domingo, 6 de janeiro de 2019

O Ontem ; Ainda Não Se Foi

O Ontem ; Ainda Não Se Foi


Quando meus olhos a procuram pelas sombras 
Que passam e passeiam no reflexo do chão , 
Em que a água amorosamente baila com a 
Vassoura retirando as impurezas e sujeiras 
No piso branco marfim 

Nesse instante existe apenas a música que toca 
Dentro dessa sala . E a lembrança recente do café 
Da manhã comove esse homem . Que trabalha e o 
Suor vai escorrendo lentamente entre a sua face e 
Suas mãos grossas . E mesmo assim escreve e 
Segue do seu jeito ; vivendo seus dias

Ouvia músicas para minha alma aliviar
Para chegar a um estado de calmaria e sossego
Mas o pensamento na minha flor , invade os
Momentos de descontração

Quando faço uns passos descompassados na cozinha
Passando um café na chaleira , que até pouco tempo
Desconhecia essa marca Delicatto . Com gosto feito
Chá de boldo . Que como remédio , tem sua utilidade

Porém quando pensamos em beber , reviramos a
Cara na hora . Mas com o passar das semanas o
Paladar se acostuma , com o chá mate disfarçado
De pó de café

Os passos se misturam no corredor . Pelo seu som
Nas passadas já te reconheço entre os diversos passos .
E juro que não me confundo , quando está a circular ,
Nos vários cômodos dessa unidade de saúde

Sinto algo estranho pairando no ar . Como alguém fosse
Fazer uma longa viagem ou quem sabe ir embora .
Sensação que me deixa desconfortável , mesmo sendo
Uma impressão não comprovada

E a água ferve . E o café é colocado na garrafa térmica .
Tomo um gole e imagino tantas histórias seguindo
Livres por aí . Pelas ruas , pelas cidades , pelos abraços

Sempre esperamos aquilo que queremos . Fazemos planos .
Corremos atrás de certas coisas , mas sempre tem algo que
Esperamos no momento certo

E um punhado delas , ocorrem nos momentos não favoráveis .
Mas o inesperado , o que surge de surpresa , aquele carvão bruto
Que com paciência se transforma num diamante 24 quilates

Aquele ponto fora da curva , que a primeira vista não tem muito
A ver com a gente . Mas quando o rodo , a vassoura , o sabão ,
Se unem com suas diferenças para promover a limpeza ,
Acredito ainda meio incrédulo ; na imperfeição do amor

Que na brisa que balançavam seus cabelos loiros .
Na sua visão fixa no seu celular . Nos favores a ti ofertados .
Nas reuniões que nunca participava . O som de sua voz baixa ,
Ainda está bem nítida nos meu ouvidos

E esses pequenos fragmentos de lembrança . Me faz sonhar
Com o seu sorriso tão presente em minhas chegadas e nas
Despedidas por nós disfarçadas .


                                          Autor: Everton Alves.


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