Flor do Penhasco
Hoje estou sentado no cais
Estou tocando o mar suavemente
Minha extremidade inferior
É acariciada docemente pela água
Olho para ela e me vejo
Refletido nas ondulações que a definem tão bem
Calma aos olhos dos outros e inquieta na superfície
O que se esconde debaixo da lâmina
Que separa em duas partes
O interior de sua divindade
Estou com um semblante cansado
Mas tenho um ar de felicidade e alegria
Que vai além dos dias, semanas, meses
Sinto assim por aquilo
Que ainda não tenho, mas tanto almejo
Viver em certo ponto é sempre tentar
Sem a mínima certeza de chegar
Estou satisfeito
Pois, a deusa das águas me ama também
Com seus longos e dourados cabelos que brilham
E irradiam mais luz que esse lindo pôr-do-sol
Posso sonhar?
Você deixa eu sonhar contigo?
Ou pelo menos imaginar seu ser terreno
Me abraçando, me consolando nas adversidades
Tanto tempo que não escrevo seu nome
Que não é ferro ou madeira e sim machado
Não é o seu nome. Apenas um complemento
Da beleza da marca que te identifica nessa Terra
Tenho dúvidas, incertezas, medos
Como qualquer pessoa perdida em alto mar
Todavia me lanço ao cais para confortar-me
Na sua invisível e material presença
Mais uma carta escrita que não é enviada
Porém é lida, sentida nas nuances, amada
Pela constelação de touro
Que declama seus não poemas
Mostrando o afeto que sente
Pela outra margem. Iluminada pela paixão
Que atrai seu olhar em meio as atribulações.
Autor: Everton Alves.

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