terça-feira, 30 de outubro de 2018

Amanda e a Tempestade

Amanda e a Tempestade


Como alguém pode pensar em passar
Por uma vida sem conhecê-la ? Não tem como !
É um grande pesar passar pelas ruas e não a
Observar serena no seu andar , com a cabeça e
Coração em outro lugar

Numa volta no seu carro é indescritível
O seu jeito doce de guiar , pelas avenidas e
Ruas que não reparamos . Apenas nela , que
Com sua delicadeza ao dirigir deixa até o
Instrutor com inveja de ensinar

Na praça onde para descansar , das
Caminhadas semanais se põe a olhar para
O firmamento do céu . Já te falei ? Que é
Uma visão amorosa apenas observa-la .
Elevando sua face até as nuvens e seu olhar
Começa a imaginar formas só suas ;
Na imensidão do ar

Teria uma tristeza profunda se alguém
Me dissesse , que pessoa tão especial não
Existe nesse lugar . Selva de pedra ,
Pessoas andando depressa . Que não
Conhecem por muitas vezes os vizinhos ,
Que moram no mesmo andar . Por vários
Incontáveis anos a se encontrar

Não tem como não perceber a sua
Presença na chegada da padaria . Ela sentada
Na mesinha decorada . E sua xícara com chá .
Esperando esfriar para em seguida tomar , o
Gole de ternura e alivio das tardes dessa cidade

Graças aos céus ; até aonde sei , ela não casou .
E muito menos tem um amor fincado ou desajeitado ,
No sofá nos domingos sem graça dessa avenida
Comprida onde fica sua casa . No bairro dos santos
Sem nomes e placas de ruas coloridas , que como
Magia mudam com o iluminar do seu olhar

Poderia escrever até me cansar . Mas , esse dia
Dificilmente chegará . Mesmo se a mulher de
Cabelos loiros não me amar . Estarei aqui para
Admirar a força contida nas suas decisões ,
Na sua vida , que a conduz com maestria

E na cara amarrada ; quando acontece ou vê algo
Que não lhe agrada . Quando acorda de manhã sem
Vontade de fazer nada . Apenas esquecer que o dia
Amanheceu . E o seu mau humor matinal continua
Aparecendo , dia não e outro também

Admiro cada coisinha que ela conquista em
Sua vida , e mesmo que me queira longe , junto estarei .
Pois , quem ama entende . Compreende , surpreende ,
Espera pacientemente ; o seu par . Aguarda organizar tudo
Que se encontra meio desencontrado , nos seus
Devidos lugares

Como agradeço por ter te conhecido , e por um
Breve período ter convivido contigo . Ânimo na
Caminhada mesmo pesada . Se sentindo sozinha
Sem meu ombro ao seu lado te dando força ,
Te apoiando , te consolando

Minha flor vive sem meus olhos , sem meu sorrisos ,
Sem minha alegria pela sua presença , sem o som grave
Da minha voz , sem as expressões do meu rosto

Minha flor continua vivendo sem a lembrança da
Minha calça jeans nas noites , mesmo sem minha
Presença numa cadeira , saiba que o mundo pode
Te fazer triste , as pessoas podem te magoar , as contas
Podem atrasar

Mas eu te dou o que mais bonito , singelo , que possuo .
Meu olhar companheiro , minha voz amiga , meus
Momentos diários divididos contigo , meu sorriso .
Não consigo caminhar sem sua presença
Amorosa ao meu lado .

E espero ansiosamente o nosso reencontro .
Já imaginou nós dois frente a frente ? Talvez o que
Tanto espera aconteça ; olhares trocados e
Simplesmente nada acontecer

Sermos percebidos um pelo outro como
Dois estranhos , apaixonados e distantes um do outro .
Lágrimas podem aparecer , na sua face ou na minha

Poderemos nos cumprimentar amistosamente e cada
Um seguir seu caminho . Poderemos talvez , parar de
Esconder o que a gente sente e se entregar finalmente

Ou fingir que nunca trocamos cartas , nunca falamos
De sentimentos . E de qualquer forma sua vida volta
A normalidade , como se nada tivesse acontecido

Mas só saberei quando nos reencontrarmos .
Pois , continuo querendo lhe ter nos meus braços .
Mesmo depois de tanto tempo , de caminhada .


                                          Autor: Everton Alves.


sábado, 27 de outubro de 2018

Jayne

Jayne 


Me veja como as ondas que tocam suavemente a areia ,
E procuram levar consigo banhista desavisados , para
Seu abraço terno e sincero

Procure descansar pela sinfonia do seu vai e vem
Sobre as pedras , que trazem o canto perdido
Das mitológicas sereias

Me perceba , através da brisa úmida que refresca sua
Pele macia nos calorosos e abafados dias do verão .
Deixa-se envolver pela fragrância trazida pelas flores
Ao seu corpo divino . Respire e transpire felicidade por
Todas as vezes que o vento fizer você lembrar de mim

Me sinta diariamente durante as 24 horas do dia . Durante
Os nossos silêncios , procure pelo som inaudível das batidas
Do meu coração . O fervor da rua esperando a sua volta ,
A luz do meu olhar sereno sobre o seu , que observa
O pulsar inconstante de nossas vidas

