terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Depois do Amanhecer

Depois do Amanhecer 


O pássaro dourado ficou solitário
Depois que seu galho onde fez
Morada por anos veio abaixo .
A única lembrança é que não era
O primeiro lugar que seu corpo
Aventurou-se a repousar

Mas era o que lhe acolheu por
Mais tempo e sempre que ia para
Longe sabia que poderia voltar .
Às vezes o coração pesava e sentia
Uma dor desconfortável , quando
Retornava e tinha outro
Pássaro no lugar

E entre idas e vindas começou a
Cansar e a olhar ao redor quem
Estava a te espreitar . A um certo
Tempo , calado , em cima de uma rocha .
Porém nunca via ele no chão , e nem
Em cima do arame farpado

Realmente nunca soube que
Aquela pedra reclamou da sua
Companhia certa

O galho já não me pertence mais ,
Agora uma andorinha de plumagem
Escura se aninha entre aquelas folhagens
Que me trouxeram tanta alegria e
Também tristeza . Fica aqui um lamento ,
Que escondo todo o tempo ; inclusive
De mim mesmo

Esse pássaro está tentando atracar ,
Meio que sem jeito e sem saber ao certo
Se é seguro pousar naquela rocha .
Onde a canção vibra o meu desconfiado
Coração. E temeroso fico só em pensar ,
Se devo ou mereço recomeçar novamente

Fico sempre voando , sobrevoando e sonhando .
Que em algum lugar haverá um galho , um velho barco ,
Um arbusto que me aceite e acolha minhas imperfeições ,
Medos e limitações .


                                          Autor: Everton Alves.


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