Dois Pra Lá, Um Pra Cá
Passando de ônibus com a cabeça baixa
Sentado na poltrona com um semblante meio cansado
Te vi hoje outra vez
Com seus fones de ouvidos que por aqui não tem igual
Numa tonalidade de azul, água marinha, turquesa
Te vi hoje outra vez
Andando entre os vários carros do estacionamento
Com sua mochila nas costas, andando apressado, caminhando
Te vi hoje outra vez
No segundo andar do meu prédio, olho pra baixo
Te vejo passar desacompanhado como sempre
Te vi hoje outra vez
Passando na viela entre os dois prédios
Indo em direção ao corredor, fica no quadro de avisos
Vai até a minha secretária conversar lá dentro
E volta pro mural, olha, observa, tira uma foto de uma grade curricular
Te vi hoje outra vez
Descendo do meu prédio após uma aula
Te encontro no térreo, sentado numa cadeira
Entre tantas outras enfileiradas no corredor
Te vi hoje outra vez
Está lá com seus fones cor do céu
Cabeça inclinada lendo um livro, que não consigo vê
Junto um pouco de coragem e passo na sua frente e ele não me vê
Te vi hoje outra vez
Está compenetrado na leitura
Vou até o bebedouro, dou aquela disfarçada
E mesmo estando tão perto, não consigo saber qual o nome do livro
Que está repousando sobre uma de suas pernas
Te vi hoje outra vez
Num ponto de ônibus, mexendo no seu celular
Esperando a sua condução chegar, fico ali perto parada
Dou umas olhadas, minhas conhecidas e amigas passam
Eu com certa maestria disfarço muito bem
Te vi hoje outra vez
Nunca fiquei tão contente por usar óculos
Mesmo sendo de lentes transparentes
Consigo te esconder no meu olhar
Hoje ainda não te vi
Vou trabalhando e estudando com a esperança de te vê
Hoje a noite, indo em direção ao seu morro
Atrás do meu prédio pra ir estudar
Cada encontro mesmo que breve
É uma satisfação pro meu coração
Breves encontros me fazem sonhar.
Autor: Everton Alves.

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