quarta-feira, 18 de abril de 2018

O Uivo do Rouxinol

O Uivo do Rouxinol 


Porque ficaste?
Eu não sei onde o brilho
De meus olhos errou em te querer

Nem o que vem acontecendo
A um tempo, me levando à
Loucura da solidão agora presente

A sua presença se fez ausência
Ao fim inesperado do Tango de Gardel
Você se foi entre os pares e eu fiquei quebrado
Sofrendo, morrendo por dentro na realidade

Me sinto culpado pelo rumo tomado
Desse barco afundando sobre os meus pés
Ficando tanta coisa por dizer, tantos planos por fazer
Tantas declarações que não veram o dia, a noite, o luar

Você se afastou e não deixou nada
Além de uma mente confusa
E uma alma afligida pela dor
A sua súbita indiferença me machuca
E sofro mil vezes em esconder o meu pranto

Porque amaste?
Escrevo uma carta que será
Lançada ao mar sem nenhum alarde
Mas arde na lembrança quando chega a tarde

Ontem o inconsciente tomou conta de mim
E as águas da fonte do meu interior
Transbordaram pela infelicidade de um laço desatado

É desconcertante ter o peito atravessado
Por uma flecha de desamor que traz
Desencanto para o intrépido aviador

Porque me abandonaste?
Me dei conta das tentativas frustadas
Querendo te dar meu mundo
Mais me contentando com migalhas
Que caem de suas mãos ingratas

Quis mostrar o melhor de mim feito o saci
Se equilibrando numa perna só
Nas reviravoltas da sua mudança repentina de humor

Porque te amei?
Hoje ponho meu coração ferido
Numa garrafa para Iemanjá levar além mar
Para uma moça, que me dê valor possa encontrá-la

Quem não quer enraizar agora sou eu
Vou embora no breu que restou do seu adeus
A farsa de uma vida doada pra nada

Meu jardim que você regava com sua alegre presença
Secou, definhou e não a nada o que fazer por agora
Que faça o beija-flor procurar refugio
E carinho em uma pétala de flor.

                                          Autor: Everton Alves.

  

Nenhum comentário:

Postar um comentário