A Deusa Sem Nome
Noite agradável com um vento que faz um
Redemoinho . Trazendo uma sensação de alívio .
Nesse emaranhado de dúvidas que fui lançado .
Tantas e tantas pessoas transitando nessa calçada
E no meio desses transeuntes apressados , nenhuma flor
Destoa da multidão
É meu primeiro dia . E vou me perdendo no labirinto
Do minotauro , que ela me deixou . Procuro uma saída
Do olhar frio lançado sobre mim . E sou deixado sozinho .
E a bela deusa do amor , se regozija com a minha dor .
Vou seguindo meus instintos , caindo , sangrando , procurando
Ficar vivo . Nesse local ermo , que minha paixão me deixou
Encontro uma fonte com água limpa . E refletida , a imagem
De uma moça sentada de pernas cruzadas de estatura baixa .
Cabelo preto . Tão preto , como as traiçoeiras Oiran .
Que te levam para a perdição , com uma conversa fácil e
Falsidade em suas mãos . Com um sorriso bonito e intrigante
A visão daquilo que procuro me atordoa . Como tivesse
Levado um não num flerte . Como dói ser traído por frases
De alegria , desejo na chegada e entusiasmo na partida .
Como somos tolos em deixar que a flecha do cupido nos
Acerte e nos tire do caminho da razão , da sensatez
Depois de três semanas de sofrimento , encontro um
Senhor que tem uma adoração sem igual pela deusa .
Ele estava regando um jardim seco sem uma Hortênsia ,
Capim limão ou Gengibre . Ficou cego pela beleza e
Incertezas lançadas por ela . Que se alimenta das tristezas
Dos homens em possui-la e nunca a tê-la
E cansado de tanto andar e chegar a lugar nenhum
Me ponho a chorar , um choro miúdo , que escorre
Lentamente pela face madura que já passou dos
30 anos. Já faz um tempinho . E sua dor é sentida
Em todo labirinto em que foi deixado só
A esperança que saltava de seus olhos , antes de
Sua prisão afetiva , da enganação de uma promessa
Que nunca se concretizou , nas várias cartas jogadas ao mar .
Como pode uma deusa tão bela se alimentar da tristeza ,
Aflição , dor do homem que lhe jurou que a amaria no
Poente e no nascer do sol . E de noitinha seriam únicos
E seus olhos distraídos avistam um homem moreno
Mais ou menos de sua idade , gritando do alto do penhasco .
Para chamar a atenção da divindade . Já vi o velho algumas
Vezes nas andanças desse labirinto , que aparentemente
Não encontro o seu fim
Porém , os seus dizeres que creio que fez a deusa o ouvir
Foram mais ou menos assim . Sou aquele que anda pelo mundo ,
Da pérsia , da Grécia , da Micronésia , da Philadelphia ,
Da Seychelles , de todo lugar . Como se a deusa se
Importasse com nós mortais
A deusa brinca com nossos sentimentos , e faz-nos cair
Aos seus pés . Cansados de brigarmos por ela . A raiva é alimentada .
Produzimos inimizades . Enquanto ela observa a cidade em
Chamas do alto de sua casa , que ultrapassa as nuvens ,
Para não ser alcançada . Mas o desejo tem que existir e
Assim a discórdia . E de vez em quando , ela abre as nuvens .
E dá o ar de sua graça
E hoje . Eu , o ancião e o rapaz que regula com minha idade .
Já começamos a nos sentir libertos . Vislumbramos aos poucos
As belezas do céu , dos animais e das pessoas a nossa volta .
Sentimos a brisa sobre a nossa pele . E a sensação única de
Se andar sobre a grama
Nos alegramos pela chuva e admiramos o vaga-lume que
Pisca abrilhantando o fim da tarde . Estamos felizes em
Conhecer as moças que estão em todos os lugares .
E a imagem da deusa começa a sumir de suas memórias .
O definhar aguardado ... dessa dolorosa história .
Autor: Everton Alves.

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