Crescendo Aos Poucos
Carros dispersos
Num pátio comum .
Tão ordinários ... como
Quaisquer outros por aí
Carros que carregam
Histórias contadas ,
Vindouras e por muitas
Vezes esquecidas no fundo
De um porta luvas
Carros que se rebelam
Apenas pelo fato existirem ...
De estarem estáticos ...
Em movimento ignorado ...
Carros que são lembrados ,
Sempre quando são precisados
Carros que se apegam
Com o condutor , apenas
Até a página dois
Carros que se sentem
Passionais , depois
De anos esquecidos ,
Abandonados , enferrujados ,
Amontoados , danificados e
Largados em alguma esquina ...
Sozinhos ... Sós ...
Carros que brilham
Sempre em seus
Remotos desertos
Carros que olham
Para o mundo e indagam ...
Sorrateiramente
Carros , com suas visões
Esperançosas de um farol
Presos no meio de suas
Dunas bravias e inconstantes
Mas , com a alma sempre
Disposta a iluminá-las ...
Autor: Everton Alves.
