quarta-feira, 7 de março de 2018

Ofuscando a Penumbra

Ofuscando a Penumbra 


Como está calor, abafado, mormaço
E o suor sem meu consentimento
Vai deixando meus poros

O ato de respirar se torna rarefeito
Os lábios ressecados igual o sertão agreste
E a conversa parece ficar
Cadenciada, devagar, quase parada

Izzadora percebe o meu esforço
Para manter o diálogo, com o corpo encharcado de água
Como eu queria está numa praia, lago, restinga
Mas, estou aqui parado, compenetrado

Por incrível que pareça
Presto atenção em cada palavra, gesto, mensagem

Diálogo prolongado
E o tempo inclemente
Me deixa com um ar de desanimado

Continuo firme no laço
Com vontade de me afogar numa banheira com gelo
O assunto muito me interessa, trabalho, viagem, cinema

Como não ficar ali ouvindo tudo que ela diz
Se a razão e o coração entraram em acordo
Quero ela pra mim e ouvi-lá não é nenhum esforço
É um ato prazeroso e torturante ao mesmo tempo

Como um cabo de guerra
Que não tenho intenção de vencer
Apenas ser arrancado pelo puxão de suas delicadas mãos

Estive um tempo atrás, apaixonado por ela
Magoo-me em demasia na ocasião
Repetindo suas
Meias mentiras
Meias verdades
Meias coragens
Meias vontades

Nos encontramos de novo
Por acaso em um desses bares espalhados na cidade

E me perguntou como estou
Se me encontro namorando, ficando com alguma mulher, moça
Repito o que sempre digo: Estou bem solteiro.
Falo as mesmas mentiras e você as recebe como verdades.

Me despeço e sigo meu caminho
Encobrindo o que sinto

E assim vivo sem dizer que ainda não esqueci o seu jargão
Que era só seu e me encantava em todas as vezes que você falava

Diz que eu não estava errado!
Diz que você me amava afinal!

Dificilmente sua voz irá dizer
Que me amava...
Dificilmente.

                                          Autor: Everton Alves.


segunda-feira, 5 de março de 2018

Codinome Angel

Codinome Angel 



Tem tanto tempo que escrevo
E quero agradecer a mulher
Que por mim tem zelo

Algumas vezes acontece
O raio cair e o seu clarão invadir sua casa, alma, página
Por ela posso inundar uma piscina com versos

Fiquei cego e surdo com o estrondo
Do relâmpago que pulverizou o entorno

Como sou tolo em supor
Que não sou merecedor de virar para-raios

E quero dedicar esse poema
A centelha que clareou minha visão

A quem realmente me acertou
Em lugares escondidos da realidade
Imersos nas águas da metafísica

Não porque ela pediu
Porém, o reconhecimento
É um dom que poucos prestam

Fui apresentado através de uma amiga
Uma moça com o signo de Libra
Muito falante, comunicativa

Não atoa que está cursando
Administração, sua escolha feita de coração

Não conheço ela pessoalmente
Pelas inúmeras conversas que tivemos
Creio que seja uma mulher
Que irradia alegria, força, personalidade

Você que é
A primeira que me lê
A primeira que me vê
A primeira que me enxerga

Só tenho a agradecer
Por ser minha leitora
Desse pequeno blog
Muitíssimo obrigado!

Esse singelo poema dedico a você.

                                         Autor: Everton Alves.


domingo, 4 de março de 2018

O Cálice Derramado

O Cálice Derramado 



Estava me lembrando
De alguns acontecimentos passados
E lembrei de amores que tive
Durante a minha vida

Tantos que passaram
E deixaram algo em comum
Guardados com carinho
Esquecidos durante a caminhada dos dias

Viraram o que todos viram um dia
Vivi todos de forma plena
Fiz tudo que queria fazer
Em cada época, ocasião, situação

Quando iniciamos uma relação
Não pensamos num possível término
Pois vivemos o hoje, mas vivemos
Independente da frase celebre: Nada dura pra sempre

E se pensar bem
Vemos as coisas de outro prisma
Quando estamos de fora
Quando acabou, quando queremos acabar

Não se lamente pelas coisas
Que aconteceram na sua vida
Que bom que aconteceram
E você está aí pra contar histórias

E você virou lembrança na vida de alguém
E esse alguém, por sua vez virou sua lembrança
Quando acordo pela manhã
Vejo todos os dias, na frente de minha janela uma montanha

Sei que atrás dela
Em todos os dias contidos nos anos
Nascem o sol e a lua

Por vezes esse aparecimento
Dos corpos celestes, não tem hora
Não tem condições climáticas adequadas
Mas o seu surgimento é certo

Agradeço por cada relação que tive até hoje
E as guardo com devido carinho na lembrança
E quero me relacionar de novo
Pois, minha alma sente falta da sua

Que está além da razão
Porém tão perto do coração
Espero todos os dias a lua e o sol

E pode ficar tranquila Hellena
Como a montanha não existe para os astros
Ela não existe pra mim também e te vejo ao longe

Sempre na esperança diária de um dia
Também não exista montes
Que te impeçam, de vê a beleza do seu coração

E de me vê
Como aquele que te enxerga
Além das dores, dos medos, das magoas

Dos ressentimentos, das imperfeições
Da sua alma, corpo e coração

Por que você não quer vê?
Por que você não vê?
Por que?

                                          Autor: Everton Alves.


sábado, 3 de março de 2018

O Pêndulo da Lua

O Pêndulo da Lua 


Estou cansado fisicamente
As dores vão se acumulando
Não deixo me abater
Sou forte em plena adversidade

Estou parado, reparando as folhas
Repousadas no chão e percebo
Algumas serem levadas ao sabor da brisa

E sem entender algumas ficam no solo
E suas cores mudam do verde, para amarelo, marrom
Então, num relance tudo muda
As pessoas, a alma, o trovão

Tem algo pairando no ar, que incomoda
Não consigo dizer com minha voz, com frases, palavras
Apenas sinto um arrepio meio doido

Olhando para o firmamento
Posso enxergar claramente
Que Camilla está sofrendo por dentro
E sofro sem poder abraça-la e afugentar sua dor

O que somos nesse mundo?
Desenhos em nuvens que se desfazem em pleno ar
Ou montanhas, rochedos, penhascos que desaparecem por uma prece

O que somos nesse mundo?
Almas que vivem por si e pra si numa coreografia de balé
Ou almas que sentem a falta da companhia da outra

O que somos nesse mundo?
Será que acreditamos que o amor pode florir no deserto
Ou que o amor traz consigo sofrimento, e devemos evitá-lo

O que esperamos desse mundo?
Sermos felizes, tão simples e abrangente como nas literaturas
Ou esperamos que a sociedade dite a conduta plena do individuo

O que esperamos desse mundo?
Que tudo dê certo, que os sonhos se concretizem sem lutas, sem lágrimas
Ou que aja uma mudança de planos, direções, sentidos feita por nós

O que realmente espero?
Ter um coração de uma flor com seus espinhos, defeitos, diferenças
Que procura o mar para se tranquilizar das suas tempestades

O que realmente espero?
Ter o seu afeto Camilla na plenitude
Como o amor-perfeito estampado gentilmente
Entre as diversas flores que enfeitam seu vestido florido.

                                          Autor: Everton Alves.