terça-feira, 30 de outubro de 2018

Amanda e a Tempestade

Amanda e a Tempestade


Como alguém pode pensar em passar
Por uma vida sem conhecê-la ? Não tem como !
É um grande pesar passar pelas ruas e não a
Observar serena no seu andar , com a cabeça e
Coração em outro lugar

Numa volta no seu carro é indescritível
O seu jeito doce de guiar , pelas avenidas e
Ruas que não reparamos . Apenas nela , que
Com sua delicadeza ao dirigir deixa até o
Instrutor com inveja de ensinar

Na praça onde para descansar , das
Caminhadas semanais se põe a olhar para
O firmamento do céu . Já te falei ? Que é
Uma visão amorosa apenas observa-la .
Elevando sua face até as nuvens e seu olhar
Começa a imaginar formas só suas ;
Na imensidão do ar

Teria uma tristeza profunda se alguém
Me dissesse , que pessoa tão especial não
Existe nesse lugar . Selva de pedra ,
Pessoas andando depressa . Que não
Conhecem por muitas vezes os vizinhos ,
Que moram no mesmo andar . Por vários
Incontáveis anos a se encontrar

Não tem como não perceber a sua
Presença na chegada da padaria . Ela sentada
Na mesinha decorada . E sua xícara com chá .
Esperando esfriar para em seguida tomar , o
Gole de ternura e alivio das tardes dessa cidade

Graças aos céus ; até aonde sei , ela não casou .
E muito menos tem um amor fincado ou desajeitado ,
No sofá nos domingos sem graça dessa avenida
Comprida onde fica sua casa . No bairro dos santos
Sem nomes e placas de ruas coloridas , que como
Magia mudam com o iluminar do seu olhar

Poderia escrever até me cansar . Mas , esse dia
Dificilmente chegará . Mesmo se a mulher de
Cabelos loiros não me amar . Estarei aqui para
Admirar a força contida nas suas decisões ,
Na sua vida , que a conduz com maestria

E na cara amarrada ; quando acontece ou vê algo
Que não lhe agrada . Quando acorda de manhã sem
Vontade de fazer nada . Apenas esquecer que o dia
Amanheceu . E o seu mau humor matinal continua
Aparecendo , dia não e outro também

Admiro cada coisinha que ela conquista em
Sua vida , e mesmo que me queira longe , junto estarei .
Pois , quem ama entende . Compreende , surpreende ,
Espera pacientemente ; o seu par . Aguarda organizar tudo
Que se encontra meio desencontrado , nos seus
Devidos lugares

Como agradeço por ter te conhecido , e por um
Breve período ter convivido contigo . Ânimo na
Caminhada mesmo pesada . Se sentindo sozinha
Sem meu ombro ao seu lado te dando força ,
Te apoiando , te consolando

Minha flor vive sem meus olhos , sem meu sorrisos ,
Sem minha alegria pela sua presença , sem o som grave
Da minha voz , sem as expressões do meu rosto

Minha flor continua vivendo sem a lembrança da
Minha calça jeans nas noites , mesmo sem minha
Presença numa cadeira , saiba que o mundo pode
Te fazer triste , as pessoas podem te magoar , as contas
Podem atrasar

Mas eu te dou o que mais bonito , singelo , que possuo .
Meu olhar companheiro , minha voz amiga , meus
Momentos diários divididos contigo , meu sorriso .
Não consigo caminhar sem sua presença
Amorosa ao meu lado .

E espero ansiosamente o nosso reencontro .
Já imaginou nós dois frente a frente ? Talvez o que
Tanto espera aconteça ; olhares trocados e
Simplesmente nada acontecer

Sermos percebidos um pelo outro como
Dois estranhos , apaixonados e distantes um do outro .
Lágrimas podem aparecer , na sua face ou na minha

Poderemos nos cumprimentar amistosamente e cada
Um seguir seu caminho . Poderemos talvez , parar de
Esconder o que a gente sente e se entregar finalmente

Ou fingir que nunca trocamos cartas , nunca falamos
De sentimentos . E de qualquer forma sua vida volta
A normalidade , como se nada tivesse acontecido

Mas só saberei quando nos reencontrarmos .
Pois , continuo querendo lhe ter nos meus braços .
Mesmo depois de tanto tempo , de caminhada .