Me ouça , quando viramos canção ; que não sabemos direito
Cantá-la , que erramos a letra , que erramos por vezes o ritmo .
Mas , a melodia ultrapassa o entendimento de qualquer coração ,
Por mais frio que pareça e mais distante que esteja

Me chame nas horas que tudo ficar confuso na sua mente .
A vida parecer que não vai para frente , e o medo da solidão
Começar a te envolver novamente

E o céu não tiver tantas estrelas . E se , as últimas que sobraram
Parecerem faíscas que cintilam no firmamento de suas dúvidas .
Não se entregue tão facilmente , o dia tem a lua e a noite tem o sol .
Me deixe lhe mostrar a beleza que você momentaneamente esqueceu ,
Nas reviravoltas doídas da perda repentina de uma paixão

Me espere chegar com os chás da manhã ;
Camomila para acalmar , uma conversada descontraída que anima .
Erva cidreira para levantar , uma dança improvisada e coreografia
Inventada no chão da cozinha . Capim limão para elevar os sentidos
Por agora adormecidos , retraídos pelo silêncio esmagador da noite ,
Que invade sem pedir licença seu resto de dor

Me encontre na soleira da porta , que nos levam a vários lugares ,
Alguns desabitados outros cheios de vida . Não tema o desencontro ,
Mas evite os encontros tortos da beleza que engana e também
Ensina no fim das contas

Na hora da tempestade e o raio iluminar as nuvens escuras
Contidas na sua vivência , repare a lua , a igreja matriz , as praças ,
As ruas , as casas , os comércios , os jardins que guardam tesouros e
Revelam por vezes desgostos . Por um jardineiro pouco habilidoso
Com as belezas , mistérios , desejos do coração

Sejamos um para o outro luz de farol . Para nunca perdemos a
Intenção de voltar a ver , sentir , viver dias melhores , por mais
Escuros que os dias presentes pareçam ser

Que as ondas da felicidade , possam levar a maioria das
Coisas para seu interior . Mesmo que sobre algo em nossas
Mãos , aprenderemos que podemos e devemos por nós mesmos ,
Recomeçar tantas vezes forem necessárias para esquecer a dor

Esse possível amor ; provavelmente se iniciou com o despedaçar ,
Inesperado da rosa . Enraizada na rocha de arenito ; na planície de
Inundação do rio das águas incertas , promessas não cumpridas e
Sombras das esperanças vividas .
                                     

                                          Autor: Everton Alves.


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

O Monte Jayanti

O Monte Jayanti


Estava no meio do nada . Caminhando com
O sol a pino na planície nepalense . Fui buscar
Paz de espírito e entender a minha vida , que
Está sempre desconectando de algum lugar .
Parece que certas coisas não estão
Se encaixando
Vi na televisão que os gurus daqui , curam
Os males espirituais dos viajantes . Com um
Ritual de preces e mantras que são repetidos
Inúmeras vezes até chegar num estado zen ,
De plenitude
Peguei um vôo até a vila no pé da montanha
Samyukta , onde os sábios passam sua terapia
Revigorante num pequeno templo quase no
Cume da montanha

Saí da cidade onde estava , já faz 2 dias . E
Ainda tenho 3 dias de peregrinação solitária .
No caminho , buscando o sagrado que me espera
No alto daquele monte
Meu guia nessa aventura é um senhor de
Meia idade chamado Saroj Kumar Jha que é
Muito animado , tem uma alegria que transparece
Além das nossas diferenças no idioma , na
Resolução de problemas e obstáculos
Que aparecem no nosso trajeto
Ele tem uma esposa e uma filhinha . Não sou
Muito aberto para falar da minha família , e
Das pessoas que tenho alguma ligação afetiva .
Sou divorciado e não contei isso para ele . Apenas
Para não nos perdemos , nas conversas amistosas .
E esquecermos do objetivo a qual eu me dispus
A vir até aqui

Praticamente metade da distância do mundo !
Se tivesse um pouco mais de dinheiro e tempo
Iria até o Japão

Começou a chover uma chuva grossa , nos
Obrigando a fazer uma parada no povoado
De Aayusha a vila do bisão . Animal adorado
Pela cultura local
Ficamos debaixo de uma marquise de uma
Vendinha e achava estranho casas tão simples ,
Cheias de remendos , sem pinturas , com as madeiras
Podres das portas e janelas . E todas as casas a um
Bom tempo sem uma reforma
E mesmo com tão pouco ; vejo um pouco
De alegria nos seus rostos correndo debaixo
Da chuva , das mulheres, dos homens e as crianças
Pulando nas poças de água , e não ligando em tomar
Um banho de chuva

A tormenta deu uma trégua . E começamos a
Nos movimentar para o destino final . Coloquei
A mochila e cada passo que dava me sentia mais
Aliviado , sensação estranha que não dá para
Expressar em palavras
E lembrei daquela que procuro entender e esquecer !
Que muito me magoou ; não pelas palavras ditas e sim
Por aquelas omitidas . Sofrer por algo que não foi dito ,
Esse é um bom motivo , para ir para longe de tudo

