terça-feira, 20 de agosto de 2019

Crescendo Aos Poucos

Crescendo Aos Poucos


Carros dispersos
Num pátio comum .
Tão ordinários ... como
Quaisquer outros por aí

Carros que carregam
Histórias contadas ,
Vindouras e por muitas
Vezes esquecidas no fundo
De um porta luvas

Carros que se rebelam
Apenas pelo fato existirem ...
De estarem estáticos ...
Em movimento ignorado ...

Carros que são lembrados ,
Sempre quando são precisados

Carros que se apegam
Com o condutor , apenas
Até a página dois

Carros que se sentem
Passionais , depois
De anos esquecidos ,
Abandonados , enferrujados ,
Amontoados , danificados e
Largados em alguma esquina ...
Sozinhos ... Sós ...

Carros que brilham
Sempre em seus
Remotos desertos

Carros que olham
Para o mundo e indagam ...
Sorrateiramente

Carros , com suas visões
Esperançosas de um farol

Presos no meio de suas
Dunas bravias e inconstantes
Mas , com a alma sempre
Disposta a iluminá-las ...

                                          Autor: Everton Alves.


domingo, 7 de abril de 2019

Devastação

Devastação 


Seu semblante diurno
Que enche os meus dias
De brilho confuso . Nos
Vãos do tempo , que sou
Deixado pensando e
Remoendo as coisas que
Não tão boas , que
Fizeste a mim

E mesmo assim ; espero
A cobra cascavel traiçoeira e
Certeira . Dar o bote , e me
Deixar enfeitiçado a própria
Sorte , numa esquina qualquer
Dessa cidade

Estou andando em terreno
Aberto , longe do abrigo
Corriqueiro . Nos esconderijos
Que me acolhem tão bem ,
Guardam reflexões debaixo
De sete folhas

Espero de forma descuidada e
Precipitada , ser ferido mortalmente ,
Pelo falcão me olhando lá de cima .
E mesmo assim ; não sou bom o
Suficiente para entrar no seu cardápio

Na tempestade que se formou
Em cima do monte , ventos furiosos
Cantam sinfonias . Que trazem medo
E delírio , para aqueles que ouvem ou
São acometidos pelas consequências de
Sua força ; destruidora

Saio desvairadamente pelo campo
Aberto , esperando ser percebido
Pela tormenta . E ser atingido por
Seu raio redentor , apaixonante
Nas curvas e voltas da sua imagem
Imponente , translúcida

Fico olhando para o mar revolto
Das dúvidas , que são colocadas por
Maestria pela sua beleza sem par .
Vou nadando de braçada em braçada e
Me perdendo ... nas ilusões que criei
para nós dois .


                                          Autor: Everton Alves. 


domingo, 24 de março de 2019

Inundação

Inundação 


Não quis acreditar
Que o homem chegou a
Lua e depois de 40 anos
Não querem retornar

Olho mais longe , onde
Meu olhar humano não
Consegue alcançar ; e dizem
Que no chão vermelho ferroso
Em algum momento vindouro
Iremos morar

Uma terra sem atmosfera
Para um simples respirar . 
Sem condições de plantio
Para nos alimentar . E a água ,
Bem tão importante apenas
Nos pólos há

Não quis acreditar
Que a temperatura ambiente
Nas próximas décadas ,
Tem tendência de aumentar 
E ficamos reféns , sem saber
Em quem acreditar

E os terraplanistas resolveram
Regressar , com suas ideias
Arcaicas e nada ajudam a
Explicar

Não quis acreditar
Que um sentimento tão bonito
Inicialmente , possa ter um fim .
Deus fecha uma porta e abre
Uma janela , para a esperança no
Recomeço se aninhar

Não quis acreditar
Que depois de tempestades ,
Outonos , saudades ... o sol
Sempre volta a nos encantar .

                                         
                                          Autor: Everton Alves. 

sábado, 9 de março de 2019

Naufrágio

Naufrágio 


Anoitece ... e tudo aquilo
Que você nunca prometeu
Vem a tona , e entorna molhando
A nossa coberta

E mesmo assim ... a culpa
Não é só sua ; e muito menos nossa
Quando lembramos do eu te amo
Nunca dito . Apenas pensado ,
Inúmeras vezes no pé dos lábios

A chuva que regou seus sonhos ,
Que nunca soube quais eram ... porém
Acreditava que os via brotar no seu
Semblante meio que perdido e enraizado
Longe dos abraços que te ofertava

E o calor dos afetos nunca trocados ...
Nem um simples olhar alcançaria toda
A felicidade , que projetamos para aquela
Casinha na vila das promessas não ditas

Sinto falta ... das minhas mãos percorrendo
Seu cabelo loiro , e caindo sem jeito
Pelo seu pescoço . Um cafuné bobo
Que sinto por não fazer ; e não realizar

Apenas me acostumei com a sensação doida ...
Do porque fazer ? Porque se doar ?
Porque não se entregar ? Porque amar ?

E no redemoinho das lembranças
Que nunca tive . Que nunca vivi contigo .
Vou me perdendo ... pensando no aroma doce
Do seu corpo ; por mim tão desejado

Esse girassol teimoso observa lentamente
O rastro do seu sol , e esquece da beleza
Escondida na claridade da lua .


                                          Autor: Everton Alves.