Dias Difíceis
Mesmo perdido quero encontrar motivos
Para lançar a flecha através das galáxias e te achar
Meu mar revoltou-se, minha terra estremeceu-se
Meus céus viraram tempestades raivosas na alvorada
Nunca tinha passado pela sensação da injustiça
Posta sobre minha cabeça, feito o filho
De Guilherme Tell no desafio da maçã
Quis chorar copiosamente, compulsivamente
Chorei um fio bem minúsculo pela face estarrecida
Quis gritar para o mundo o que sentia
Engoli a injustiça fria e me senti muito mal por isso
Quis te comunicar o meu sofrimento, mandei mensagem
Telefonema, pombo eletrônico, sinal de fumaça, código morse
E não consegui alcançar-te minha companheira
No redemoinho que se transformou a minha mente
Nem você minha flor me entenderia
No rodopiar de uma dança hindu
O meu coração desalinhou, não por você meu amor
Fiquei afogado na confusão que se alojou no meu silêncio
Engoli muita mágoa goela abaixo
E sua luz resplandecente me acalmou nos dias seguintes
Convivemos a tanto tempo e a ti que recorro
Quando meu mundo é perturbado por uma vibração externa
Uma tormenta que quer derrubar as minhas velas
Nesses momentos a solidão aperta
Me puxando calmamente para sua desolação
Mesmo atormentado por uma
História alheia que não me pertence
Você continua comigo ao meu lado presente
Em minha vida és tu a quem retorno
Para as cartas escritas e nunca enviadas
Rascunhadas e esquecidas sobre a mesa da cozinha
Na hora do café, na hora do chá
Durante um banho refrescante e revigorante
Num domingo insosso e que se arrasta
Pelas horas, minutos, segundos
Estamos sincronizados e envoltos em dúvidas
Que se apresentam e se retiram
Pela simples leitura de uma carta exposta
Porém, nunca entregue pro destinatário
Podemos imaginar uma realidade
Qualquer onde caiba eu e você
Devemos concretizar aquilo
Que queremos a tanto tempo
O senhor de barbas longas que segura a ampulheta
Não aguenta mais presenciar os afetos de
Dois corações apaixonados, distantes fisicamente
E quer que esse enlace floresça, enraíze, fortaleça
As cartas, as crônicas, os poemas derramados
Sempre com um dilema apresentado
Quando a coragem sobrepujará a incerteza
Da cronista e da sua contraparte o poeta.
Autor: Everton Alves.

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