Porque não fala o que senti ?
Tem sempre que esconder da gente

E um pensamento vago vem na mente, de um
Tempo antes da viagem, quando te amava muito e
Sempre tinha aquele capacho humano aos seus pés .
Creio que ainda está a te rondar , como um bom
Cachorro que não larga o osso . Me afasto do tipo de
Homem que esse tal Saulo de Tarso convertido se sujeita .
Se sujeita a ser apenas o amigo da friendzone e mais nada .
Trocam frases arcaicas em pleno século XXI . Não absorveram
O clima da atualidade . Até o jeito de falar , se expressar e ser
Um homem subjugado , ao charme de uma mulher mais nova

O que não faz um senhor da 3ª idade , para se sentir no meio
Da juventude . Mas é tão burro , que nunca a terá deitada ao seu
Lado depois de um momento tórrido de amor . Do outro lado
Da cama , do carro , da vida
Um homem que se contenta em ser trouxa ; em parecer trouxa ,
Em ser percebido como trouxa . E o pior , saber e se sentir trouxa .
Por uma mulher que tem outros atributos , além da beleza que
Você segue cegamente . Como uma ordinária luz , fraquinha
Na imensidão da noite
Sai dessa ! Ainda há tempo . Se ele pudesse me ler , encontraria
Uma forma de virar o jogo a seu favor . E não ser um escravo das
Migalhas , jogadas aos pombos da praça

Chego até o templo , com uma cara bem características das
Construções daqui . Não tinha ninguém . O guia disse que eles
Passam o dia pastorando e cuidando de suas agriculturas . E
Mais de tardinha eles retornariam
Fiquei sentado dentro de uma sala e o guia foi visitar o
Local que ele frequentava na infância até quase a idade
Da adolescência . E fiquei reparando na mesinha no canto ,
Num tom vermelho chamuscado
Parecendo que sobreviveu algum episódio de incêndio .
Mas não aqui , pois a estrutura não tem sinais que foi
Acometida pelo fogo . Nem num período mais antigo e
Nem atualmente
Que história pode contar esse móvel ? Quem o fabricou ?
Por quantos lugares frequentou ? Até parar num determinado
Lugar e ser atacado pelas chamas , que hora destroem para
Dar vida a posteriori

E em cima , uma cuia desenhada com as gravuras locais . E
Tem uma rachadura , falta um pedaço considerável . Como
Pode alguém beber sopa ali , seria uma desvantagem com os demais .
Sempre achar que seu conteúdo não está completo ou que
Falta algo para ser inteiro
E tinha umas ervas queimadas , que exalavam um aroma
Adocicado . Sempre quando temos uma vaga noção desses lugares
Não imaginamos que utilizem nos seus rituais matérias locais .
Estamos sempre com o pensamento , incenso queimando e
Um mantra simples - Aaa Uuuum -  , sendo repetido a exaustão .

Aproveitei o momento sozinho para descansar . E de repente ,
Uma senhora aparece e me pergunta : Se estou perdido ?
Respondi : Que estou procurando alivio para minhas aflições ,
Dores que acometem minha alma e coração , magoado pela
Deusa da tempestade
Ela diz , para refazer o caminho da cidade onde comecei a
Minha jornada . E chegando lá , retornar para ouvir os
Ensinamentos que irão por fim ao meu sofrimento .
Senhora , não tem como . Já estou nesse país há 5 dias ,
Tenho só mais 2 dias de estada , depois vou ter
Que voltar para casa

E a mestra que atende os moradores da região , esses dias
Ela se encontra adoentada . E está internada , para se recuperar .
Na cidade que fica a 2 dias e meio de viagem . Me desculpe ,
se não lhe dou boas notícias
Que isso senhora , que bom que me disse o que ocorreu .
Senão , ficaria agarrado aqui até a tardinha . Vou procurar o
Meu guia e retornarei para a vila . E depois , para a cidade que
Tão bem me acolheu
Rapaz ! Me deixa lhe dar uma lembrança do templo . Toma
Essa profusão de ervas , envolvidas nesse tecido . Obrigado ,
Senhora fique em paz ! Que a paz lhe acompanhe ,
Até a sua terra

Desci a montanha com um ar decepcionado , por atravessar
Meio mundo atoa . Passei pela vila e me despedi de alguns
Moradores . E fui direto para o hotel e na varandinha
Resolvi acender as ervas . Para aromatizar o ambiente .
Me deixar mais próximo daquele lugar mágico , a qual visitei
Desembrulho o ramalhete com diversas folhas ressecadas
E retiro o pano vermelho escuro . E lembro da mulher
A qual amo . E  que por algum motivo , está querendo ficar
Distante desse homem que a ama
Vou utilizar um pedaço desse pano como braseiro . E assim ,
Fazer que as chamas virem cinzas . Que vão agir mais
Tempo consumindo as ervas

Quando começo a abri-lo para cortá-lo , vejo que há uma
inscrição feita do punho de alguém . São palavras de um
certo alguém chamado Krishnamurti , que diz : 

 " Yadi hāmī vāstavamā samasyā bujhdachauṁ bhanē ,
javāpha uhām̐bāṭa ā'unuhunēcha , kinabhanē javāpha samasyābāṭa alaga chaina ."


