Esperar o Café
Hoje está sendo
Mais um dia insuportável, incômodo
Nenhuma nuvem no céu
Quase três meses sem chuva
Temperatura alta
Umidade de deserto
A rua em que ando
Está carregada de vida, outras vidas
Que não sabem da minha
E o inverso acontece
Para cada um, vivendo do seu jeito
Cada qual com seu cada qual
Porque insiste em dizer o óbvio
Sobre mares que desconhece
E por isso tem medo de adentrar
Em suas águas não navegadas
Por ninguém que conheça
Se aventurar num mar
Sem uma mapa previamente em mãos
Mais tarde o tempo
Começa a mudar, grossas nuvens
Esparramadas começam a se juntar no céu
E ao longe percebo uma ou duas
Começando a precipitar
E aqui ainda está praticamente
Uma estação do ano sem chover
Não me desespero, pois algo me diz
Que a nuvem que está sobre mim
Não irá tardar a soltar suas gotas
Abençoadas sobre mim, minha rua, minha vida
Chega a noite e começa
A ventar em demasia, como anunciando
O que já sabia na minha alma, na pele, na vista
E tudo se encheu de alívio
Por aquilo que já viria sem alarde
Em mais um dia na caminhada dessa vida
Choveu a noite toda, raios e trovões
Dizendo que tudo acontece por um motivo
Que ainda não sabemos
Ao certo, esperar a nossa vez
Ficamos impacientes, carrancudos e ausentes
Falamos e mal dizemos sobre aquilo
Que ainda não aconteceu, como o mundo fosse culpado
Se certas coisas não acontecem como queremos,
Quando, no momento que nossos corações flertam com a solidão
Dê tempo ao tempo minha flor dourada,
Que está um pouco chateada
E quer me ouvir falar a todo momento
Procurar meus braços para descansar, conversar, amar
E não consegue olhar para o céu
No meio de tanto calor, secura na garganta
Problemas da sua vivência cotidiana
Para orar e pedir que chova
Chova na sua cama
Chova no seu entorno, para refrescar o meu amor.
Autor : Everton Alves.

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