sábado, 29 de setembro de 2018

Quem é esse tal de Renato?

Quem é esse tal de Renato? 


A vi ontem de noite , de dentro do meu ônibus , todos viram , 
O ar , as nuvens do céu , o céu , as gotas de chuva , o frio , 
Suas roupas , as mulheres , as moças , a calçada , os carros , 
As motos , o segurança , a grama , a marquise , a dúvida de todos : 
Quem é esse tal de Renato?

Vi essa moça algumas vezes . Além da beleza , o que chama 
Minha atenção é a sua educação , atendendo os estudantes 
Atrás do balcão - se não estivesse apaixonado , quem sabe? - 
Ela sempre com um sorriso no rosto , ao menos é como me 
Lembro dela , já faz um tempo que não frequento a cantina , 
Pelo preços extorsivos praticados por lá

Ontem , ela era apenas mais uma moça , esperando sua condução 
Para ir para casa . Depois de um dia estressante de trabalho . 
Estava lá , entre tantas e tantas outras moças , de várias faixas 
Etárias e cada uma com seus temores

Naquele espaço de tempo a cidade era ela . A cidade se virou para ela . 
E a viu chorar copiosamente em público sem ressalvas , de peito aberto . 
Deixando o sentimento escorrer pelos seus olhos , borrando todo o rímel 
E sua maquiagem . Descendo pela face , encharcando o coração de todos 
Com sua dor , que a peguei pra mim também . Já não era uma moça em 
Prantos , era uma multidão ao seu entorno com o coração ferido , apertado . 
E uma dor doida que nem a gente sabe ao certo porque a sente . 
Nesse instante agoniante , queria estar junto dela

Quem é esse tal de Renato? 
Que você falava ao telefone aos prantos , que tipo de homem 
- se é que pode dizer que ele seja um , pelo menos na atitude por ele tomada - 
Termina com a sua companheira por telefone , que ato de maior covardia .

E ela chorava e eu chorava com ela . 
Se revoltava com a situação e eu também . 
Perdia o controle dos seus gestos e eu idem . 
E encheu a noite fria de uma tristeza ,
Que corta o coração de qualquer um , 
Que presenciou aquela lamentável cena

Quem é esse tal de Renato? 
Não sei . Não quero saber - quero saber sim , na realidade - 
Ela nunca me disse . Sempre mudou de assunto . 
Talvez por achar que não é importante - realmente ele não é - 
Mas queria saber ; quem é esse tal de Renato?

Que transformou sua noite ; moça que não sei o nome , numa das piores noites . 
Como gostaria que o seu telefone estivesse no fim da carga , ou sem carga . 
Ou que você tivesse o esquecido em casa . Ou que você tivesse o perdido . 
E não precisasse passar por isso numa noite fria , sozinha , com sua dor 
Compartilhada e sentida por todos ao seu redor

Queria sair daquele ônibus . Te abraçar . Pegar o seu telefone 
Da sua mão e desligar na cara dele . E te consolar . Oferecer o meu 
Silêncio de um desconhecido , que se compadece pela sua dor . 
E a levar pra casa . Amenizando sua dor com a minha dor . 
Agora vejo , verdadeiramente . Que nunca ninguém me amou , 
tão belissimamente como essa moça ; que desconheço .


                                          Autor: Everton Alves.


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