Cenas Pós-Créditos de uma Paixão
O céu está estranho, algo está para acontecer
O vento começou a assobiar entre os bambuzais
A temperatura ambiente está caindo sensivelmente
Talvez seja o prelúdio de um outro ciclo natural
Ontem estive chorando no quintal aqui de casa
Sem saber ou entender ao certo o que estava
Acontecendo dentro de mim, simplesmente aflorou
Sem ao menos eu requisitar as lágrimas dos meus olhos
Marejados de uma tristeza sem causa definida
Estou vendo as maritacas com seu som peculiar
Nos fios de alta tensão no poste, fazendo aquele
Estardalhaço com seu grito estridente
É interessante observar que sempre estão em pares
Dizem que são companheiros até a morte os separar
Ficam com o outro por toda uma vida, sem contrato nupcial
Ou testemunhas do enlace. Sem mudança de móveis para uma
Casa alugada, própria ou de algum parente mais próximo
Só eles vivendo um para o outro, talvez esse seja
O verdadeiro significado e vislumbre do que seria
O companheirismo, ficar com a pessoa que amamos
Para todo o sempre. Isso soa meio clichê, parece até
Enredo de novela mexicana nas tardes e noites do SBT
Por que não podemos viver assim?
Por que não podemos sermos assim?
Porque não mergulhamos na felicidade que está ao nosso lado?
Por que trocamos juras de amor, planos futuros e ternos olhares?
Saio e vou em direção a qualquer lugar que
Me afaste desse sofrimento súbito no meu coração
Vou espairecer um pouco. Vejo as senhoras com
Suas sacolas carregadas de mantimentos do supermercado
Pessoas entrando e saindo dos comércios do centro da cidade
E o vazio na minha alma não passa
Viro a esquina para ir até um barzinho aqui próximo
E vou beber um pouco, para tentar dar aquela relaxada
Meus músculos estão rígidos, estou desconfortável
Fui ao médico já faz uns 4 meses para fazer
Exames de rotina e o doutor me falou na consulta
Que estava tudo bem com a minha saúde, então,
O que estou sentindo não tem origem em nada físico
Deve ser outra coisa, que ainda não sei dizer com
Palavras, esse mal estar em meu corpo
Peço uma cerveja e mais uma, e depois outra
E o que queria esquecer começa a povoar
A minha mente, fragmentos dispersos de lembranças
Se juntar todas dar para formar um mosaico
Que só o dono da dor vai entender e mais ninguém
Já estou na metade da quarta garrafa, peço a conta
Já deu por hoje. Saio meio que flutuando pela rua
Andando cambaleante pela avenida e no portão da minha
Casa, pego a chave para abri-lo e por mais que tente
A chave não encontra a entrada do tambor
Talvez o amor seja assim.
A chave não entra, coloco-a e reviro-a
E forço de todas as formas possíveis
Dentro do meu entendimento. Talvez o amor seja assim.
Depois percebo que a chave que estou
Tentando abrir é a errada. Talvez o amor seja assim.
Pego a certa e a chave teima em não entrar, vai pra cima
Pra baixo, pra fora e acabo me machucando
Sofrendo pelas inúmeras tentativas. Talvez o amor seja assim.
Consigo abrir o portão e vou abrir a porta de casa
Para entrar, no aconchego e conforto de um lugar
Que conheço bem e parece que me aguarda contente
E coloco a chave e ela não entra, sai fora, machuca
É a errada, é a certa. Entrei finalmente depois de
Tantas tentativas, talvez o amor seja assim. Talvez...
Autor: Everton Alves.

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