terça-feira, 16 de outubro de 2018

O Andarilho e a Cobra Falsa-Coral

O Andarilho e a Cobra Falsa-Coral


Quando tropecei e quase esbarrei na Laura sua amiga ,
Que até aquele instante não sabia . Distraído olhando para
O que se encontrava bem na minha frente , sentada no
Meio de tanta gente

Fiquei atordoado na segunda ou quinta vez que meus olhos
Se espelharam nos seus . E fiquei mudo , quando seu corpo
Juvenil atravessava o espaço da carteiras da sala de aula

E vai seguindo rumo por mim ignorado , em parte .
Querendo saber onde seus pés inquietos te levam , te arrastam
O que tem lá fora ? Que tanto instiga seu corpo a procurar movimento

O que chama a minha atenção , é sempre esse seu movimentar ,
Que dificilmente sossega num mesmo lugar . Sempre tem uma luz ,
Um som , um verso a te guiar , para algum lugar que desconheço .
E fico imaginando como seria bom , estar lá a ti esperar

Tropecei outra vez . Agora  caí sem querer , bem na sua frente .
Com uma vergonha imensa soltei um sorriso , talvez o amor seja
Um estímulo não programado , que transborda para fora sem ao
Menos percebemos . E sem muito o que dizer , sentei ao seu lado .
E puxei assunto : Que cor de batom é esse na sua boca ? me olhou e
Sorriu , me respondeu : é o mais em conta . Como achei graça !

O tempo se arrastou e uma cumplicidade nasceu .
Com diferenças sendo mostradas e igualdades sendo
Derramadas nas noites , nas tardes , em nossas realidades .
Quando no fim da aula suas amigas e você se reuniram ,
Eu pude ouvir : Quando vai tomar um vinho com ele ?

Você olhou para mim . E num sorriso , com um pouco de malícia
Disse : Eu ainda não sei . Mas , como nada é tão bonito como
Nos folhetins das novelas água com açúcar das 18 horas . Seu
Ponteiro da bússola , estava-se encantando pelo moço que sempre
Escrevia numa agenda as aulas . E nada falava . Apenas via , que ele
Se encontrava compenetrado , interessado

E as flores que vi na chegada , não via mais . E as flores que vi
No percurso ainda via . E admirava as flores que brotavam em ti ,
Por causa do moço de cabelos loiros e sorriso discreto

E o trem desandou . Quando a moça do batom rubro disse
Estar apaixonada por mim . E apenas não poderia namorar
Comigo , pois não era o momento de se entregar , para aquele
Que sempre tropeçava . E iria no fim de semana no barzinho
Do morro santo com o rapaz loiro , apenas para distrair-se .

Entendo a solidão da medusa , em petrificar os homens
Que contemplavam sua beleza ímpar . Você coloca em stand by
As esperanças e corações daqueles que ousam querer-te .
Moça que sabe manipular a alma dos desavisados . Almejo o incerto .
E esqueço de olhar na direção oposta , aos seus olhos de outrora .


                                          Autor: Everton Alves.




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