quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Uma Carta Para Joanna

Uma Carta Para Joanna


Sentado na areia sob um colchão de nuvens
Sentindo a brisa marítima e seu gosto de sal
Ouço o som característico das marés e o seu movimento

Se formam em águas tranquilas e
aos poucos vão ganhando altura e força
E se aproximam lentamente da costa

Chegando na forma de uma onda,
que suga as areias da praia para o mar
Mas só um pouquinho de cada vez,
cada onda tem o direito de levar seu pedacinho de areia

A onda carrega sua parte e
devolve das suas entranhas outras areias,
que estavam perdidas no fundo
Para sentirem o mundo a sua volta,
mesmo que seja por uma fração de tempo

Até surgir outra onda e
levá-las para o fundo do mar
O tempo começa a melhorar e
as cortinas do céu começam a se abrir
E o sol de forma tímida começa a raiar

Tudo fica com um visual espetacular,
começa a chegar a platéia para admirar e
se banhar nas suas águas

Faço uma breve reflexão:
Que as pessoas são como as ondas

Chegam na sua vida
e trazem inúmeras coisas consigo, pequenas, médias, grandes
E invisíveis a olho nu, mas você sabe que trouxeram algo,
que não precisa de comprovação para se sentir

E levam consigo parte de nossas vidas
Então, a vida nada mais é que um grande oceano
Que precisa quebrar em algum lugar, gerando movimento
e deixando um pouco de si nas margens tocadas

Durante o decorrer de nossa vivência,
somos colocados como água e terra
No mesmo recipiente, pois precisamos fazer esse intercâmbio
dentro de cada um de nós

Para poder enxergar o sistema água e terra do outro
E compreender que de vez em quando, estamos nublados,
ensolarados, com raios tímidos entre nossas nuvens,
o mar está tranquilo, o mar está revolto
ou tudo vira uma enorme tempestade e tsunami

Mas tudo passa, sempre passa
E na maioria do tempo, você se senta e contempla
A visão linda e incerta da nossa existência.

                                          Autor: Everton Alves.


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Linda e Geniosa

Linda e Geniosa 



Estou triste porque "A" não me dá notícias
Mas a vida tem dessas coisas
Não se pode querer ter sempre a atenção
de sua musa inspiradora de versos, poemas, canções

Melhor deixar como está
Talvez seja mais fácil pensar
Que em outros braços está a repousar

E o baile segue e vou bailando conforme a música 🎵
Fui a uma cidade vizinha, a maior delas
Para comprar um livro numa loja
Naquele centro de comércio chamado shopping

Andando pela rua à procura de meu destino
Que se encontra em cima de um morro
Feito nave espacial, pousado no seu espaço porto

Ao longe o vejo, passo numa rua comprida
Que vai dar no local onde se ensina
Ao cidadão virar mestre, doutor, formador de opinião

Cansado chego bem lá no alto, num calor castigante
Entro e vou a procurar a lojinha onde o livro se encontra
Pelo corredor climatizado de ar condicionado

Entre lojas de roupas, calçados, acessórios, jóias, relógios,
praça de alimentação e um circular incensante de desconhecidos
Esbarro sem querer o meu pé no de uma moça

Não dá pra acreditar "N" veio de Goiânia,
pra passar férias naquela cidade
A convidei para lanchar ou beber algo como um café

Botamos a conversa em dia e diz do mestrado,
que esse ano se Deus quiser vai terminar
Tenho boas lembranças,
do dia que conheci "N" e continua sendo a mesma mulher

Aquela morena que faz qualquer homem,
torcer o pescoço quando ela desfila pela calçada
Não importa quem seja,
aquele que se encontra "ficando", namorando, casado

Mulher com cara de brava, só a cara
Pois tem um coração enorme
e pelos que a conhecem bem, muito estimada e admirada

Entardece e me despeço
Ela segue pro cinema na companhia de uma amiga
Que fui apresentado, mas não guardei o nome
Encantado pela beleza sem par de "N"

Como pode alguém que não vejo,
a tanto tempo balançar esse coração
Que não recebe a devida atenção

Pego o livro e volto pra minha terra
Com o coração partido, sigo vivendo sem saber
se "A" encontrou alguém pra conviver.
                                                             
                                          Autor: Everton Alves.


