A Covardia Negando a Possível Felicidade
Na sarjeta andando sem rumo , querendo
Esquecer o mundo que um dia fiz parte
Mas , ele insisti em voltar fazendo assombrar
Os poucos cacos que ainda fazem algum som ,
Se tocando meio sem querer no balaio dessa
Vida na qual persistimos em viver
Nunca quis esquecer . Mas quando mais andamos
Muitas coisas ficam para trás . Pedregulhos de
Insatisfações e caixas de música com sua bailarina
Rodopiando - lembranças dos momentos felizes -
Mas a corda da caixinha acaba . E assim
Qualquer lembrança sua
Andei tanto , nesses últimos anos . Pois o relógio
Só vai para frente . O tempo vai e a gente querendo
Ou não viajamos com ele . Alguns não chegam a
Vê se quer uma primavera e tantos outros já passaram
Por incontáveis invernos
E para uma parte a vida é muito curta .
Por isso temos essa e outra póstuma ; o caminhar é
Um movimento involuntário para frente . Não dá para
Voltar um minuto sequer no tempo , para não dizer
Certas palavras , atitudes , mancadas
E o passado , quer porque quer me envolver na
Loucura novamente . Me puxar e tragar para a agonia .
Tirar-me dessa paz conquistada nesses anos . O passado
Como um efeito divino sabe que já passou
Mas tem alguns viajantes que se apegam ao passado
De tal forma , que vivem e trazem para o futuro tudo
Aquilo que deveria ter deixado cair vagarosamente
No chão ; as vivência boas ou ruins dos dias vividos
Estou sem um tostão no bolso , não reclamo .
E nem quero por à perder essa onda de calmaria
Que se tornou minha vida . Minha carteira está vazia ,
Mas fico imensamente feliz em saber que fiz a escolha
Mais acertada , deixar o Titanic afundar . Com tudo que
Fazia peso desnecessário , que invadia o meu presente
Me desliguei da lembrança triste do capitão afundando
Com seu navio . Olho essa cena e agradeço por ele levar
Para as profundezas do mar do esquecimento tudo aquilo
Que vivi ; que sejam boas recordações ou ruins
O importante é deixar ir . E você se refazer . E prosseguir .
Pois a vida nos cobra isso , sempre seguir . Mesmo que
O futuro que ainda não veio , traga grande parte daquilo
Que naufragou no triângulo perdido das Bermudas
Não desista da esperança de nossos mares se
Encontrarem , meio sem querer algum dia
Entre tantos dessa vida
Estou deitado na calçada , apenas com minhas roupas
E sentindo o frio das ruas ; dos carros , dos transeuntes
Que vão e voltam sem perceber esse homem que sofre
Calado por um amor ainda não concretizado . Observo
Uma flor numa das inúmeras rachaduras do passeio
Ela me parece altiva , alheia a tudo ao seu redor .
Será que ela tem problemas ? Problemas que tiram o seu sono ?
Problemas que atravessam a sua vida ? Aparentemente calma .
Está com um ar de plenitude . Muito assemelhado com
Esse meu estado atual . Mas creio que deva sofrer por dentro .
Todos sofrem ; não há como fugir daquilo que nos aborrece .
Apenas deixamos para lá e quando não há mais jeito ,
Encaramos sem saber ao certo se iremos
Ganhar o derradeiro embate .
Linda flor , será que viver é isso tudo . Ou a tristeza impede
De vermos a vida como vida e sim como algo incerto .
Autor: Everton Alves.

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