O Ontem ; Ainda Não Se Foi
Quando meus olhos a procuram pelas sombras
Que passam e passeiam no reflexo do chão ,
Em que a água amorosamente baila com a
Vassoura retirando as impurezas e sujeiras
No piso branco marfim
Nesse instante existe apenas a música que toca
Dentro dessa sala . E a lembrança recente do café
Da manhã comove esse homem . Que trabalha e o
Suor vai escorrendo lentamente entre a sua face e
Suas mãos grossas . E mesmo assim escreve e
Segue do seu jeito ; vivendo seus dias
Para chegar a um estado de calmaria e sossego
Mas o pensamento na minha flor , invade os
Momentos de descontração
Quando faço uns passos descompassados na cozinha
Passando um café na chaleira , que até pouco tempo
Desconhecia essa marca Delicatto . Com gosto feito
Chá de boldo . Que como remédio , tem sua utilidade
Porém quando pensamos em beber , reviramos a
Cara na hora . Mas com o passar das semanas o
Paladar se acostuma , com o chá mate disfarçado
De pó de café
Os passos se misturam no corredor . Pelo seu som
Nas passadas já te reconheço entre os diversos passos .
E juro que não me confundo , quando está a circular ,
Nos vários cômodos dessa unidade de saúde
Sinto algo estranho pairando no ar . Como alguém fosse
Fazer uma longa viagem ou quem sabe ir embora .
Sensação que me deixa desconfortável , mesmo sendo
Uma impressão não comprovada
E a água ferve . E o café é colocado na garrafa térmica .
Tomo um gole e imagino tantas histórias seguindo
Livres por aí . Pelas ruas , pelas cidades , pelos abraços
Sempre esperamos aquilo que queremos . Fazemos planos .
Corremos atrás de certas coisas , mas sempre tem algo que
Esperamos no momento certo
E um punhado delas , ocorrem nos momentos não favoráveis .
Mas o inesperado , o que surge de surpresa , aquele carvão bruto
Que com paciência se transforma num diamante 24 quilates
Aquele ponto fora da curva , que a primeira vista não tem muito
A ver com a gente . Mas quando o rodo , a vassoura , o sabão ,
Se unem com suas diferenças para promover a limpeza ,
Acredito ainda meio incrédulo ; na imperfeição do amor
Que na brisa que balançavam seus cabelos loiros .
Na sua visão fixa no seu celular . Nos favores a ti ofertados .
Nas reuniões que nunca participava . O som de sua voz baixa ,
Ainda está bem nítida nos meu ouvidos
E esses pequenos fragmentos de lembrança . Me faz sonhar
Com o seu sorriso tão presente em minhas chegadas e nas
Despedidas por nós disfarçadas .
Autor: Everton Alves.

Nenhum comentário:
Postar um comentário