Luminescência Discreta
Meses a fio no navio
Que naufraguei num arrepio
Contido no som perdido de um sino
Passei no tino do timoneiro
Que permanecia imóvel durante o desespero
Da recusa aflorada num jardim sem rosas
Estremeceu a última anedota
Que continha a nota sem rima
De uma pequena história
Balançou o convés
No revés dos caracóis que enfeitavam
O seu cabelo preto e sereno ao findar da tarde
Derrubou-me
Como uma nuvem de marimbondos ou abelhas
De uma destreza. Vinda em galope. Sorrateira
Ofuscou-me
As imagens projetadas pelo sentimento
Genuíno e frágil como o cálice do vinho
Da festa daquela noite, que ainda sinto ardente
Liberou-me
Para zarpar para qualquer lugar
Que não seja ela o destino final
Libertou-me
Para emaranhar-me nas teias das aranhas
Que tecem as dúvidas dos meus poemas apaixonados
Liberou-me
Para entender que mesmo do outro lado do monte
Prefere o anonimato em não saber pra onde ir
E a quem quer abraçar e ninar
No meio das palavras recitadas
Das mensagens demonstradas e algumas rascunhadas
Em folhas que não verão a luz do vaga-lume em seu abajur
Liberou me
Pra dizer que tudo que passamos, evitando um ao outro
Como pólos de imãs teimosos e muito pouco corajosos
Conformados em parte; com o andamento pequenez desse sútil enlace
Que não ata e por vontades de ambos não desata
O que prende um ser no outro?
O que prende a lua sobre os nossos sonhos
Noturnos, diurnos, no crepúsculo?
Porque é tão difícil juntar um pisciano e uma canceriana?
Porém, como um ato de esperança feita numa oração
Dita no silêncio do vento frio de outono
Ah! Amanda, como são complicados os corações apaixonados
Que não aceitam o que sentem nessa vida
Que vivem distanciados afetivamente
E tão próximos, como um cafuné feito de repente
É tanto amor posto sobre a mesa todos os dias
Que nos assemelhamos a covardes errantes
Transpirando amor. Nas frases por nós digitadas.
Autor: Everton Alves.

Nenhum comentário:
Postar um comentário