Autor: Everton Alves.



sábado, 20 de outubro de 2018

Mariza

Mariza


A arte de aprender só traz benefícios
As nossas vidas e aumentará com o
Tempo a conexão entre nós

Atraído por seu perfil doce , tranquila .
O seu olhar demonstra brandura e paro
Para pensar nos detalhes que me
Levam até aqui

O poder da sua sedução está presente
Na sua postura frente esse mundo .
Fico admirando sua simplicidade
No caminhar e demonstrar seus afetos

Imaginando quando contava os
Azulejos da cozinha , que antes coloridos
E cheios de vida , caem pela parede e se
Transformam num monte de cacos sem vida .
Sem lembranças , sem identificação nos
Cantos do cômodo dessa casa , um tanto
Abandonada desde a última reforma

Imagino seu cabelo encaracolado
Solto ao vento , numa noite qualquer .
É só um devaneio de um coração sofrido
Que procura um jeito de recomeçar

Sua autenticidade vai além das
Capas das revistas , poses no instagram e
Recordações espalhadas pelas redes sociais .
Tem essa essência bonita que governa sua vida ,
Que atrai paixões e afasta as falsas amizades

Tem uma maleabilidade de uma mulher
Apaixonada , que tem uma enorme força
Interior . Que reflete na sua face , em ser a
Mulher que quer ser

É esse emaranhado de qualidades e defeitos
Únicos que definem a beleza de ser você , e
A felicidade que dá em conviver contigo

Me derreto por sua personalidade , quando
Muda sua postura e adquire um novo tom
De voz . Sincronizados com movimentos
Suaves dos seus gestos

Agradeço pela conversas harmoniosas ,
Descontraídas e que trazem um pouco
De alivio a essa alma cansada e esquecida
Pela mulher a qual muito amei .


                                          Autor: Everton Alves.


Jéssica

Jéssica 


O olhar fixo da mulher que me fitava e
Nunca percebia , depois de uma encarada .
Ela entre suas conhecidas e eu admirando
Suas costas iluminadas

Por uma aura que desperta desejos carnais .
Sua voz grave e escrachada , que vai além
Da audição da gente

Após , quase uma vida sendo desprezado pela
Deusa da tempestade . Que se encontra mais distante ,
Entre as minhas lembranças . Culpa exclusivamente
Dela . Que me deixou abandonado , perdido , carente

E desejando a cada dia , estar mais perdido
Longe de suas vistas . Que só quer me ter ,
Quando precisa de alguma inspiração . Para
Dar algum sentindo em sua vida sofrida

Qual o medo que uma deusa pode ter ?

Um ser que não tem obrigação de se envolver
Com os mortais . Não precisa experimentar , os
Sentimentos humanos conflitantes

A vida dessa divindade é a mais chata de todas .
Desprovida de emoção e realização , é só ela na
Escuridão da manhã e no entristecer da noite

Embora pareça que tenha sido intencional , a
Primeira vez que nossos olhares conversaram .
E um possível novo começo , passou pela minha mente .
Pela mulher de cabelos negros e sorriso marcante .
Que me acolheu discretamente , no seu olhar falante

Olho para o céu , olho para o horizonte e não vejo
Ou ouço as lamentações da deusa . Creio que esteja
Confinada dentro de seu mundo , de falsas certezas

E espero que algum dia , um pouco de humanidade ,
Possa invadir sua alma insensível e distante de tudo .
Que seja mostrada a fragilidade da sua alma perdida .
Que procura ser achada ; compreendida e quem sabe amada .


                                          Autor: Everton Alves.


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

O Vazio do Cometa

O Vazio do Cometa


Boa noite aonde estejas ! Quero que saiba
Que meu corpo está sentindo sua falta .
São inúmeras queixas , que quero a todo
Momento respondê-las e não sei como fazer .

Tenho esperança , que tudo de certo entre
As partes que compõe essa mulher que tanto
Amou e se dedicou . Em algo que pensava até
Um certo momento ser eterno

Não sou de romantizar , aquilo que já se desfez
Entre as nossas mãos . Porém , volta e meia sinto
O seu corpo no meu . Seu cheiro pela casa , nas
Minhas roupas . E você está meio que impregnado
Nas lembranças sofridas , porém vividas contigo

Estou com um pouco de dificuldade , em me
Desapegar dos lugares em que frequentamos .
Mesmo de passagem e nas paisagens que faziam
Parte de nossas vidas . Mesmo as olhando de fora ,
E agora expondo-as para ti

Não sei mais , o que dizer para o meu estômago .
As borboletas que voavam no seu interior , estão
Mortas ou desaparecidas . E um enjoo que sinto
Toda vez que vem à memória , que fui trocada

Mesmo sendo tão boa pra você ! Te digo : que não
Sei por que , pulou a cerca . Será que ela sente o nó
Na garganta , toda vez que você me destratava . E
Eu sem muito o que falar , fechava o meu pranto bem
De mansinho , minhas lágrimas brotavam e escorriam
Encharcando minha cama , travesseiro , coração

E como você me sufocava , ultimamente . O meu
Pulmão me lembrou do fato agorinha . E como ele
Sofreu com uma desconfiança repentina , caçando
Brigas por coisa pouca . E na maioria das vezes , fazia
Tempestades em copos d'água , por nada ; pra nada

Ficava tensa as minhas articulações . Só em ouvir
A respeito de algum boato de alguém , em que dizia
Que você  não prestava , não valia o prato que comia ,
Que me traia . E alguns dos meus amigos me afastei
Por causa de mim mesma , que não via além do que
Queria ver . E me sentia presa a você . Na ilusão de uma
Mulher apaixonada , corajosa , conformada

