quarta-feira, 25 de julho de 2018

A Flor Pálida

A Flor Pálida 


Estava andando na estrada
De barro aqui da cidade
Estradinha de chão poeirenta
Tipo de interior

Estava indo com intuito
De ir até o cume
Da montanha do bananal
E de lá ver a vista
Que se esconde atrás do cume

Um senhor vinha
Em minha direção com
Uma carroça de duas rodas
E seu cavalo puxando tudo

O parei e perguntei:
Como faço pra chegar
Na montanha do bananal?
O velho me olhou
E com uma certa destreza
Fez um mapa na terra vermelha

Com uma vara pequena
Que usava para conduzir o cavalo
Magro, velho, pobre bichinho
Sem sorte na vida, eu acho

Fez contornos firmes
Na terra seca, tinha a leveza
De uma bailarina com seus
Movimentos encantadoramente
Bem marcados, sincronizados

Talvez guiado pelas lembranças
Esse velho sertanejo ao meu lado
Com suas mãos calejadas por incontáveis
Anos de serviço braçal na roça

Desenhava no solo com a calma
E serenidade de um rio sinuoso
Que vai traçando o seu caminho

Olhei e entendi a
Sua gravura bem representada
Naquele pedaço de estrada
Sorri para ele e agradeci

Ele me disse que no meio
Da grota aparece uma mulher
Muito bonita, que leva os viajantes
Incautos para uma viagem
Deslumbrante entre os seus lençóis
E num momento qualquer suas garras
Aparecem e o viajante sortudo
Vira almoço da onça bonita

E deu uma longa gargalhada
Alta e demorada
Sorriso aberto e debochado

Me coloco a andar pensando
No fim da estrada e no que
Irei vislumbrar e fico com o pé
Atrás com o causo do velho

E se ela aparecer no meio do caminho?
Agradecerei o convite e direi que tenho
Uma flor que merece todo o meu amor
E assim continuarei a caminhar, aguardando
A volta para casa, para os braços do meu bem
Para minha flor dourada.

                                          Autor: Everton Alves.


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