quarta-feira, 11 de julho de 2018

Esperar o Café

Esperar o Café 
  


Hoje está sendo
Mais um dia insuportável, incômodo
Nenhuma nuvem no céu

Quase três meses sem chuva
Temperatura alta
Umidade de deserto

A rua em que ando
Está carregada de vida, outras vidas
Que não sabem da minha

E o inverso acontece
Para cada um, vivendo do seu jeito
Cada qual com seu cada qual

Porque insiste em dizer o óbvio
Sobre mares que desconhece
E por isso tem medo de adentrar
Em suas águas não navegadas
Por ninguém que conheça

Se aventurar num mar
Sem uma mapa previamente em mãos

Mais tarde o tempo
Começa a mudar, grossas nuvens
Esparramadas começam a se juntar no céu

E ao longe percebo uma ou duas
Começando a precipitar
E aqui ainda está praticamente
Uma estação do ano sem chover

Não me desespero, pois algo me diz
Que a  nuvem que está sobre mim
Não irá tardar a soltar suas gotas
Abençoadas sobre mim, minha rua, minha vida

Chega a noite e começa
A ventar em demasia, como anunciando
O que já sabia na minha alma, na pele, na vista
E tudo se encheu de alívio

Por aquilo que já viria sem alarde
Em mais um dia na caminhada dessa vida
Choveu a noite toda, raios e trovões
Dizendo que tudo acontece por um motivo

Que ainda não sabemos
Ao certo, esperar a nossa vez
Ficamos impacientes, carrancudos e ausentes

Falamos e mal dizemos sobre aquilo
Que ainda não aconteceu, como o mundo fosse culpado
Se certas coisas não acontecem como queremos,
Quando, no momento que nossos corações flertam com a solidão

Dê tempo ao tempo minha flor dourada,
Que está um pouco chateada
E quer me ouvir falar a todo momento
Procurar meus braços para descansar, conversar, amar

E não consegue olhar para o céu
No meio de tanto calor, secura na garganta
Problemas da sua vivência cotidiana

Para orar e pedir que chova
Chova na sua cama
Chova no seu entorno, para refrescar o meu amor.

                                          Autor : Everton Alves.


Nenhum comentário:

Postar um comentário