Quando você surgia no alto mar oculto . Meu alegre
E festeiro coração se alegrava . E o dia mais nublado ,
Chuvoso , frio , cheio de problemas , se tornava primavera .
Na simples percepção da sua presença , e mal sabia , que
O inverso provavelmente já sentia por outra

Agora o que sobrou ? Foi uma sensação ruim . Que arrepia
Minha pele da derme a epiderme . Um calafrio que deixa
Tudo febril , com um ar atordoante . Em tudo que você
Bagunçou e deixou para lá . Esqueceu a mulher para
Quem dizia amar , confiar e nunca magoar

A minha mente está confusa . Me sinto culpada pelo
Deslize seu . Será que fiz algo que não devia ? Ou será
Que a grama da vizinha é mais verde ? Sempre fui uma
Mulher presente em sua vida . Mesmo sendo recompensada
Por várias ausências suas

Vou me divertir . Com o passar do tempo , voltarei a ver
Flores pelo caminho . E hoje , sigo sozinha . Amparada
Por um fio de coragem e esperança no recomeço

Vou cantar debaixo do chuveiro . Ensaiar uns passos
Desencontrados de uma dança . Ouvindo uma música
Que me encha de fé e confiança . Acreditando num futuro ;
Onde serei amada , verdadeiramente

Pois , não trai a quem muito amava . E no desconcerto
Que me deixou ; dou como favas contadas , todo mal
Que me causou . E dançando , vejo que posso ser o
Desejo de alguém ! Adeus , passar bem .


                                          Autor: Everton Alves.



terça-feira, 16 de outubro de 2018

O Andarilho e a Cobra Falsa-Coral

O Andarilho e a Cobra Falsa-Coral


Quando tropecei e quase esbarrei na Laura sua amiga ,
Que até aquele instante não sabia . Distraído olhando para
O que se encontrava bem na minha frente , sentada no
Meio de tanta gente

Fiquei atordoado na segunda ou quinta vez que meus olhos
Se espelharam nos seus . E fiquei mudo , quando seu corpo
Juvenil atravessava o espaço da carteiras da sala de aula

E vai seguindo rumo por mim ignorado , em parte .
Querendo saber onde seus pés inquietos te levam , te arrastam
O que tem lá fora ? Que tanto instiga seu corpo a procurar movimento

O que chama a minha atenção , é sempre esse seu movimentar ,
Que dificilmente sossega num mesmo lugar . Sempre tem uma luz ,
Um som , um verso a te guiar , para algum lugar que desconheço .
E fico imaginando como seria bom , estar lá a ti esperar

Tropecei outra vez . Agora  caí sem querer , bem na sua frente .
Com uma vergonha imensa soltei um sorriso , talvez o amor seja
Um estímulo não programado , que transborda para fora sem ao
Menos percebemos . E sem muito o que dizer , sentei ao seu lado .
E puxei assunto : Que cor de batom é esse na sua boca ? me olhou e
Sorriu , me respondeu : é o mais em conta . Como achei graça !

O tempo se arrastou e uma cumplicidade nasceu .
Com diferenças sendo mostradas e igualdades sendo
Derramadas nas noites , nas tardes , em nossas realidades .
Quando no fim da aula suas amigas e você se reuniram ,
Eu pude ouvir : Quando vai tomar um vinho com ele ?

Você olhou para mim . E num sorriso , com um pouco de malícia
Disse : Eu ainda não sei . Mas , como nada é tão bonito como
Nos folhetins das novelas água com açúcar das 18 horas . Seu
Ponteiro da bússola , estava-se encantando pelo moço que sempre
Escrevia numa agenda as aulas . E nada falava . Apenas via , que ele
Se encontrava compenetrado , interessado

E as flores que vi na chegada , não via mais . E as flores que vi
No percurso ainda via . E admirava as flores que brotavam em ti ,
Por causa do moço de cabelos loiros e sorriso discreto

E o trem desandou . Quando a moça do batom rubro disse
Estar apaixonada por mim . E apenas não poderia namorar
Comigo , pois não era o momento de se entregar , para aquele
Que sempre tropeçava . E iria no fim de semana no barzinho
Do morro santo com o rapaz loiro , apenas para distrair-se .

Entendo a solidão da medusa , em petrificar os homens
Que contemplavam sua beleza ímpar . Você coloca em stand by
As esperanças e corações daqueles que ousam querer-te .
Moça que sabe manipular a alma dos desavisados . Almejo o incerto .
E esqueço de olhar na direção oposta , aos seus olhos de outrora .