                                          Autor: Everton Alves.


sábado, 27 de outubro de 2018

Jayne

Jayne 


Me veja como as ondas que tocam suavemente a areia ,
E procuram levar consigo banhista desavisados , para
Seu abraço terno e sincero

Procure descansar pela sinfonia do seu vai e vem
Sobre as pedras , que trazem o canto perdido
Das mitológicas sereias

Me perceba , através da brisa úmida que refresca sua
Pele macia nos calorosos e abafados dias do verão .
Deixa-se envolver pela fragrância trazida pelas flores
Ao seu corpo divino . Respire e transpire felicidade por
Todas as vezes que o vento fizer você lembrar de mim

Me sinta diariamente durante as 24 horas do dia . Durante
Os nossos silêncios , procure pelo som inaudível das batidas
Do meu coração . O fervor da rua esperando a sua volta ,
A luz do meu olhar sereno sobre o seu , que observa
O pulsar inconstante de nossas vidas

Me ouça , quando viramos canção ; que não sabemos direito
Cantá-la , que erramos a letra , que erramos por vezes o ritmo .
Mas , a melodia ultrapassa o entendimento de qualquer coração ,
Por mais frio que pareça e mais distante que esteja

Me chame nas horas que tudo ficar confuso na sua mente .
A vida parecer que não vai para frente , e o medo da solidão
Começar a te envolver novamente

E o céu não tiver tantas estrelas . E se , as últimas que sobraram
Parecerem faíscas que cintilam no firmamento de suas dúvidas .
Não se entregue tão facilmente , o dia tem a lua e a noite tem o sol .
Me deixe lhe mostrar a beleza que você momentaneamente esqueceu ,
Nas reviravoltas doídas da perda repentina de uma paixão

Me espere chegar com os chás da manhã ;
Camomila para acalmar , uma conversada descontraída que anima .
Erva cidreira para levantar , uma dança improvisada e coreografia
Inventada no chão da cozinha . Capim limão para elevar os sentidos
Por agora adormecidos , retraídos pelo silêncio esmagador da noite ,
Que invade sem pedir licença seu resto de dor

Me encontre na soleira da porta , que nos levam a vários lugares ,
Alguns desabitados outros cheios de vida . Não tema o desencontro ,
Mas evite os encontros tortos da beleza que engana e também
Ensina no fim das contas

Na hora da tempestade e o raio iluminar as nuvens escuras
Contidas na sua vivência , repare a lua , a igreja matriz , as praças ,
As ruas , as casas , os comércios , os jardins que guardam tesouros e
Revelam por vezes desgostos . Por um jardineiro pouco habilidoso
Com as belezas , mistérios , desejos do coração

Sejamos um para o outro luz de farol . Para nunca perdemos a
Intenção de voltar a ver , sentir , viver dias melhores , por mais
Escuros que os dias presentes pareçam ser

Que as ondas da felicidade , possam levar a maioria das
Coisas para seu interior . Mesmo que sobre algo em nossas
Mãos , aprenderemos que podemos e devemos por nós mesmos ,
Recomeçar tantas vezes forem necessárias para esquecer a dor

Esse possível amor ; provavelmente se iniciou com o despedaçar ,
Inesperado da rosa . Enraizada na rocha de arenito ; na planície de
Inundação do rio das águas incertas , promessas não cumpridas e
Sombras das esperanças vividas .
                                     

                                          Autor: Everton Alves.


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

O Monte Jayanti

O Monte Jayanti


Estava no meio do nada . Caminhando com
O sol a pino na planície nepalense . Fui buscar
Paz de espírito e entender a minha vida , que
Está sempre desconectando de algum lugar .
Parece que certas coisas não estão
Se encaixando
Vi na televisão que os gurus daqui , curam
Os males espirituais dos viajantes . Com um
Ritual de preces e mantras que são repetidos
Inúmeras vezes até chegar num estado zen ,
De plenitude
Peguei um vôo até a vila no pé da montanha
Samyukta , onde os sábios passam sua terapia
Revigorante num pequeno templo quase no
Cume da montanha

