

A culpa pelas voltas repentinas são minhas
Desse gafanhoto na minha plantação de amores
Falta de confiança, esperanças nas possíveis mudanças

Na primeira chegada sua
Existia um lindo e frondoso
Laranjal carregado de flores

Com seu sumiço
O que era bonito e vistoso virou um campo rochoso
Com pequenas sementes de lembranças guardadas no solo

Com meu desejo
Meio que mesquinho para que algo
Florescesse futuramente num possível retorno seu

Passou o tempo
E a paisagem antes árida virou
Um pequeno oásis, pronto para que
Outra pessoa amasse

E de repente vejo seu rosto
Ao longe feito miragem e não resisto
Ao seu ataque. E o que pouco tinha virou
Pó na lembrança contida na retina

Outra vez passaste voando
Sem interesse em pousar num terreno
Em que a vida se resumia a musgos
Presos em algumas rochas

Não quis ficar
E fazer florir aquele chão
Que tanto causou decepção

E sumiu na poeira do tempo
E não mais apareceu para destruir
Os planos e sonhos de uma paixão

Aprendi a cultivar
Um jardim subterrâneo abaixo de todas
As desilusões que trouxeram mal
A minha terra

Assim vivenciamos os nossos sonhos
Assim vivemos os nossos afetos
Assim apreciamos as canções
Que falam ao coração, enfim.

                                          Autor: Everton Alves.



terça-feira, 22 de maio de 2018

Montanha Russa

Montanha Russa 


Passamos por momentos difíceis de explicar
Complicados de externar pelas terras afora
Angustiantes dentro da fonte que provém a fé

Um touro que tem seu ímpeto
De atacar. A carpa perdida
No redemoinho do seu coração

Alma afligida por tentativas
Sem respostas. Do vácuo frio de seus olhos
Corpo corrompido pela dor que escurece
Minha visão canhota

Um touro; animal forte de carácter
Indomável pela sua sorte, cai aos prantos
Entre quatro muros onde esconde
Suas alegrias e pesares

Nos goles de café da sua cozinha
Com paredes descascando na agonia
Do não saber se verá o amanhã tão lindo
Como os nossos dias de convivência
Nas quintas e domingos

Um touro que cai ao chão pela simples
Menção de seu nome num poema de amor

Do peixe perdido em seus problemas
Procurando uma simples flor
Que une a deusa, água, touro e carpa

Essa ventania que não dispersa
As nuvens ali no cantinho do céu
Está grudada por algum propósito
Num minúsculo ponto

E por vezes sentimos
Como se cobrisse tudo de sombras
Pobre impressão de um espírito sofrido
Por aquilo que não tem controle

Um calvário em vários prismas, de inúmeras vidas
A esperança de dias ensolarados que vem nas horas
Em certas e imperceptíveis horas

Essa sensação de felicidade que esvaiu-se
Sem ao menos querer ficar
Repousar um fim de semana na nossa porta

Quando oferecer minha mão
Aceite-a. Meu arco íris de cores desbotadas
Com seu pote de ouro tão resplandecente
Que perdeu a cor e está meio castanho, meio cobreado

No fim das contas a carpa só pode mandar afetos
E contemplar a irritabilidade do pomposo, triste
E teimoso touro, tentando encontrar a flor perdida

Que está por ironia presa
Na sua testa. E traz agonia, desesperanças
Paixões para ambos, no decorrer lento e sinuoso dos dias.

                                          Autor: Everton Alves.


terça-feira, 15 de maio de 2018

Depois da Meia Noite

Depois da Meia Noite 


Quanto tempo caminhando
Numa estrada que sempre quis estar
Na genuidade que guia meu coração

Sonhando sempre com uma chegada
E percebo que realmente a parte
Mais importante estou deixando eclipsada

No intuito simples e sincero
Do que me espera depois da curva
Dessa longa e prazerosa trajetória

Caminho tantos meses ao lado
Da mulher que amo e esse percurso acaba
Por estar em segundo plano. Não falado
Não reverenciado, não agradecido

A soma de todos os esforços
É em parte, tão importante como o fim
De uma jornada estenoante

Que gera imensa satisfação
Apenas em se colocar em fluxo
O movimento também é um sinal
De aprendizado, carinho, ardor

Já fizemos bodas, meu bem
Sei que é uma tradição
Comemorar por datas longas
20, 40, 70 anos de união

É o nosso enlace feito na esperança
E fundamentado na autenticidade
Das palavras, músicas, postagens