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Determinada e Adorável

Determinada e Adorável 



Numa viagem interestadual conheci a luz mais brilhante,
a alegria contagiante e a companhia mais charmosa daquele dia
Como de costume compro um bilhete
Entro no ônibus, que te leva para o lugar que escolheu

Entrei e sentei na última fileira, coloquei minha mala de mão
Embaixo do banco entre as minhas pernas
E a mochila no meu lado, em outra poltrona

Depois de ter passado 1 hora de viagem,
ouço uma voz comparada com a de um anjo, no caso uma anja
Daquelas que tocam harpa nos afrescos das igrejas

Ela na minha frente
Inclinei-me sutilmente e vi,
sobre seus cabelos pretos, impregnados com a escuridão noturna,
mas sem as estrelas que foram atraídas
Pelo encanto magnético daquele sorriso lindo
Ah! Que sorriso...

No inicio da manhã, na estrada num frio congelante,
e vidros embasados pelas várias respirações
"M" delicada e tímida, pediu um agasalho
E recebeu um casaco de uma vizinha

Fui pego como um beija flor,
com a ilusão deslumbrante de um girassol
Pintado num quadro na parede,
pois as flores reais não se encontram tão livres na paisagem
Que nem o meu amor por "A"

Como é doce seu beijo
Como é agradável a sua voz
Como é aconchegante o seu abraço
Como é bonito o nosso sentimento
Como é lindo sonhar contigo

E vivo esperando ansioso por tudo isso
Sentindo a sua presença a cada dia
Ah! Esse amor que sinto por "A"...

Fui buscar no céu o cobertor ideal,
carregado de arco íris e corações de alguns querubins
Para aquecê-la naquela viagem

Como não se apaixonar por "M"
Em que se quer pegar no colo e ninar
Um carinho imenso toma conta de mim,
naqueles breves instantes
E fico petrificado contemplando aquela visão

Chego ao destino e na saída olho pra trás
E vejo a miragem encantadora indo entre as pessoas
Para servir de guia, além das estradas, das cidades, das vielas,
dos prédios, dos morros que seguem até o firmamento

A estrela 🌟 da manhã
Tem um nome parecido com a flor dália
Porém toda vez que a vejo,
lembro de ti "M" e sinto sua luz

Que só tem significado, se tiver um nome dado
E aquela estrela à brilhar tem o seu nome
Iluminando o amanhecer
E dando esperanças, para esse confiante navegante.

                                          Autor: Everton Alves.


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Indecisa e Misteriosa

Indecisa e Misteriosa 



Numa praça de uma certa cidade
Conheci Luiza e percebi surpreso o seu pesar
Caindo lágrimas pela face feito chuva, chuvisco, enxurrada

Querendo levar embora o que não posso vê
Não quero vê, não devo vê
Se despedaçando ali na minha frente
Transbordando aquilo que é guardado lá dentro

Talvez o que seja mais importante
Naquele sutil e angustiante instante
E aos poucos começa a surgir
A visão do seu éden imaginado, amado, esperado

Luiza se apega as rosas que não existem mais
Ao jasmim que não libera seu perfume
Não sente mais seu aroma invadindo-a
A hortelã não leva à calma e
O bem-estar de espírito de antes

As pedras colocadas com todo amor, ternura, carinho
Para proteger o seu interior
Que a muito tempo não nasce uma simples flor

Do outro lado da calçada
Fico a te admirar Luiza e a sonhar com você naquele instante
A lembrança do zangão ainda te segue
E por descuido virou sua sombra, cegando, limitando o seu olhar

Mas não dá pra controlar o sabiá
Que de vez enquanto vem te visitar
Não dá pra engaiolar, criatura de alma livre
Como te disse aquele dia, caminhando ao luar

Então, o melhor é deixar livre
Sem saber se vai voltar, ficar, enraizar
No seu jardim, esse que você cultivou
Com todo o amor do mundo

É triste, mais uma vez vê
Ela delicadamente colocar seus joelhos
Calejados por inúmeras decepções no chão
E sem a menor explicação, se por a chorar

Pelo zangão, pelo sabiá e por si
Que não souberam enxergar, cuidar, perceber
O definhar corriqueiro do seu sonhar

Que as flores só nascem
Para quem quer de verdade
Regar, amar, confortar, entender, conviver, confiar
Vislumbrar o seu encanto

Dê valor ao seu maior bem Luiza
Que não é mostrado facilmente pra ninguém
E quando se revela, às vezes, é afligida por uma sombra
Que só quer ser sombra

Cuidado a quem possa mostrar
A imensidão das terras, dos céus, dos mares do seu coração.

                                          Autor: Everton Alves.