Saí da cidade onde estava , já faz 2 dias . E
Ainda tenho 3 dias de peregrinação solitária .
No caminho , buscando o sagrado que me espera
No alto daquele monte
Meu guia nessa aventura é um senhor de
Meia idade chamado Saroj Kumar Jha que é
Muito animado , tem uma alegria que transparece
Além das nossas diferenças no idioma , na
Resolução de problemas e obstáculos
Que aparecem no nosso trajeto
Ele tem uma esposa e uma filhinha . Não sou
Muito aberto para falar da minha família , e
Das pessoas que tenho alguma ligação afetiva .
Sou divorciado e não contei isso para ele . Apenas
Para não nos perdemos , nas conversas amistosas .
E esquecermos do objetivo a qual eu me dispus
A vir até aqui

Praticamente metade da distância do mundo !
Se tivesse um pouco mais de dinheiro e tempo
Iria até o Japão

Começou a chover uma chuva grossa , nos
Obrigando a fazer uma parada no povoado
De Aayusha a vila do bisão . Animal adorado
Pela cultura local
Ficamos debaixo de uma marquise de uma
Vendinha e achava estranho casas tão simples ,
Cheias de remendos , sem pinturas , com as madeiras
Podres das portas e janelas . E todas as casas a um
Bom tempo sem uma reforma
E mesmo com tão pouco ; vejo um pouco
De alegria nos seus rostos correndo debaixo
Da chuva , das mulheres, dos homens e as crianças
Pulando nas poças de água , e não ligando em tomar
Um banho de chuva

A tormenta deu uma trégua . E começamos a
Nos movimentar para o destino final . Coloquei
A mochila e cada passo que dava me sentia mais
Aliviado , sensação estranha que não dá para
Expressar em palavras
E lembrei daquela que procuro entender e esquecer !
Que muito me magoou ; não pelas palavras ditas e sim
Por aquelas omitidas . Sofrer por algo que não foi dito ,
Esse é um bom motivo , para ir para longe de tudo

Porque não fala o que senti ?
Tem sempre que esconder da gente

E um pensamento vago vem na mente, de um
Tempo antes da viagem, quando te amava muito e
Sempre tinha aquele capacho humano aos seus pés .
Creio que ainda está a te rondar , como um bom
Cachorro que não larga o osso . Me afasto do tipo de
Homem que esse tal Saulo de Tarso convertido se sujeita .
Se sujeita a ser apenas o amigo da friendzone e mais nada .
Trocam frases arcaicas em pleno século XXI . Não absorveram
O clima da atualidade . Até o jeito de falar , se expressar e ser
Um homem subjugado , ao charme de uma mulher mais nova

O que não faz um senhor da 3ª idade , para se sentir no meio
Da juventude . Mas é tão burro , que nunca a terá deitada ao seu
Lado depois de um momento tórrido de amor . Do outro lado
Da cama , do carro , da vida
Um homem que se contenta em ser trouxa ; em parecer trouxa ,
Em ser percebido como trouxa . E o pior , saber e se sentir trouxa .
Por uma mulher que tem outros atributos , além da beleza que
Você segue cegamente . Como uma ordinária luz , fraquinha
Na imensidão da noite
Sai dessa ! Ainda há tempo . Se ele pudesse me ler , encontraria
Uma forma de virar o jogo a seu favor . E não ser um escravo das
Migalhas , jogadas aos pombos da praça

Chego até o templo , com uma cara bem características das
Construções daqui . Não tinha ninguém . O guia disse que eles
Passam o dia pastorando e cuidando de suas agriculturas . E
Mais de tardinha eles retornariam
Fiquei sentado dentro de uma sala e o guia foi visitar o
Local que ele frequentava na infância até quase a idade
Da adolescência . E fiquei reparando na mesinha no canto ,
Num tom vermelho chamuscado
Parecendo que sobreviveu algum episódio de incêndio .
Mas não aqui , pois a estrutura não tem sinais que foi
Acometida pelo fogo . Nem num período mais antigo e
Nem atualmente
Que história pode contar esse móvel ? Quem o fabricou ?
Por quantos lugares frequentou ? Até parar num determinado
Lugar e ser atacado pelas chamas , que hora destroem para
Dar vida a posteriori

E em cima , uma cuia desenhada com as gravuras locais . E
Tem uma rachadura , falta um pedaço considerável . Como
Pode alguém beber sopa ali , seria uma desvantagem com os demais .
Sempre achar que seu conteúdo não está completo ou que
Falta algo para ser inteiro
E tinha umas ervas queimadas , que exalavam um aroma
Adocicado . Sempre quando temos uma vaga noção desses lugares
Não imaginamos que utilizem nos seus rituais matérias locais .
Estamos sempre com o pensamento , incenso queimando e
Um mantra simples - Aaa Uuuum -  , sendo repetido a exaustão .

