sexta-feira, 4 de maio de 2018

Sutil Deslize

Sutil Deslize 


Nesse silêncio e nessa solidão noturna
Meus medos aparecem sem cerimônia

Os espelhos que refletem
O que a alma esconde dentro do bosque
Espelham ao mundo o último
Sempre o último lamento

O sangue que escorre da fronte
É visto sem mistérios na sua face
Incrédula marmorizada

Outrora me desfiz
Entre espinhos de um arvoredo
Que me apeguei com carinho
E me fez sangrar dolorosamente

Na traição de um afeto
Rebelado, julgado, condenado
Deixado a própria sorte
Na aspereza de suas mãos tolas

Meus navios
Espreitavam e admiravam
A deusa ritualizando
E afugentando as marés

Colocando-me prostrado
E inerte aos seus pés
Turbulentos e calmos
Contemplando a lua no espaço

Participei fervorosamente do enlace
Cravado na mente resquícios
Do ferimento do famigerado
Esperado, atrapalhado
Travesso e endiabrado cupido

Com os olhos ajuntados
Sobre a flecha lançada
Sua simpatia foi o impulsionador
Da minha queda anunciada

Pelo seu forte gênio, que perturba
A vibração positiva do ser mais zen
O futuro acalenta o pretérito que nunca existiu

E o passado enterrado
Faz redemoinhos no tempo presente
Pensamentos lançados no vazio
Dos seus sentimentos traidores
Que traem a si sem fingir

A rota longínqua
Definida pelo navegador
Não o preparou para a
Inesperada dor infligida pela flor

Com seu cabelo dourado
Amado, evitado nas desilusões
Encerrado, deixado em
Algum canto da memória

Desse homem apaixonado
E incompreendido que grita em voz alta
Para ela ouvir o seu sofrer, enfim

E se arrepende ao se lançar
Nas reviravoltas do acaso

Para enxergar e sentir
O desprezo da mulher que ama
E o deixa de joelhos, segurando
A ínfima chama de esperança.

                                          Autor: Everton Alves.


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