                                          Autor: Everton Alves.




sábado, 13 de outubro de 2018

A Flor Enluarada

A Flor Enluarada 


Esse rio ninguém conhece . E , ele próprio se desconhece .
Ele é um rio intermitente , com as mudanças das estações que
Hoje em dia não são bem marcadas

Me lembro dele quando era um fiozinho d'água escorrendo
Entre as pedras e os lodos . Era tão comum e ordinário , que ninguém
Dava nada por ele . Ninguém se importava ; era desimportante

E vinha o período da estiagem . E ele sumia . E por milagre na
Sua nascente , um pouco de água límpida era possível ver , no
Meio da grota dos amores que nos enganam

Desde que me lembro , ele nunca desistiu . Mesmo que as
Estações sempre o deixavam abandonado a sua própria sorte .
Como um bambu que enverga perante a mais raivosa tempestade ,
Mas com um olhar de indiferença , quebra-se ao meio ; na brisa
Feita pelas asas apressadas e delicadas de um beija-flor

Ele é persistente . Mesmo com tudo contra ele . Está ali
Pulsando vida , do jeito dele . Mais uma vez , as estações o deixaram
Sozinho . E na solidão se volta para a única planta em todo a floresta ,
Que ainda mesmo virada para outros caminhos , traz consolo ao
Seu coração . Que tinha tudo para ser frio e duro feito pedra na
Sua triste desilusão

Mas , brilha se a luz do luar o incidir numa determinada direção .
É ouro bem brilhoso de aluvião . Um rio que emana luz de forma
Improvável , recorrentemente no ambiente frio da solidão

De uns meses para cá , dava um prazer enorme em ver o rio caudaloso .
Molhando as margens , dando vida para a floresta . E tudo era tão vistoso .
Não consigo expressar com palavras , como um ser de água foi deixado
Abandonado da pior forma ; sem saber do fato . Ele trazia harmonia para
Uma margem irregular , que quando era dia queria ser noite e quando
Era noite ; esquecia que era margem

Nunca tinha visto um enlace tão bonito . Até que uns dias para trás ,
A margem começou a querer matar o rio . Silenciar sua voz tão bonita ,
Que poucos conseguiam apreciar na queda d'água

Ela começou a desbarrancar suas margens para dentro dele . Não se engane ,
Não vá pensando que são suas melhores partes ; as árvores frondosas ,
A mata exuberante , os animais únicos , o ar refrescante . Ela quis silenciá-lo
E por tabela matá-lo . De uma vez , sem deixar testemunhas . Só não
Estava esperando que um pescador , tira mais poesia do seu labor
Que qualquer escritor

E começou a empurrar tudo que nela não prestava ; a areia da incompreensão ,
As raízes da dúvidas , as árvores mortas da sua pequenez , a terra árida das
Suas mentiras , as palafitas dos seus medos , o rejeito da sua alma sofrida

O rio sem entender o que estava acontecendo , tentou em vão acalmar
Aquilo que desconhecia . Naquela sinuosa margem em que tanto amou .
Ela irredutível , ser de alma pequena e pensamento premeditado , empurrou
Tudo que simboliza a suas amarguras e limitações para o rio

Nunca na minha vida vou esquecer , aquela pororoca . Onde aquele rio forte ,
Caudaloso , cheio de esperança ; que amava todos os dias a natureza que
Ele fez brotar , nas margens secas de outrora . Sendo assoreado , pela margem .
Com sua auto baixa estima tão presente , mesmo nos meses de
Inúmeras felicidades

Hoje o rio secou . De onde ele está , não consegue ver , sentir , saber ou
Vislumbrar na reminiscência a margem ; antes tão cheia de vida juntos .
E agora , nesse filete só resta pedras ; areia , folhas secas , o céu , o sol ,
A noite , o frio , uma metade da roda de uma carroça e duas pétalas da flor
Que um dia simbolizou o ciclo imperfeito do amor .


                                          Autor: Everton Alves.


domingo, 7 de outubro de 2018

Negativo do Filme

Negativo do Filme 


Esses dias estou um pouco chateado com um rapaz
Intitulado gota d'água . Esse moço é um grande enrolador .
E falastrão . Disse que já viajou para o outro lado do mundo
E viveu 20 anos no Japão . Mas , é estranho ! ele só tem 19 anos

Talvez seja um viajante , do tempo que ainda não ocorreu .
Se for isso - me passa os números da megasena - ou diga que fim
Levou aquela que muito me amou . Sempre no meio de um grupo
Bem destacado . É o único com sotaque . Quando diz a famigerada
Palavra porta . Não tem como esconder , de onde ele veio

Nunca tinha o visto por aqui . Até bem dizer , uns 2 meses atrás .
Ele fazia o trabalho nos computadores aqui da firma , foi contratado
Para esse fim . Fazer manutenção nos computadores e qualquer
Problema reportar para seus superiores

Aconteceu um problema . E o gota d'água não apareceu para trabalhar .
Ligamos para o setor responsável para a solução do imbróglio ,
E a telefonista disse , que o moço responsável já estava aqui desde a manhã .
Não vimos ele o dia todo e já era 4 horas da tarde

Os computadores voltaram a funcionar como por milagre . Mas ,
Surgiu um outro problema . Algumas máquinas voltaram com senhas .
Impedindo várias pessoas de trabalhar . O técnico tinha 10 dias que
Não ia trabalhar , pelo menos não na nossa empresa . Resolvemos escolher
Um de nós para encabeçar a avalanche de reclamações , me ofereci para
Ser o porta voz e o solucionador das inúmeras queixas

Liguei para o setor de TI e contei toda a história e fui transferido para
O responsável pelo setor . Que me prometeu e cumpriu o que tinha me dito .
Que iria conversar com ele e saber o que realmente estava acontecendo

