Naufrágio
Anoitece ... e tudo aquilo
Que você nunca prometeu
Vem a tona , e entorna molhando
A nossa coberta
E mesmo assim ... a culpa
Não é só sua ; e muito menos nossa
Quando lembramos do eu te amo
Nunca dito . Apenas pensado ,
Inúmeras vezes no pé dos lábios
A chuva que regou seus sonhos ,
Que nunca soube quais eram ... porém
Acreditava que os via brotar no seu
Semblante meio que perdido e enraizado
Longe dos abraços que te ofertava
E o calor dos afetos nunca trocados ...
Nem um simples olhar alcançaria toda
A felicidade , que projetamos para aquela
Casinha na vila das promessas não ditas
Sinto falta ... das minhas mãos percorrendo
Seu cabelo loiro , e caindo sem jeito
Pelo seu pescoço . Um cafuné bobo
Que sinto por não fazer ; e não realizar
Apenas me acostumei com a sensação doida ...
Do porque fazer ? Porque se doar ?
Porque não se entregar ? Porque amar ?
E no redemoinho das lembranças
Que nunca tive . Que nunca vivi contigo .
Vou me perdendo ... pensando no aroma doce
Do seu corpo ; por mim tão desejado
Esse girassol teimoso observa lentamente
O rastro do seu sol , e esquece da beleza
Escondida na claridade da lua .
Autor: Everton Alves.

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