sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O mar e a solidão

O Mar e a Solidão



Respiro, inspiro, respi..., inspi...
Abro os olhos e sinto o mundo
Estou acima e abaixo dele
As cores se confundem e me cegam

A tristeza é companheira da parte ferida
A luz que transpassa meu corpo aquece minha alma
A percepção do tocar aguça o ter, o querer
E a busca incessante do que se oculta
nas profundezas do esconderijo

O mundo me toca e me expulsa
Não sou daqui e não me apego a mim
Tudo se torna cinza, duro e se perde a graça de se pertencer

A água corre entre as reentrâncias do meu corpo, 
começo a vivenciar a vida
As janelas do coração se abrem 
e murmuro palavras que vão ao sabor do vento

 Minha amanda, minha amaaan....
É o timbre que ecoa no vazio, feito brisa
De repente acordo e reconheço
Que o sonho foi o salto na imensidão do meu ser
Escondido e agora aflorado

No entender que sem alguém
Somos barcos a velejar na bruma do gostar.

Autor: Everton Alves.


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