No dia seguinte ele apareceu . Com uma cara um tanto abatida , com um
Semblante bem marcado de insatisfação . Fez os reparos necessários , não deu
Nem boa tarde . Não falou com ninguém e seguiu o seu caminho
Num pesado silêncio

Passou 1 mês e meio mais ou menos , tudo funcionando na santa paz e
De repente sem mais nem menos , alguns computadores travaram na tela
De loading . Desligamos e religamos . E nada . O problema persistia ,
Como era no início da manhã , todos pensaram : o técnico vai chegar e em
poucos minutos poderemos trabalhar

Liguei para o setor de TI . E fui informado que o técnico não foi trabalhar .
Era o 1° dia do mês . E que no dia 02 seria seu dia de folga . E no dia 03
Seria feriado . E não tinha um outro especialista para mandar , pois
Os demais estavam em diligência em distantes municípios , instalando
Redes complexas de automação

Conseguimos resolver os problemas de 3 computadores , mas tinha 4
Sem condições de uso . E no dia depois do feriado ligamos e fomos
Informados , que ele pediu desligamento do trabalho . Sem dar nenhum
Detalhe do caso , simplesmente largou o serviço . E que iriam  mandar
Um outro técnico agora cedo

Após esses dias estressantes , fui pego de surpresa por uma conversa ,
Da minha amada mulher . Começou da forma clássica , as desconfianças
Que envolvem uma possível " derrapada em outros lençóis "

Onde você foi depois do trabalho ontem ?
Respondi : Vim pra casa , uai !

Não foi isso que eu soube ! Um passarinho me contou
Que te viu seguindo num outro caminho , diferente do habitual ?
Respondi : Amor , bem , coração . Estou cansado , estou tendo
Uns dia estressantes no serviço , e já te disse o que aconteceu !
Agora vou tomar um banho , comer alguma coisa e vou deitar .

Não me venha com esse chamego para o meu lado , você sai
Do trabalho às 17 horas . De lá até aqui na sua casa você demora
Em média 1 hora e meia . Agora me explica ; como você chega
Essas horas em casa . Olha , são 20 horas da noite !
Você pensa que sou trouxa ?
Respondi : Você está louca , vendo chifre em cabeça de cavalo .
Você está me tirando a minha paz com sua desconfiança e outra
Como você sabe dos meus horários , hein !

Você é leso por acaso . Esqueceu que sou sua esposa . E outra , que
Estou enfurnada nessa casa ; que sou dona de casa seu abestado .
Vou descobrir quem essa sirigaita , ah se vou ...

E ela falou até babar . Fui pro quarto tirar a minha roupa do trabalho
E de repente , vejo um vulto tentando sair pela janela trancada
Amor ! Vem aqui ! O nosso quarto , ele está todo molhado . O tapete está
Encharcado , a nossa cama parece uma piscina , a umidade está estragando
A escrivaninha e empenando as portas . Está parecendo que esse quarto
Esteve debaixo de uma enchente por meses

Para te falar bobagem ! Saí daí nem faz meia hora . Para abrir a porta
Da nossa casa para você , espera estou indo aí . Se não for nada ,
Vou ficar muito brava !

Chegando no quarto , ela se espanta e diz : Meu marido ficou doido !
Está tudo seco . A cama , a janela , a escrivaninha , o chão , as paredes ,
O ventilador de teto . Você está doido , e quer que eu fique doida também

Que isso bem , não está vendo está tudo molhado ! Impregnado com
Todas as imundícies de uma inundação . E se você olhar direito
Tem até resquícios da hecatombe que assolou essa casa

Um par de sapatos , uma cueca em cima do cesto , e uma calça
Surrada jeans espalhada pelo nosso quarto . E daí ! Estão todas secas .
É , estão . Como você explica ? Esse gota d'água umedecendo o guarda roupa .


                                          Autor: Everton Alves.


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Quando Não Nos Conhecemos

Quando Não Nos Conhecemos 


Vou contar uma história de um verso , que vira conto ,
Que vira mistério . Na ilha da Sicília vivia um rei e seu filho
E uma moça que morava no campo , desconhecida

Um certo dia , o rei já de idade , foi caçar com seu filho
E com maestria , pois a ensinar a derrubar os galhos do caminho
Segurando firme o machado , com as mãos bem juntas na ponta do cabo

E a manejar com certa destreza o arco , e a flecha lançada
Numa pinha em cima da cerca . E a lutar com sua espada ,
E a defender com seu escudo . Artigos tão pesados e difíceis
De manobrar para um rapaz , com corpo franzino que gostava de voar

O jovem príncipe nunca foi afeito as aventuras terrenas
Dos homens do seu reino . Ele era capaz de apaziguar
Uma guerra , colocando tinta na pena e escrevendo
Um armistício para todos

Ele era uma boa pessoa , não compreendida por seus pares ,
Que viam na demonstração de masculinidade pela virilidade ,
O caráter de uma pessoa . E um dos seus sonhos , era conhecer
Ele mesmo uma boa moça , que seu coração pudesse escolher ,
Sem os costumes da sua época . Que a felicidade , eram casamentos
Arranjados entre reinos , para acabar com guerras e manter um
Estado suspenso de paz momentânea . Era assim , dentro dessa
Ilha que seu sábio pai comandava

O rei chamou-o para experimentar a emoção de pegar sua
Primeira presa . E depois de lhe dar as explicações , retornou
Com um semblante orgulhoso por deixar seu filho varão ,
Aquele que herdará o seu lugar no trono

O príncipe foi instruído de uma ação simples , caçar um javali .
E trazê-lo para diante do rei , no seu reino . Mas , tinha uma condição!
O animal poderia ser alvo de apenas , uma de suas armas sobre a armadura

E perguntou :
Pai , se eu usar a espada , e errar o golpe . Não poderei
Usar o escudo para me defender? Não .