Olhares e silhuetas
De fotografias apresentadas
Que não representam nossas vidas
Porém, traduzem um estado de espírito

Em suma, é a representatividade
De nossos desejos ardentes
Em se encontrar mais uma vez

Fale para o mundo que seu amor
Que está além das montanhas
Está comemorando bodas de papel contigo

Na realidade são bodas de amor dedicado
Sentimentos que nos une na vastidão
Da interpretação dos nossos signos
De terra e água

Não espere por Urano
Reorganizar seu mapa astral
Ou o trânsito de Mercúrio
Ou a próxima fase da Lua

Sonhe e sinta-me apesar da distância
Minha cronista de cabelos dourados

O amor atravessa o entendimento
Sublime da lembrança.
                                          Autor: Everton Alves.


terça-feira, 8 de maio de 2018

Flor do Penhasco

Flor do Penhasco 


Hoje estou sentado no cais
Estou tocando o mar suavemente

Minha extremidade inferior
É acariciada docemente pela água

Olho para ela e me vejo
Refletido nas ondulações que a definem tão bem
Calma aos olhos dos outros e inquieta na superfície

O que se esconde debaixo da lâmina
Que separa em duas partes
O interior de sua divindade

Estou com um semblante cansado
Mas tenho um ar de felicidade e alegria
Que vai além dos dias, semanas, meses

Sinto assim por aquilo
Que ainda não tenho, mas tanto almejo
Viver em certo ponto é sempre tentar
Sem a mínima certeza de chegar

Estou satisfeito
Pois, a deusa das águas me ama também
Com seus longos e dourados cabelos que brilham
E irradiam mais luz que esse lindo pôr-do-sol

Posso sonhar?
Você deixa eu sonhar contigo?
Ou pelo menos imaginar seu ser terreno
Me abraçando, me consolando nas adversidades

Tanto tempo que não escrevo seu nome
Que não é ferro ou madeira e sim machado
Não é o seu nome. Apenas um complemento
Da beleza da marca que te identifica nessa Terra

Tenho dúvidas, incertezas, medos
Como qualquer pessoa perdida em alto mar
Todavia me lanço ao cais para confortar-me
Na sua invisível e material presença

Mais uma carta escrita que não é enviada
Porém é lida, sentida nas nuances, amada

Pela constelação de touro
Que declama seus não poemas

Mostrando o afeto que sente
Pela outra margem. Iluminada pela paixão
Que atrai seu olhar em meio as atribulações.

                                          Autor: Everton Alves.


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Sutil Deslize

Sutil Deslize 


Nesse silêncio e nessa solidão noturna
Meus medos aparecem sem cerimônia

Os espelhos que refletem
O que a alma esconde dentro do bosque
Espelham ao mundo o último
Sempre o último lamento

O sangue que escorre da fronte
É visto sem mistérios na sua face
Incrédula marmorizada

Outrora me desfiz
Entre espinhos de um arvoredo
Que me apeguei com carinho
E me fez sangrar dolorosamente

Na traição de um afeto
Rebelado, julgado, condenado
Deixado a própria sorte
Na aspereza de suas mãos tolas

Meus navios
Espreitavam e admiravam
A deusa ritualizando
E afugentando as marés

Colocando-me prostrado
E inerte aos seus pés
Turbulentos e calmos
Contemplando a lua no espaço

Participei fervorosamente do enlace
Cravado na mente resquícios
Do ferimento do famigerado
Esperado, atrapalhado
Travesso e endiabrado cupido

Com os olhos ajuntados
Sobre a flecha lançada
Sua simpatia foi o impulsionador
Da minha queda anunciada

Pelo seu forte gênio, que perturba
A vibração positiva do ser mais zen
O futuro acalenta o pretérito que nunca existiu

E o passado enterrado
Faz redemoinhos no tempo presente
Pensamentos lançados no vazio
Dos seus sentimentos traidores
Que traem a si sem fingir

A rota longínqua
Definida pelo navegador
Não o preparou para a
Inesperada dor infligida pela flor

Com seu cabelo dourado
Amado, evitado nas desilusões
Encerrado, deixado em
Algum canto da memória

Desse homem apaixonado
E incompreendido que grita em voz alta
Para ela ouvir o seu sofrer, enfim

E se arrepende ao se lançar
Nas reviravoltas do acaso

Para enxergar e sentir
O desprezo da mulher que ama
E o deixa de joelhos, segurando
A ínfima chama de esperança.

                                          Autor: Everton Alves.