sábado, 9 de fevereiro de 2019

Lívia

Lívia 


Como certas coisas acontecem
No tempo errado ou incerto .
A chuva vem volumosa e
Adentra as horas , a tarde e
Os dias

Nesses instantes uns estão
Abrigados em suas casas e
Tantos outros não tem moradia ,
Apenas transeuntes numa cidade
Movimentada que os vêem , sem
Os enxergar

O calor escaldante deu lugar a um
Clima tempestuoso e constante .
Mas , sabemos que não durará tempo
Suficiente para sentirmos sua falta
Daqui até nova estiagem , que
Percorrerá semanas quiçá meses

E tudo é meio que entrelaçado
Por uma linha invisível que
Persiste em existir . Quando se
Passa pela soleira da porta e
Alguém te olha por breves segundos

Não tenha dúvidas . Não foi
Milésimos perdidos , mas foram
Doados para você de bom grado . E
Muitas vezes não se percebe o arpão
Que é um olhar descompromissado ,
Com endereço certo quando lançado

Sorrisos são portas , janelas e
Estradas abertas se mostrando
Mesmo disfarçando a intenção .
Mesmo escondido , a face se faz
Ruborizar . Quando de repente , os
Olhos acompanham sutilmente
O seu gracioso passar

Formam-se no teclado imagens e
Frases que gostaria de falar e dentro
Da mente estão a repousar .

Mas quem sabe um dia elas ganhem
A liberdade para alcançar a outra
Margem onde quer descansar

A leveza da sua voz , balança o jardim
Desse desértico coração . Que procura
Florescer sempre após um furacão ,
Inundação , secura acarretada por
Uma incompreendida paixão .

                                         
                                          Autor: Everton Alves. 


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