E se errar a flecha lançada , não poderei usar o escudo
Para me defender do contra ataque da besta? Não .

E se apenas o atordoar dando investidas com meu escudo ,
Não poderei usar a espada para enfim matá-lo? Não .

E com esses dizeres , se encontrava sozinho dentro da mata
Depois do meio dia . E levou consigo , umas folhas de papel e
Um pouco de tinta . Nisso observa o javali passar entre as
Árvores ao longe . Para falar a verdade só via o contorno do
Seu dorso . Nas sombras um javali sempre se parece com javali
Ou um porco , mas continuam sendo caça

Nisso , pela estrada onde caminha para fugir dos perigos da floresta ,
Surge atrás dele uma sombra de alguém , seguindo no mesmo sentido
Que o seu . E a pessoa com uma voz doce e melodiosa lhe pergunta :
Oi , você é o príncipe do castelo? Olho para ela , e como era bonita .
Com um sorriso largo que iluminaria toda a noite , e como queria que
Ela me conhecesse sem meu título de nobreza . É bom de vez em quando
Ser você mesmo ; nem sempre certo , nem sempre tão errado

Disse apenas que era um caçador . Porém , não um simples caçador .
Mas , um que já capturou inúmeras feras e as colocou na parede ,
Como troféu e ficou todo todo se gabando .
E ela lhe pergunta : Que fera nobre caçador , te traz para nossas terras?
Que eu saiba aqui não há nenhuma fera que prejudique os camponeses
E muito menos a realeza

Vim jovem moça , caçar um terrível javali . Que apareceu a poucos
Dias causando desespero para os moradores da vila dos pescadores ,
E essa ameaça veio para cá para nossas terras .
Que horror , espero que tenha êxito em sua caçada , jovem caçador
E na esquina ela virou a direita e seguiu o seu caminho

Que bela moça , agora que ela se foi , posso entrar em combate
Contra a minha frágil presa . E adentro na floresta , o dia está indo
Embora e o sol começa a retirar-se atrás do monte Etna

Depois de andar mais de um quarto de volta do relógio , me deparo
Com o javali descendo uma gruta e o sigo . E cada vez que ele se
Embrenha no desconhecido da caverna , mais sozinho me sinto

O javali ficou encurralado no fundo da caverna , tem só uma abertura
Bem pequena que só cabe uma pessoa esbelta . Graça aos deuses dá
Para passar bem apertado . Com muito custo passei pela fresta ,
E fiquei cara a cara com o javali . Dava pena vê o pobre animal grunhido ,
Esperneando , e cavando uma possível saída naquela dura rocha

E tenho que admitir que javali bonito ; quase da altura do meu queixo ,
Com aquelas presas que deveriam ter uns 60 centímetros de tamanho .
E seu corpo musculoso , que poderia facilmente derrubar uma carroça ,
Numa investida . Coloquei minha mão para pegar a espada , e lembrei
Dos dizeres do meu sábio pai ; apenas uma arma para ir de encontro a caça

Fui com o pensamento e uma confiança sem tamanho , já imaginando
Entrando pelos portões e meu pai me saudando pelo magnífico feito
Do seu único filho . Minha mão passa direto e não encontra a espada ,
Passo a mão em frente ao meu corpo , para pegar o arco e flecha no
Ombro esquerdo e não encontro nada

Pelos deuses! O que está acontecendo! Agora a única maneira é usar o
Escudo preso nas minhas costas . Vou pegá-lo e nada . E meu jovem coração
Dispara e o javali se vira para mim . E começa a me rodear , com medo
E pernas bambas o sigo no movimento me afastando da saída .  E ele
Para estacionado em frente aquela fresta apertada por onde entrei

Anoiteceu no reino . E veio o dia . E nada do príncipe aparecer , o rei
Preocupado saiu agoniado galopando com seu cavalo . Desesperado
Perguntando a todos , que apareciam no seu caminho se tinham
Visto seu jovem filho

E uma moça andando pela estrada , é parada pelo rei . E é perguntada , se
Ela tinha visto um jovem rapaz , seu filho! Que ele tinha deixado na
Floresta para caçar no dia anterior . E ainda não tinha voltado para o castelo

A moça sem emoção nenhuma na face . Gélida feito mármore , o entrega
um pedaço de papel . Não disse nada , apenas seguiu o seu caminho e na
encruzilhada virou a direita . No papel estava escrito os seguintes dizeres :

Devemos ser nós mesmos . Devemos ser nós mesmos perante o mundo ;
Perante as outras pessoas ; perante aquelas pessoas que amamos ;
Perante a nossa família . E sobretudo ; perante nós mesmos .

                                       
                                          Autor: Everton Alves.