Aproveitei o momento sozinho para descansar . E de repente ,
Uma senhora aparece e me pergunta : Se estou perdido ?
Respondi : Que estou procurando alivio para minhas aflições ,
Dores que acometem minha alma e coração , magoado pela
Deusa da tempestade
Ela diz , para refazer o caminho da cidade onde comecei a
Minha jornada . E chegando lá , retornar para ouvir os
Ensinamentos que irão por fim ao meu sofrimento .
Senhora , não tem como . Já estou nesse país há 5 dias ,
Tenho só mais 2 dias de estada , depois vou ter
Que voltar para casa

E a mestra que atende os moradores da região , esses dias
Ela se encontra adoentada . E está internada , para se recuperar .
Na cidade que fica a 2 dias e meio de viagem . Me desculpe ,
se não lhe dou boas notícias
Que isso senhora , que bom que me disse o que ocorreu .
Senão , ficaria agarrado aqui até a tardinha . Vou procurar o
Meu guia e retornarei para a vila . E depois , para a cidade que
Tão bem me acolheu
Rapaz ! Me deixa lhe dar uma lembrança do templo . Toma
Essa profusão de ervas , envolvidas nesse tecido . Obrigado ,
Senhora fique em paz ! Que a paz lhe acompanhe ,
Até a sua terra

Desci a montanha com um ar decepcionado , por atravessar
Meio mundo atoa . Passei pela vila e me despedi de alguns
Moradores . E fui direto para o hotel e na varandinha
Resolvi acender as ervas . Para aromatizar o ambiente .
Me deixar mais próximo daquele lugar mágico , a qual visitei
Desembrulho o ramalhete com diversas folhas ressecadas
E retiro o pano vermelho escuro . E lembro da mulher
A qual amo . E  que por algum motivo , está querendo ficar
Distante desse homem que a ama
Vou utilizar um pedaço desse pano como braseiro . E assim ,
Fazer que as chamas virem cinzas . Que vão agir mais
Tempo consumindo as ervas

Quando começo a abri-lo para cortá-lo , vejo que há uma
inscrição feita do punho de alguém . São palavras de um
certo alguém chamado Krishnamurti , que diz : 

 " Yadi hāmī vāstavamā samasyā bujhdachauṁ bhanē ,
javāpha uhām̐bāṭa ā'unuhunēcha , kinabhanē javāpha samasyābāṭa alaga chaina ."


Autor: Everton Alves.



sábado, 20 de outubro de 2018

Mariza

Mariza


A arte de aprender só traz benefícios
As nossas vidas e aumentará com o
Tempo a conexão entre nós

Atraído por seu perfil doce , tranquila .
O seu olhar demonstra brandura e paro
Para pensar nos detalhes que me
Levam até aqui

O poder da sua sedução está presente
Na sua postura frente esse mundo .
Fico admirando sua simplicidade
No caminhar e demonstrar seus afetos

Imaginando quando contava os
Azulejos da cozinha , que antes coloridos
E cheios de vida , caem pela parede e se
Transformam num monte de cacos sem vida .
Sem lembranças , sem identificação nos
Cantos do cômodo dessa casa , um tanto
Abandonada desde a última reforma

Imagino seu cabelo encaracolado
Solto ao vento , numa noite qualquer .
É só um devaneio de um coração sofrido
Que procura um jeito de recomeçar

Sua autenticidade vai além das
Capas das revistas , poses no instagram e
Recordações espalhadas pelas redes sociais .
Tem essa essência bonita que governa sua vida ,
Que atrai paixões e afasta as falsas amizades

Tem uma maleabilidade de uma mulher
Apaixonada , que tem uma enorme força
Interior . Que reflete na sua face , em ser a
Mulher que quer ser

É esse emaranhado de qualidades e defeitos
Únicos que definem a beleza de ser você , e
A felicidade que dá em conviver contigo

Me derreto por sua personalidade , quando
Muda sua postura e adquire um novo tom
De voz . Sincronizados com movimentos
Suaves dos seus gestos

Agradeço pela conversas harmoniosas ,
Descontraídas e que trazem um pouco
De alivio a essa alma cansada e esquecida
Pela mulher a qual muito amei .


                                          Autor: Everton Alves.