O Pêndulo da Lua
Estou cansado fisicamente
As dores vão se acumulando
Não deixo me abater
Sou forte em plena adversidade
Estou parado, reparando as folhas
Repousadas no chão e percebo
Algumas serem levadas ao sabor da brisa
E sem entender algumas ficam no solo
E suas cores mudam do verde, para amarelo, marrom
Então, num relance tudo muda
As pessoas, a alma, o trovão
Tem algo pairando no ar, que incomoda
Não consigo dizer com minha voz, com frases, palavras
Apenas sinto um arrepio meio doido
Olhando para o firmamento
Posso enxergar claramente
Que Camilla está sofrendo por dentro
E sofro sem poder abraça-la e afugentar sua dor
O que somos nesse mundo?
Desenhos em nuvens que se desfazem em pleno ar
Ou montanhas, rochedos, penhascos que desaparecem por uma prece
O que somos nesse mundo?
Almas que vivem por si e pra si numa coreografia de balé
Ou almas que sentem a falta da companhia da outra
O que somos nesse mundo?
Será que acreditamos que o amor pode florir no deserto
Ou que o amor traz consigo sofrimento, e devemos evitá-lo
O que esperamos desse mundo?
Sermos felizes, tão simples e abrangente como nas literaturas
Ou esperamos que a sociedade dite a conduta plena do individuo
O que esperamos desse mundo?
Que tudo dê certo, que os sonhos se concretizem sem lutas, sem lágrimas
Ou que aja uma mudança de planos, direções, sentidos feita por nós
O que realmente espero?
Ter um coração de uma flor com seus espinhos, defeitos, diferenças
Que procura o mar para se tranquilizar das suas tempestades
O que realmente espero?
Ter o seu afeto Camilla na plenitude
Como o amor-perfeito estampado gentilmente
Entre as diversas flores que enfeitam seu vestido florido.
Autor: Everton Alves.

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