quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O Avesso da Rosa

O Avesso da Rosa 



Depois de muito tempo só
Andando, caindo, levantando
Fui pego pelo encanto de Antonella,
num caminho desconhecido e querido

Nunca me vi dentro de um barquinho
Remando com uma mulher,
noutro lado de chapéu e sombrinha
Navegando em águas tranquilas
que nem conto romântico, filme, novela

Mas de repente você conhece alguém
e essa pessoa começa a mudar suas bases
Direcionando para outras possibilidades

Nunca tinha reparado no céu noturno
O nascer da lua e as inúmeras estrelas,
contidas no firmamento da noite

Nunca tinha parado para admirar as flores
que já não se encontram na paisagem com tanta facilidade
Com seus grilos, joaninhas, abelhas
Que infelizmente por obra antrópica, sumiram de nossas vistas

Nunca senti o cheiro da terra molhada,
após uma chuva torrencial à tarde
Nunca reparei nos raios saindo das nuvens, em suas formas sinuosas
Como raízes de um crisântemo, lírio, amor-perfeito

Nunca senti a sensação de estar frio e gostar disso
De querer se agasalhar nos braços de outro alguém
Nunca tive medo de sair à noite,
atravessar uma rua sem olhar pros lados,
confiando apenas nos olhos distraídos de um motorista falando ao celular

Nunca tinha pensado seriamente na solidão,
talvez porque já vivia um bom tempo assim
Ela se tornou minha companheira em todos os momentos,
até naqueles que a consciência não lembra

A uma vontade diferente, de querer repartir-se e se doar ao outro
Mesmo sem entender por que fazer? Como fazer?

Sou levado a me desprender de partes de mim,
para alcançar a outra margem do rio
Mesmo não sabendo nadar e estranhamente sem garantias de chegar lá
Sem me afogar, durante o trajeto ou na margem
Chego com um sorriso de vitória nos lábios, cansados de tentar

Adentro num terreno nunca antes pisado por mim,
sinto euforia pela conquista
Sem saber que talvez por não ter o tempo necessário para conhecer,
esteja sobre areia movediça

A gente fica, vai ficando, se acostumando com o deslumbre da margem
Com passar do tempo, o desejo de ir mais pra dentro das terras
E descobrir aos poucos os mistérios desse novo lugar,
que se apresenta diante dos seus olhos

Mas olhos apaixonados não enxergam direito,
talvez você caia sem querer do seu cavalo
Mas como as relações entre casais são incertas que nem a vida
Vamos andando, caindo, se cortando, se ferindo,
se entristecendo, se alegrando, se magoando, convivendo

E se por acaso não der certo,
talvez pelo tempo dividido ou dedicação
De querer desbravar e se instalar em terras desconhecidas
Pode se separar e voltar para suas terras

Voltar para os braços de sua amante a solidão,
que sempre te espera de braços abertos a sua volta
Ou olhar fixo pro horizonte, com o coração partido
e se lançar mais uma vez na água

Mas sem a certeza que irá ancorar
Nas margens na qual vai querer morar.

                                         Autor: Everton Alves.


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